450 músicos no Festival Internacional de Música da Primavera de Viseu que hoje se inicia

0
437

Começa hoje o Festival Internacional de Música da Primavera de Viseu. O primeiro concerto cabe à Orquestra Filarmonia das Beiras, com a direção de Cláudio Ferreira e a companhia do Quarteto de Guitarra de Viseu, formado por talentos da terra, André Cardoso, António Coelho, Marco Pereira e Paula Sobral darão corpo ao Concierto Andaluz uma composição de J. Rodrigo.

Para a edição deste ano é forte a aposta nas orquestras. Estes grupos, dada a sua dimensão e a variedade de instrumentos inerente, permitem trazer novamente à vida o repertório dos grandes mestres como Robert Shumann, Beethoven e Tchaikovsky, tal como estes o idealizaram.

A ocasião de ouvir “A Sagração da Primavera”, uma obra de Igor Stravinsky que é por muitos considerada uma das mais enigmáticas obras do séc. XX, interpretada em pleno, ao vivo e por músicos de elevada qualidade, é uma oportunidade rara em Portugal. No entanto é essa a oportunidade que iremos oferecer ao nosso público no dia 14 de Abril (sábado) quando a Orquestra Filarmónica Portuguesa, dirigida pelo maestro Osvaldo Ferreira, se fizer ouvir no Pavilhão Multiusos. Esta Orquestra, que recentemente anunciou que ficará a residir em Viseu, trará consigo um convidado muito especial, o violinista Pavel Milyukov. Este russo destaca-se pelo magnífico talento cujo currículo invejável comprova: prémios em várias competições internacionais como Vibrarte International Competition em Paris e David Oistrakh Competition em Moscovo são dois entre muitos exemplos.

No dia 22 de Abril, as luzes da ribalta viram-se para o grupo sobre a direção de Cláudio Ferreira, a Orquestra Juvenil de Viseu com o Coro Misto do Conservatório são mais uma prova da aposta no talento local e que, não obstante a tenra idade, nada ficam a dever em termos de qualidade. Para comprovar essa afirmação basta olhar para a solista que irá cantar com a Orquestra, a soprano Elisabete Matos. Já na edição anterior esta cantora nos agraciou com a sua participação no evento, aceitando ser a “madrinha” desse ano. Ora, na altura fez outra promessa: oferecer um concerto seu. Essa promessa cumpre-se agora com a presença neste espetáculo. Para quem estiver menos familiarizado com o trabalho da artista, basta dizer que já soma duas condecorações pelo Presidente da República, a última enquanto Grande-Oficial da Ordem do Infante D. Henrique. Já interpretou óperas nas principais casas da Europa e tem vindo a somar vários prémios ao longo da sua extraordinária carreira.

Por fim, no dia 27 de Abril, teremos o concerto da Orquestra XXI. Esta não será uma presença nova no festival, mas a obra que trazem Das paradies und die Peri, de Robert Schumann, essa sim, é uma estreia. Melhor ainda, acontece na companhia do Coro Gulbenkian, indiscutivelmente um dos melhores Coros em atividade em Portugal. Como se não bastasse, os solistas Anna Harvey, James Gilchrist, Sónia Grané, Diogo Mendes e Leonor Amaral vêm elevar ainda mais a fasquia para este espetáculo que conta com a direção do condecorado maestro Dinis Sousa.

No total estarão envolvidos neste festival 450 músicos. Para isso muito contribuem as várias Orquestras, mas com 20 concertos espalhados ao longo de 16 dias, a oferta musical é muita e variada, desde o repertório clássico a obras contemporâneas, incluindo estreias absolutas. Haverão concertos dedicados a instrumentos específicos, como é o exemplo de Mário Laginha e Pedro Burmester a extraírem todas as capacidades do piano ou do 5G5C – Portugal Guitar Quintet que demonstram as maravilhas da guitarra; mas outras vertentes também estão presentes como a música antiga interpretada por Junko Takayama, Cristina Rosário e João Paulo Janeiro na Igreja da Misericórdia, ou uma ópera cómica escrita por Jorge Prendas e interpretada pelo Quarteto Contratempus. Outro grande destaque vai para Sérgio e Odair Assad. Estes irmãos brasileiros, são uma referência a nível mundial para qualquer guitarrista. A sua virtuosidade em duo inspirou, entre muitos outros, Astor Piazzolla a compor-lhes um tema, mas o seu repertório é bastante variado. Para lá de composições de contemporâneos e outros de sua própria autoria, têm também transcrições da grande literatura de teclado barroco de Bach, Rameau e Scarlatti, e adaptações de peças de diversas figuras como Gershwin, Ginastera e Debussy.

As publicações com as editoras Nonesuch e GHA, já lhes valeram várias nomeações e algumas vitórias para os Grammy Latinos, como por exemplo, o de Melhor Compositor com a música Tahhiyya Li Ossoulina.

Em Portugal, a dupla apresenta-se com um repertório tão eclético quanto a sua carreira e depois de nos últimos anos terem viajado por todo o mundo, esta oportunidade de os ver em território português é sem dúvida muito especial.

Para lá destes concertos regulares serão organizados também concertos pedagógicos que promovem o contacto de outros públicos com Grande Música. Isto é possível pois estes concertos vão ao encontro das pessoas, nomeadamente deslocando-se até ao Lar Viscondessa S. Caetano, à pediatria do Hospital S. Teotónio, ao Estabelecimento Prisional de Viseu, APPACDM e ainda a outras 16 escolas e instituições perfazendo um total de 20 concertos. Neles os músicos interpretam algumas obras e, para além disso, interagem com o público desconstruindo um pouco do processo criativo por detrás das músicas, partilhando particularidades dos próprios instrumentos e satisfazendo a curiosidade de quem os escuta.

DEIXE UMA RESPOSTA

Please enter your comment!
Please enter your name here