A Maldição da memória do Infante D. Pedro

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Por: Abílio Travessas

Depois da 1ª parte (AQUI), eis hoje, de seguida, a 2ª parte.

 

A polémica levantada por Pinheiro Marques acerca do mito do Infante Navegador, D. Henrique, estalou mais violenta aquando das comemorações do VI centenário do seu nascimento. “… – decidimos publicar um artigo intitulado A Maldição da Memória e a Criação do Mito. O Infante D. Pedro e o Infante D. Henrique nos Descobrimentos. No entanto, nos primeiros meses de 1994 a Comissão Nacional para as Comemorações dos Descobrimentos Portugueses censurou e recusou a publicação desse nosso artigo,  correspondendo à solicitação que nos fizera de um texto de nossa autoria para Número Especial sobre o Infante D. Henrique da revista Oceanos, dessa mesma Comissão. (Maldição da Memória…)

Abílio Travessas

O artigo devia ser publicado no nº 17 da revista Oceanos, mas não foi aceite. Era seu director Vasco Graça Moura que, no editorial: “Voltando aos rituais da memória, … dir-se-à que, na matéria henricina, surgem ainda, aqui e ali, indícios preocupantes de haver quem tome a História como uma espécie de campo de futebol em que se defrontam, como adversários irredutíveis para todo o sempre, as figuras do Infante D. Henrique e do Infante D. Pedro, seu irmão. Seria, no caso, uma espécie de desforra de Alfarrobeira, no plano dos Descobrimentos, a que não haveria de dar importância de maior, se não estivesse a correr o risco de a pantomina se tornar, entretanto, uma visão caricatural e deformadora.”

Era uma justificação da não publicação do artigo de Pinheiro Marques, mas que foi censura…, não ficava bem num nº da Oceanos tão laudatório do Infante Navegador… Como escreveu o autor na Maldição da Memória: Foi espantoso. Deram a “resposta”, e …não deram a “pergunta”…

Sempre gostei de ver acabar os mitos da nossa história, o endeusamento de figuras e o esquecimento de outras. Mas é preciso ler os historiadores, não os amadores da história, com é o caso das mirabolantes hipóteses da pretensa nacionalidade portuguesa de Cristóvão Colombo.

Vejamos algumas opiniões sobre D. Henrique: “Deixou o regente, D. Pedro, seu irmão, que o tinha coberto de riquezas (monopólio da navegação e dos rendimentos das terras descobertas além do cabo do Bojador, na Mauritânia, um quinto dos rendimentos das colónias da Madeira e Açores, sem esquecer a pesca, o sabão e o sal da região sul), ser morto em Alfarrobeira, tal como tinha deixado o Infante Santo apodrecer e morrer em Marrocos, depois de o ter abandonado aquando da derrota de Tânger”) Olivier Ikor, CARAVELAS – O Século de Ouro dos Navegadores Portugueses.

Também não é positiva a imagem que Luís Miguel Duarte(LMD) – a ler a entrevista  na revista de história do Jornal de Notícias – lhe traça na biografia de D. Duarte ( Reis de Portugal, Círculo de Leitores). No Capítulo 16, Tânger, 1437, LMD afirma que o D. Henrique nunca teve um “plano das Índias” mas um “plano de Tânger”, conquista e saque desta cidade no norte de África. Para ela tinha o apoio do irmão D. Fernando, o futuro Infante Santo, da rainha D. Leonor de Aragão e a oposição dos irmãos D. Pedro e D. João. O rei, D. Duarte, pede os pareceres dos nobres mais importantes, sobre a oportunidade da empresa.  “O parecer do Infante D. Henrique, em particular, roça o inútil, de tão vazio e repassado de clichés”. O Infante foi o principal responsável pelo desastre de Tânger donde os portugueses só saíram depois de D. Fernando ficar refém.  “… desagradava ao rei a leveza com que o Infante sacudia de cima essas responsabilidades e a  leviandade com que propunha soluções para o drama que ele, mais do que ninguém, contribuíra para criar…”(LMD).

Na Batalha de Alfarrobeira, em que morreu o irmão D. Pedro, D. Henrique não fez tudo para impedir o funesto desenlace do conflito com o sobrinho, o jovem D. Afonso V.

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