A safra da azeitona numa aldeia da Beira Alta

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Por: Abílio Travessas

O ciclo do azeite (o vocábulo árabe az-zait significa sumo da azeitona) segue-se ao do vinho. Na Beira Alta, Mangualde, onde vivo tempos alternados com a Póvoa, foi duramente atingida pelas chamas do dia 15 de Outubro perdendo-se muitos olivais. Mas o ano vai bom no que toca à quantidade embora a falta da chuva lhe tenha roubado “carne”, no dizer dum alentejano.

A “apanha” da azeitona coincidia com os meses mais frios tornando a tarefa muito dura, mas as mudanças climáticas anteciparam o calendário: Novembro é agora tempo de começar e este ano um calor anormal ajudou. Da minha experiência nos campos de Gandufe não recordo ano de ver as oliveiras tão carregadas. Se a chuva tivesse aparecido em seu tempo a colheita seria excepcional.

Em trindade familiar ou em parceria ( colheita a meias) foram dias de intensa labuta, desde as oito friorentas horas até ao pôr do sol, com divisão de tarefas: um homem a fazer a poda, simultânea com a apanha, subindo à oliveira ajudado por escada, munido de mini moto-serra e serrote, a Joana com a máquina varejadora para os ramos mais altos e o restante pessoal varejando/ripando os ramos do chão, limpando o possível antes da operação final na erguedeira/tarara (aparelho para limpar o grão dos cereais, ventilando-o – Dicionário da Porto Editora 5ª edição). E, por fim, a Coop. dos Olivicultores de Nelas.

As variedades da azeitona, adaptada a cada região, fazem azeites diferentes e a feitura pode ser a quente ou a frio, esta conservando mais qualidades do azeite, mas mais cara. Não comparemos os azeites de árvores centenárias com o azeite das culturas intensivas da região do Alqueva, as oliveiras dispostas arbustivamente, adubadas à força, com uma vida útil de 10/15 anos, solos rapidamente empobrecidos e contaminados por herbicidas e insecticidas.

Já em ocasião anterior tive a oportunidade de explicar o funcionamento dum lagar tradicional a laborar numa aldeia de Góis. Foi uma jornada que me permitiu observar um dos últimos lagares de varas e com pedras galgas (duas mós dispostas verticalmente para moer a azeitona).

Revista da Casa do Azeite, a Az-Zait, de que respigo, dum nº antigo: “os azeites classificam-se em categorias distintas – o virgem extra, isento de quaisquer anomalias e o virgem que admite defeitos muito ligeiros; os azeites lampantes (sem qualidade para serem consumidos), têm de ser refinados (neutralizados, descolorados e desodorizados) para depois serem loteados com os virgens extra e os virgens e se apresentarem aos consumidores – contém azeite refinado e azeite virgem.”

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1 COMENTÁRIO

  1. Saudações do Brasil. Quando eu era adolescente , nos anos 70 , era comercializado nos empórios um azeite em lata da marca Beira Alta. Era um achado temperar saladas com ele, e tinha um sabor tão acentuado e característico, que eu tinha o hábito de espalhar ele sobre o prato de arroz, só pra meu deleite . Em Portugal ainda existe essa marca de azeite ? Pois há muitos anos sumiu das prateleiras dos supermercados aqui em meu país.

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