Anti-imigração e eurocético: o futuro governo italiano, um pesadelo para Bruxelas

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Luigi Di Maio (M5S) e Matteo Salvini (Liga)

Por: António Fonseca (Lausanne – Suiça)

A UE esperava e apoiava a formação de um governo de direita-esquerda na Itália. Finalmente, os nacionalistas da Liga e os antissistema do Movimento 5 Estrelas estão-se a preparar para liderar o país. Bruxelas está preocupada e os mercados, segundo os media tradicionais, também.

António Fonseca: Colaborador Dão e Demo

Foi o pior cenário para Bruxelas: as negociações entre o Movimento 5 Estrelas (M5S) e a Liga finalmente começaram, depois de Sílvio Berlusconi, um aliado da Liga, mas cujo partido recebeu menos votos do que este, concordou finalmente com as negociações. Os líderes dos dois grupos, ambos com uma maioria estreita no Parlamento, Luigi Di Maio (M5S), 31 anos, e Matteo Salvini (Liga), 45 anos, encontraram-se no início da manhã do dia 10 de maio na Câmara dos Deputados.

Num comunicado conjunto, os dois líderes falaram de “um clima positivo para definir a agenda e as prioridades do governo”, bem como de “progressos significativos” na composição do que será a futura equipa do governo. De acordo com a imprensa italiana, eles pediram até 14 de maio, ao presidente da república, Sergio Mattarella, que até agora tinha recusado nomear um chefe de governo “neutro”.

Concretamente, isso significa que, para evitar um governo técnico destinado a acabar com a ausência da maioria, os dois homens da cena política italiana conseguiram estabelecer as bases de uma aliança que não era óbvia. De fato, o M5S reivindicou o populismo e a Liga, descrita como de “extrema-direita” pelos seus adversários, tem diferenças profundas. A formação nacionalista próxima à Frente Nacional Francesa, que recolheu os votos do Norte, terá que governar com o M5S formação antieuropeia e plebiscitado pelo sul da Itália.

Uma aliança que preocupa Bruxelas e os mercados

Em detalhe, a aliança deve, portanto, basear-se num contrato de coligação ao estilo alemão: conterá uma base mínima de pontos sobre os quais o M5S e a Liga terão chegado a acordo. As duas partes têm em comum a rejeição de forças políticas tradicionais e promessas de reformas e combate à imigração. Além disso, a Liga e o M5S compartilham um claro desafio a Bruxelas – embora Luigi Di Maio tenha desistido de propor um referendo sobre a saída da Itália da UE por enquanto.

Essas convergências de opinião, que parecem ter sido, agora, acertadas nas divergências políticas, preocupam ainda mais Bruxelas, porque se concretizam daqui em diante num projeto governamental. Os próprios mercados estão a começar a ficar agitados segundo analistas europeus: a Bolsa de Valores de Milão perdeu quase 1%( !!!!). As autoridades europeias haviam dito, antes das eleições, a importância de ativar “nos bastidores” a promoção de uma aliança Renzi-Berlusconi. Se a UE está longe de manter o último no seu coração, parecia, no entanto, sentir que sua presença numa aliança esquerda-direita era preferível ao perigo para a Europa que representaria uma vitória do M5S ou da Liga. A hipótese de um avanço na cena politica entre essas duas partes e sua aliança dentro de um governo foi então percebida como um improvável cenário de desastre…

Quem será o próximo líder italiano?

A questão mais difícil que agora deve ser decidida pelo M5S e pela Liga é o nome do futuro chefe de governo. Matteo Salvini e Luigi Di Maio, ambos jovens e ambiciosos, estão em competição direta. O primeiro liderou a coligação que ficou em primeiro lugar nas eleições (na qual o partido de Sílvio Berlusconi fazia parte), mas o partido do segundo ganhou mais votos do que a Liga. Resta a hipótese, oficialmente privilegiada, de um acordo entre os dois homens para propor uma terceira pessoa.

Apesar dessas incertezas, os dois líderes dos partidos estão otimistas. “Estamos a discutir a reforma da previdência, emprego, centros migratórios, autodefesa”, disse Salvini à imprensa. No Twitter, ele escreveu: “Estamos a trabalhar para vocês”, com uma foto dele ao lado de uma grande escavadora.

“Não posso esconder minha alegria e satisfação por finalmente podermos começar a lidar com os problemas da Itália”, disse Luigi Di Maio, a sorrir, num vídeo no Facebook.

Depois de todos os problemas dos últimos tempos dentro desta UE que Bruxelas teima em nada mudar  eis que um peso pesado pode deixar feridas de morte na arena europeia…

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