Arcos do externato de Moimenta: Salazar quis demoli-los pois tinham inspiração do arquiteto Niemeyer

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É uma história de quase seis décadas que abalou a ditadura de Salazar. Meteu agentes da PIDE, guardas da GNR, prisões, ordens e contraordens de Viseu e Lisboa, sinos a tocar a rebate, estudantes em protesto e uma revolução popular. Tudo por causa dos arcos do Externato Infante D. Henrique, em Moimenta da Beira, cujo desenho havia sido inspirado na obra do arquiteto brasileiro Oscar Niemeyer, e que o regime quis à força demolir.

As curvas dos arcos de Niemeyer, génio da arquitetura universal, ainda por cima um ‘perigoso’ comunista, eram demasiado arrojadas para um país em ditadura, fechado a novos conceitos artísticos e demasiadamente conservador, e por isso tinham de ser demolidas. Não foram, pese embora a força policial que então se fez sentir. Os estudantes não deixaram e o povo também não, resistindo de forma tão corajosa e comovente.

É esta história de resistência (entre outras) que está exposta no MUDE – Museu do Design e da Moda de Lisboa, integrada na exposição “Tanto Mar – Fluxos Transatlânticos do Design”, que traça um mapa dos fluxos entre Portugal e Brasil no campo do design e da cultura material. A narrativa é contada em texto escrito pela curadora do museu, Bárbara Coutinho, que ao lado pôs a passar, em permanência, a reportagem que a SIC fez a este propósito e que os visitantes podem ali visualizar em ecrã gigante. A exposição foi inaugurada no dia 11 de março e está aberta ao público até 15 de julho no Palácio dos Condes da Calheta (Rua General João de Almeida, 15), na zona de Belém, em Lisboa.

Além do caso dos arcos, a mostra reúne peças de diferentes fases das nossas histórias, desde o período de colonização do Brasil, e centra o foco nos séculos 20 e 21. A seleção inclui cerca de 160 peças, entre móveis, roupas, joias, utensílios, ferramentas, objetos decorativos, painéis de azulejos, tecidos, ilustrações, marcas e publicações.

Os objetos, projetos, móveis, embalagens, peças gráficas e vestuário em exposição remetem tanto para a história, identidade, política, cultura e memória coletiva de cada país (incluindo reinterpretações de algumas marcas e símbolos nacionais), como espelham alguns estereótipos e/ou equívocos das suas representações e imagéticas. Outras peças remetem ainda para a cultura arquitetónica (em que o desenho dos arcos do colégio é um dos exemplos) ou vivem num território híbrido, entre o design e o artesanato.

O edifício do Externato Infante D. Henrique (com os seus arcos) por onde passaram várias gerações de estudantes de Moimenta e da região, vai agora ser classificado pela Câmara Municipal de Moimenta da Beira como Imóvel de Interesse Municipal, uma decisão importantíssima para a sua necessária preservação e valorização.

Reportagem sobre os arcos: SIC.

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