[Cinema] Linha Fantasma*

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**** (Recomendo)

Phantom Thread (2018) | Daniel Day-Lewis, Vicky Krieps, Leslie Manville | Realizado por Paul Thomas Anderson | 130min.

Por: José Pedro Pinto 

É estranho, incómodo, indefinível – é cinema que desafia, e o que desafia recompensa.

A Linha Fantasma não é um filme possível de catalogar, porque nunca houve nenhum filme como este antes, tal como nunca houve nem voltará a haver um Haverá Sangue, um O Mentor, ou um Vício Intrínseco. Não há referências ou comparações, a não ser a outros filmes de Paul Thomas Anderson, nem há nada que eu possa dizer sobre o filme que não diga mais sobre mim do que sobre ele. É estranho, incómodo, indefinível – é cinema que desafia, e o que desafia recompensa.

Paul Thomas Anderson é um dos artistas mais interessantes a trabalhar no cinema. Antes dos 30 anos, já tinha realizado três autênticos clássicos do cinema americano, que em tudo soavam a trabalhos de um mestre moderno do cinema clássico: argumentista de narrativas complexas e ousadas, criador de personagens ricas, espantoso diretor de atores, absoluto mestre do movimento de câmara ininterrupto e com um ouvido para música ao nível de um Tarantino – com 29 anos, já um nome de inequívoco relevo no cinema americano. Em suma: o novo Scorsese. Mas o que veio depois é ainda melhor.

P.T. Anderson deixou de ser inequívoco no que quer que seja. Já não é o novo Scorsese, é o único Paul Thomas Anderson. Já não é um mestre do cinema clássico moderno, é um mestre do seu cinema. Com o estonteante plano de abertura de Boogie Nights (1997), e com o cataclismo bíblico que encerra o seu Magnolia (1999), bradava aos céus o seu talento e ambição. Agora os seus filmes não bradam nada, só sussurram murmúrios ambíguos – como se o realizador tivesse precisado primeiro de se provar que podia ser o que ele quisesse, antes de poder ser ele próprio. ****

*Crítica originalmente publicada na edição de 16 de Fevereiro do Jornal do Centro.

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