[Cinema] Roda Gigante (2017)*

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*** (Vale a pena)

 

Wonder Wheel (2017) | Kate Winslet, Jim Belushi, Juno Temple | Realizado por Woody Allen | 100min.

Por: José Pedro Pinto

aka “Tudo o que sempre quis saber sobre o amor, mas tinha medo de perguntar”

Um filme medíocre do Woody Allen é melhor do que um bom filme de um realizador menor, porque num filme do Woody Allen, quando a Juno Temple do Roda Gigante passeia sob a montanha-russa de Coney Island, lembramo-nos do jovem Alvin do Annie Hall, que vivia debaixo dessa mesma montanha-russa; porque quando a mesma Juno Temple serve à mesa num restaurante de praia e deixa cair os pratos, vemos a Mia Farrow d’A Rosa Púrpura do Cairo, atendendo os clientes e sonhando com uma vida mais emocionante; porque quando a Kate Winslet espera pelo filho à porta da psiquiatra, ela é também a Gena Rowlands do Uma Outra Mulher, a espiar as consultas de uma outra Mia Farrow; porque quando a mesma Kate Winslet olha para o mar à procura não sabe de quê, ela é também uma outra Diane Keaton, a do Intimidade, que o olha à procura do mesmo; porque quando alguém morre apenas porque outra pessoa achou que a vida seria mais simples assim, é também a Anjelica Houston do Crimes e Escapadelas que morre, e a Scarlett Johansson do Match Point; porque quando o Justin Timberlake diz que quer escrever grandes tragédias sobre a fraqueza humana mas acaba por nunca escrever nada com seriedade, ele é também todos os comediantes, realizadores, escritores, argumentistas e dramaturgos frustrados de dezenas de outros filmes de Woody Allen e é o próprio Woody Allen; porque quando um homem confunde luxúria com amor e tenta tragicamente forçar o coração a sentir o que o cérebro crê ser mais vantajoso, ele é também o homem segundo Woody Allen. ***1/2

*Crítica originalmente publicada na edição de 22 de Dezembro do Jornal do Centro.

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