Comércio e turismo em anos não oficiais

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Por: José Pedro Gomes

Os temas do comércio e do turismo estiveram em discussão na última reunião da Câmara Municipal de Viseu.

Desde 2013, o Município de Viseu tem vindo a identificar os problemas e as oportunidades nestas áreas. Havia muito a fazer e, por isso, projectou medidas para o imediato e para o longo prazo. Concordo com várias que foram lançadas, de forma inovadora e até ambiciosa. Cá estaremos todos para fazer esse balanço correcto e verdadeiro. Dos impactos. Dos resultados. Dos números. De Viseu e da região.

Este ainda não é o tempo disso. Mas é o tempo de reflectirmos e fundamentalmente ouvirmos o que nos rodeia e quem nos rodeia.

O Ano Oficial para Visitar Viseu está a terminar e nós, Vereadores do PS, queremos que os próximos anos também sejam bons para visitar Viseu, mesmo que não sejam oficiais.

Nós também vivemos em Viseu, vivemos Viseu e contactamos com os cidadãos. Inclusivamente, há uns dias, em vésperas de Natal, fizemos 2 coisas: analisámos o boletim informativo da Associação Comercial de Viseu com entrevistas a vários empresários de actividades de rua e visitámos os comerciantes da Rua Alexandre Lobo, Rua Direita e Rua Formosa.

Ora, estes momentos conduziram-nos a vários relatos e sugestões por parte dos comerciantes, os quais quisemos divulgar:

– “O efeito do crescimento do turismo na afluência de pessoas à Rua Direita é praticamente nulo, porque a Rua Direita tem cada vez menos pessoas.”

– “A Rua Direita padece todo o ano da falta de vitalidade e de um fluxo permanente que esta artéria já conheceu.”

– “Os pontos de interesse da Rua Direita são praticamente nulos, faltam lojas âncora que tragam muitas pessoas e precisamos de pontos de interesse, talvez um serviço público que obrigasse à frequência do espaço.”

– “Falta a recuperação de espaços como o Orfeão. O Museu Judaico, Quartel da Tropa e pouco mais não chegam.”

– “As festas e actividades existem no Mercado 2 de Maio, andam à volta do mesmo, mas não chegam à Rua Direita.”

– “A propósito da apregoada promoção para visitar Viseu, a própria cidade não fez nada para marcar a diferença, não há eficácia visível na promoção da cidade para turistas e visitantes.”

– “A burocracia e os processos administrativos são o principal obstáculo ao desenvolvimento da actividade comercial e as ideias e projetos nem sempre são compreendidos por quem licencia e decide sobre estas questões.“

– “As iniciativas públicas que são criadas na cidade, nomeadamente os eventos temáticos, sempre efémeros, não deixam marca depois de acabarem. “

– “Viseu é uma cidade do Interior com todos os problemas que isso significa, incluindo o baixo poder de compra, e decretar 2017 como o Ano Oficial para Visitar Viseu não faz sentido, porque não há estruturas na cidade que sejam um atractivo permanente, para quem nos visita.”

– “A aparente vantagem de estar no centro nevrálgico de muitas iniciativas de promoção e animação da cidade de Viseu, não traz o retorno que seria expectável.”

– “O facto de 2017 ser o Ano Oficial para Visitar Viseu, não resultou no aumento do fluxo de visitantes na rua, e menos ainda no aumento das vendas.”

 – “Os eventos que são organizados pela Autarquia e que trazem bastante gente ao centro da cidade, não têm nenhum efeito prático positivo nas vendas, porque as pessoas vêm e não voltam, ou voltam quando houver festa novamente, sendo tudo muito efémero.“

– “O que agrava a situação é o poder de compra dos viseenses que é dos piores do País, sendo este facto resultante da falta de estratégia política, relativamente à instalação de grandes indústrias e outras empresas que criem emprego e que levem à criação de riqueza na Região.”

Como disse, este é o tempo de reflectirmos e de ouvirmos. Depois de um conjunto de mudanças que este executivo já levou a cabo, vale a pena fazer este exercício.

O papel da oposição é o de acompanhamento, de fiscalização e de crítica das orientações políticas. E é também, podemos acrescentar, o de construir consensos, alertando para vários riscos em matérias cruciais.

Esta constitui uma amostra das opiniões e visões de quem sente e vive as artérias da nossa cidade. De quem as conhece e as compreende. Estas vozes querem continuar a fazê-lo e, nesse sentido, qualquer visão de futuro tem de as incluir. Se é um embaraço para o executivo camarário incluir as opiniões e visões do PS, inclua estas.

Este não é um exercício de “bota abaixo” como o Senhor Presidente gosta de classificar as intervenções do PS, as nossas propostas, sugestões e recomendações. Estas são simplesmente preocupações, em discurso directo, que deixamos à consideração.

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