Como vai essa saúde?

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Por: Inês Pina

O Serviço Nacional de Saúde está prestes a completar 40 anos! E muitos se têm debruçado sobre o estado de saúde do SNS.

De acordo com as estatísticas mais recentes da OCDE, os portugueses são os europeus mais insatisfeitos com as suas vidas. Quando solicitados a classificar a satisfação geral com a vida numa escala de zero a dez, a média nacional fixou-se nos 5.1, a mais baixa do conjunto dos países da OCDE, onde a média regista 6.5.

Inês Pina

Será que esta insatisfação está associada a problemas de saúde?

De uma forma geral, Portugal situa-se numa boa posição relativamente à maioria dos países no que diz respeito a alguns indicadores do “Better Life Index”, como a habitação, a segurança e a qualidade do ambiente. Contudo, no que toca a indicadores como o rendimento, o estado de saúde, as relações sociais, o envolvimento cívico, a educação, o emprego e os salários, o nosso país está ainda longe da média da OCDE. Ou seja, nos indicadores que nos tocam diretamente, certo?

Vejamos bem, no panorama da saúde, a nossa esperança média de vida situa-se perto dos 81 anos, um ano acima da média. As mulheres vivem mais. Em média, 84 anos. Já para os homens a esperança média de vida é de 78 anos. No entanto, este indicador não informa sobre quantos destes muitos anos de vida são vividos sem limitações de atividade de longo prazo, motivadas por problemas de saúde.

Quando se aplica esta variável, os números registam uma diminuição drástica, com as mulheres a contabilizarem 50 anos de vida sem doença e os homens 60 anos. A média dos membros da UE situa-se nos 61.8 anos para as mulheres e 61.4 anos para os homens. O número de anos saudáveis é superior na Eslováquia, em Malta e na Suécia para as ambos os sexos (acima dos 70 anos) e inferior na Eslováquia, Letónia e em Portugal para as mulheres e na Letónia, Estónia e Eslováquia para os homens.

Posto isto, percebemos que podemos viver muitos anos, mas qualidade temos muito pouca. Aliás, qualidade de vida na velhice é algo que se degrada a olhos vistos. O Ministério de Saúde é um verdadeiro polvo do nosso orçamento. Não sejamos ingénuos, há efetivamente muitos milhões investidos na nossa saúde. Este será o investimento correto?

Cada vez mais sinto a necessidade de haver uma educação para a saúde. Devemos ser preventivos nesta área, não reativos. O que se gasta na saúde é avassalador, medicação urgência, pessoal qualificado…enfim! A qualidade de vida deve ser algo incutido desde logo, não algo que nos preocupemos quando estamos mais velhos e com dores nas cruzes.

As opções saudáveis devem ser seguidas e acatadas. As escolhas imprudentes de cada um de nós deverão refletir-se na forma como a saúde nos aborda. Isto é, se eu fui negligente com a minha saúde deve o estado gastar o mesmo comigo que com uma pessoa saudável, mas que teve um percalço?

Ainda há uns tempos, ouvi uma notícia sobre uma descoberta que revertia o envelhecimento da pele. Dei por mim a pensar, os milhões gastos para a descoberta não seriam mais produtivos se canalizados para uma educação para a saúde?! Não teremos nós (sociedade) de aceitar o envelhecimento físico como um dado adquirido à nascença?!

Se eu sei que fumar é uma das causas de cancro dos pulmões, se eu vier a ter cancro estou na mesma condição de exigir ao SNS o mesmo que uma pessoa que nunca fumou? Quem fosse mais irresponsável nas suas escolhas não deveria acarretar os custos dos seus tratamentos? Só assim, seríamos mais pró-ativos na obtenção de uma qualidade de vida. Procurar a qualidade de vida é algo que deveria ser ensinado desde cedo, para que percebêssemos que o envelhecimento se prepara na juventude.

Gastamos milhões em medicamentos, em vez de se alimentarem as farmácias, porque não ter uma saúde preventiva de proximidade? Algo que importaria debater numa altura em que o SNS pede uma reforma.

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