Dar e receber.

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António Fernandes Silva

Por: António Fernandes Silva

Ainda ontem andávamos a guardar os papéis de embrulho das prendas recebidas e já estamos, outra vez, a enfeitar o pinheirinho e a instalar o presépio, no canto da lareira ou no centro da sala, fazendo planos da festa, idealizando o encontro de família, que todos os anos acontece.

Quase somos obrigados a mudar o sítio da cabana, do presépio e dos pastores, porque sentimos que o Menino Jesus não terá gostado do lugar que, o ano passado, lhe deixámos, naquele cenário frio e distante da sala deserta ou da esquina da lareira, confundido com a árvore enfeitada com bolas coloridas e luzinhas a piscar.

Sentimos a solidão daquelas figuras e percebemos a dificuldade e o embaraço, que todos tivemos, em arranjar um lugar digno e seguro para nascer, para crescer ou, até, para passar, apenas, uma noite.

Ontem, como hoje, o preenchimento de “lugares na estalagem” obedece a critérios e escolhas que não se entendem. Primeiro, os amigos; depois, os amigos dos amigos, até que se encha a sala. Finalmente, haverá sobras e lugar para “os outros”, distribuído entre homens e animais.

O menino Jesus, o Messias há tanto tempo esperado, continua a aparecer nas esquinas das nossas ilusões, à nossa porta, como um mendigo, envolvido em roupas pouco cuidadas, sem direito a um agasalho de apoio e compreensão. Continua a vasculhar nos caixotes do lixo dos nossos excessos, na tentativa desesperada de enganar a fome,  à espera que os ventos e investidas do dia e da noite seguintes possam trazer-lhe mais conforto e atenção.

Continuamos a trocar prendas, neste vaivém social de dar e receber, sem dar conta que, rasgado o embrulho, não perdemos tempo a agradecer as mil venturas que, todos os dias, nos caem pela chaminé, de forma graciosa e abundante. O Pai Natal vai-se limitando a cumprir a “obrigação” de distribuir prendas por todos, mas sem nos deixar para trás. De outra forma, seria demitido da sua função.

Com a prontidão dos pastores, temos de responder aos sinais do céu e pôr-nos a caminho.

Como são belos os caminhos que nos trazem a Paz e esperados os passos dos homens de boa vontade, dispostos a arrasar colinas e montanhas para a fazer brilhar!…

Boas Festas!

Um novo ano cheio de saúde, alegria e paz.

20.12.2017

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