Distrito de Viseu: “Nós por cá… tudo bem!”

0
369

Por: Paulo Neto

Inquestionável a vitória do PS e a humilhante derrota do PSD. Esta foi a nota dominante do resultado eleitoral de ontem, nas Autárquicas2017.

Houve uma diminuição ligeira da abstenção, ainda assim, mais de 40% dos eleitores continuam a fazer o “manguito” às urnas e aos políticos. O que é um número terrível e com consequências péssimas.

O CDS-PP obteve 2,60% dos votos globais e, não obstante, estribado no bom resultado de Assunção Cristas em Lisboa, anda para aí a deitar os foguetes, apanhar as canas e…

… Porém, no nosso distrito, Hélder Amaral, o líder da distrital centrista foi o maior derrotado, logo de início em Viseu, com a perda do único vereador que tinha e, de seguida, em Lamego, com a saída do executivo.

Em ambos os casos foram taxativos os desmandos políticos do presidente da distrital. No primeiro caso ao cometer o erro crasso de escolher um candidato “paraquedista” para subir ao ringue dos peso-pesados, esquecendo nomes daqueles que lhe fizeram todo o trabalho sustentado e de base, no seu mandato ausente, como por exemplo Victor Duarte; no segundo caso ao não ter a capacidade de concorrer em coligação com o PSD, que sozinho obteve 26,99% dos votos, tendo o CDS-PP coligado com o PPM alcançado 24,97%. Se o PS ganhou com 37,93%… Ainda assim, esta vitória de Ângelo Moura, pode ser de Pirro, pois elegeu 3 vereadores contra 2+2 das duas outras forças partidárias. Decerto vai ser um duro mandato, ainda por cima numa autarquia super endividada…

Hélder Amaral está acabado.

Viseu Primeiro, de Almeida Henriques, o autointitulado “Pai dos Pobres”, ganhou o vereador perdido pelo CDS-PP, elegendo 6 elementos. O PS com Lúcia Silva também esteve bem, mantendo os 3 vereadores.

Em Castro Daire, a derrota de Carneiro, do PS, foi inesperada e estonteante e, talvez, a paga de muita arrogância e excesso de bacoquismo.

Oliveira de Frades, que era do PSD, foi outra surpresa ao cair nas mãos de Paulo Ferreira, do movimento Nós Cidadãos. A outra autarquia que mudou para o PNT, com Manuel Cordeiro, foi S. João da Pesqueira onde o autarca cessante atingiu o limite de mandatos.

Provavelmente não se lembrou de fazer como o do Sátão, Alexandre Vaz que, num bailinho da Madeira onde “agora entro eu, logo entras tu, depois entras tu mais eu”, baixou a nº 2, subindo o nº 2 a nº 1. Ziguezagueante, mas elementar, não é? Sem cometerem qualquer ilegalidade encontraram a necessária arteirice para contornar uma lei incómoda para os seus desígnios dinásticos de perpetuação no “poder”. Um mau exemplo de mera baixa politiquice.

Em Sernancelhe e Mangualde, PSD e PS respectivamente, foram retumbantes nas suas vitórias, cilindrando liminarmente a oposição. Em Sernancelhe com 71,92% do PSD contra 18,15% do PS, que viu a sua votação reduzida a metade de 2013, o que resultou num 4-1 elucidativo. Também elucidativo foi o resultado obtido pelo PS em Mangualde, com 69,53% dos votos contra 21,66% do PSD, o que resultou num clamoroso 6-1.

A CIM Douro Sul vai a votos, agora com a saída de Francisco Lopes. Ficaria bem encabeçada por Carlos Silva, o presidente da Câmara de Sernancelhe.

Quanto à CIM Dão Lafões, mantendo-se Joaquim Bonifácio como independente na câmara de Aguiar da Beira, distrito da Guarda, mas integradora desta Comunidade Intermunicipal, perdendo o PSD Oliveira de Frades (para um independente que será o futuro “fiel da balança”), a vitória de Castro Daire não lhe trará alterações significativas, a não ser que Paulo Ferreira vote com os “laranjas”, o que não é muito provável.

Uma nota final para uma autarquia do distrito da Guarda e que nos é pessoalmente próxima: Gouveia, onde Luís Tadeu, do PSD, bisou com um “pleno” com 53,79% de votos contra os 31,65% do PS, o que redundou num marcante 5-2 contra o 4-3 de 2013.

O presidente da federação do PS, António Borges, sem louros nem mérito, viu cair-lhe no regaço uma conjuntura muito favorável. Talvez por isso, já ande por aí a mandar comunicados de autoelogio. Pedro Alves, presidente da distrital do PSD, perante um cenário nacional desfavorável, teve um resultado global plenamente aceitável, manchado apenas e significativamente pela perda de Lamego, mais imputável à casmurrice de Francisco Lopes e inépcia de Hélder Amaral, que aos seus pessoais esforços diplomáticos…

E pronto, agora senhores autarcas, vão cumprir as promessas, porque em 2021 voltam a ser julgados e… “tempus fugit”!

pub

DEIXE UMA RESPOSTA

Please enter your comment!
Please enter your name here

This site uses Akismet to reduce spam. Learn how your comment data is processed.