Estão lançadas as cartas sobre o novo mandato autárquico do PSD em Viseu

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Por: Pedro Baila Antunes*

O primeiro mandato de Almeida Henriques foi, reconhecidamente, caracterizado por uma hiperbolização de políticas imateriais, traduzidas na realização empolada de eventos de animação urbana e, sobretudo, numa forte estratégia de marketing territorial, demasiadas vezes redundando em propaganda política.

Ao nível da atividade económica, em evidente consonância com a referida “estratégia”, verificou-se essencialmente um enfoque nos setores do vinho e do turismo e uma aposta embrionária nas novas tecnologias muito propagandeada.

Mas, valha a verdade, em face das expectativas criadas, a atração de atividade económica baseada em bens e serviços transacionáveis foi demasiado incipiente, não se consubstanciando numa alteração do paradigma económico de que Viseu carece.

As múltiplas intervenções urbanas relevantes sucessivamente anunciadas e adiadas nem sequer arrancaram.

Ainda assim, ligando-se convenientemente à qualidade de vida que há muito Viseu projeta, uma nova dimensão de modernidade, linguagem económico-empresarial, projeção de imagem e vibração urbana que Jorge Sobrado (técnico) concebeu e Almeida Henriques implementou, deu ao PSD algum benefício da dúvida que se refletiu nas eleições autárquicas.

Porém, para lá da caracterizada superficialidade, no âmago do que é o efetivo desenvolvimento sustentável de um concelho, têm vindo a ser conhecidos indicadores objetivos de perda de competitividade e atratividade socioeconómica do concelho de Viseu.

A população começou já a diminuir, precisamente, ao nível da população jovem e da população ativa. O poder de compra é o mais reduzido de todas as capitais de distrito do centro e do interior do país. Nos últimos rankings sobre cidades/municípios, globalmente e em dimensões significativas, Viseu tem descido de posição. Os rácios per capita de investimento económico e de criação de emprego são muito inferiores aos municípios industrializados vizinhos e aos de cidades nacionais da escala de Viseu.

Faz três meses que o executivo PSD tomou posse para um novo mandato na CMV. As cartas já estão lançadas, foram apresentados o programa “Viseu Primeiro”, o Orçamento para 2018 e as Grandes Opções do Plano.

Como os vereadores do Partido Socialista têm repetido, o facto é que a propalada folga financeira da CMV não se traduziu numa devolução de rendimento às famílias e numa diminuição fiscal estimuladora da atividade empresarial.

As grandes obras continuam lá, no papel. A grande aposta na promoção da atratividade económica também está escrita.

O novo executivo, com a dupla Almeida Henriques e Jorge Sobrado (político) cada vez mais explícita, necessita forçosamente de materializar o discurso e o anúncio.

Aos olhos dos viseenses, dos eleitores, as obras terão de finalmente aparecer. O Portugal 2020, como em todos os municípios do país, vai certamente contribuir para que algumas mais emblemáticas arranquem brevemente.

Mas, para além destas obras, há outras que, há falta de uma efetiva visão estratégica para o Concelho, não estão planeadas. Veja-se o arranque do Parque Empresarial de Lordosa, incluindo as valências/módulos logístico e tenológico, ou o início da conclusão da segunda circular e dos acessos à Cidade em dupla faixa, fundamentais para a estratégia territorial de interação com os municípios vizinhos.

Os documentos políticos já lançados, muito na linha do “mais do mesmo”, não configuram uma estratégia focada em resultados concretos, potencializando as inúmeras vantagens comparativas latentes de Viseu, em prol do desenvolvimento da economia, do território e dos viseenses.

Daquilo que foi dado a conhecer, ao longo de 4 anos, com uma ou outra “obra de regime” e o reforço do núcleo duro do executivo na área do marketing, teme-se que seja um mandato ainda mais enfático nos grandes dizeres, nos momentos estudados e nos eventos projetados.

Almeida Henriques tem repetido que Viseu nunca teve uma oposição tão “bota-abaixo” como a atual, compreende-se o que subconscientemente quer dizer.

A par, sim, de uma oposição argumentativa sobre o que entende que está mal, ou menos bem, os vereadores do Partido Socialista, como têm feito nestes três meses, prosseguirão o reforço positivo das boas propostas e ações do executivo municipal e apresentarão propostas concretas para o melhor interesse de Viseu.

Nos próximos quatros anos os viseenses poderão contar com uma oposição a desempenhar o seu papel. Os vereadores do Partidos Socialista estarão sempre atentos, fiscalizadores, proativos e muito propositivos.

* Vereador do PS na Câmara Municipal de Viseu

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