Não leiam isto!

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Inês Pina

Por: Inês Pina

Aviso: Este texto está repleto de linguagem ofensiva para os mais sensíveis pelo que não se recomenda a leitura.

Estava eu numa quinta feira precisamente no dia 22 de fevereiro a tomar o meu pequeno almoço com o meu pijama polar super quentinho. Pensava na minha vida, cómoda, fútil e vazia de problemas reias, quando a televisão me mostra imagens de um bombardeamento em Ghouta. Perco uns preciosos segundos da minha vida muuuito importante para ver na TV gente a sofrer. Vejam bem, gente que vem dizer na TV que não tem onde enterrar o filho, ah e com o filho morto nos braços!!

Eu, que nem sei onde é Ghouta, lá que fosse em Paris ou Londres a pessoa ainda alterava a foto do face para mostrar solidariedade. Agora, um sítio que nem se conhece. É que nem sequer é algum sítio do estilo Moçambique, Angola ou São Tomé onde fazemos voluntariado para nos sentirmos melhores. Partilhamos momentos com um grupo de crianças e mostramos bonitas fotos no insta. Fazemos reflexões sobre os momentos em que jogamos à bola descalços ou tomamos banho ao ar livre, ou andamos com a mesma roupa dois dias… e, claro, depois de todas essas experiências damos mais valor à nossa vida e somos melhores pessoas.

Agora Ghouta, na Síria Oriental. Dizem que é do tamanho de Santa Maria dos Açores. Esses eu conheço, que a pessoa gastou do seu dinheiro para lá ir, pena não ter ficado em hotel de cinco estrelas!! Já viram o quão lamentável é a minha vida?!

Ora, aquilo incomodou a minha vidinha. Logo eu, que acordo a pensar nos meus enormes problemas, como por exemplo naquele dia estava a comer uma torrada com ovo escalfado (muito bem escalfado por sinal, algo que nem sempre acontece) mas sem abacate! Já viram o drama? É que nem fruta tinha em casa. Ah e estava aborrecida porque sabia de antemão que o meu dia não iria acabar a horas. Que chatice, ter de chegar a casa mais tarde e ainda ter de ir ao supermercado comprar a fruta.

Que querem que vos diga, incomodaram-me as imagens. Incomodou-me que nada se faça e que só no sábado as Nações Unidas tenham conseguido um cessar fogo. Que foi violado logo de seguida segundo o Observatório Internacional.

Agora, eu comodamente sentada e em perfeita segurança, pergunto se não se pode fazer nada. Quer dizer pomos carros em órbita e queremos conquistar o espaço quando nem sabemos cuidar do que temos na terra. Nota-se que não foram educados pela minha mãe, já a estou a ouvir “filha não se dá um passo maior que a perna”.

É preciso agir, rápido, ou seremos mais uma geração que viu semelhantes a morrer e nada fez.

Já que demoram a encontrar soluções eu dou algumas:

1) levar Hollywood para a Síria com o propósito de gravar lá um filme, raptarem o Bassar levarem-no para um território sem jurisdição e fazerem o que quiserem;

2) contratar um espião ao estilo James Bond, já se sabe que eles são muito eficazes e fazem um trabalho bem limpinho;

3) um concurso de sniper: quem o matasse primeiro ganhava uma reforma vitalícia nas Maldivas num resort todo XPTO;

4) dizer ao Bassar que os sírios tinham fugido todos para Plutão e oferecer-lhe uma viagem para lá para que possa ir governar o seu amado povo;

5) enviar youtuberes, blogueres e influenceres para a Síria para fazerem vlogs, fotos de insta e trollagens por lá –  moral da história, virava destino da moda e de repente estavam lá 11 milhões de ocidentais, já ninguém atirava um calhau quanto mais bombas;

6) ameaçar todos os filhos, netos e companheiros dos embaixadores das Nações Unidas de morte para ver se eles não se mexiam bem mais rápido;

7) cortarem a internet em todo o mundo até haver paz;

8) sairmos da nossa zona de conforto e irmos manifestarmo-nos. Hmm, esqueçam essa é muito hardcore.

Um líder que não defende o seu povo nunca pode ser líder! Um Homem que não defenda os seus semelhantes não se reveste de Humanidade. Esta é uma guerra que dura há 6 anos! Ainda não podem fazer nada? Ainda não houve tempo?

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