No congresso da ANAFRE a presidente da junta de Germil defendeu a alteração da fórmula de financiamento das freguesias

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“A fórmula atual de financiamento das freguesias não serve! Não serve as freguesias, não serve o território mas sobretudo não serve as pessoas!”

Foi com estas palavras que Marlene Lopes, presidente da Junta de Freguesia de Germil, Penalva do Castelo, se dirigiu, neste sábado, dia 27 de janeiro, aos congressistas para afirmar a necessidade de rever a fórmula de financiamento, neste momento, em vigor, um tema que foi, igualmente, abordado por muitos outros congressistas.

E prosseguiu, referindo com exemplos vários as dificuldades que atravessam uma junta de freguesia rural, como a sua.

“Como pode uma junta de freguesia rural, como são a maioria das localizadas no distrito de Viseu que nos acolhe, executar as competências que lhe são conferidas pela lei, ter uma porta aberta com regularidade e funcionários, prestando o serviço que as pessoas precisam com um orçamento anual de pouco mais de 20 mil euros?!”

“Como pode uma freguesia assegurar a limpeza e manutenção da serra e floresta de que é proprietária e ao mesmo tempo manter os outros serviços à população com este orçamento? Optamos por um em detrimento de outros?”

Mas Marlene Lopes, na sua intervenção no congresso, tocou ainda noutros aspetos para defender o seu ponto de vista ao referir que “as freguesias deste país são a estrutura de maior proximidade com a população e para as pessoas os problemas que vivem na sua terra, naquele momento, são os mais importantes, independentemente do que se passa no resto do país. Não é a Lisboa que as pessoas vão expor as suas necessidades, é à junta de freguesia!”

A presidente de Germil aludiu ainda ao facto de os presidentes de junta serem pessoas que conhecem profundamente a complexidade do território em que habitam, a quem os eleitores dão a confiança através de eleições muito disputadas e com baixa abstenção, “ao contrário do que se passa na eleição de outros órgãos democrático s deste país” em que a abstenção é mais elevada.

E Marlene Lopes concluiu referindo que se os autarcas de freguesia têm “a confiança das pessoas e um quadro legal que configura a autonomia, o poder central tem que, de uma vez por todas, dar às freguesias dignidade!” E concluiu vincando que “não há autonomia sem dignidade e não há dignidade sem recursos. Este ano é o tempo certo, o tempo limite para as freguesias recuperarem a dignidade que merecem, com um financiamento digno das competências que têm e das pessoas a quem têm que dar resposta. Este ano é o momento de as freguesias serem prioridade nacional, na certeza de que investir nas freguesias é investir nas pessoas, comprovadamente com menos desperdício do que a qualquer outro nível de poder ou qualquer outro agente autárquico”.

Recorde-se que o congresso da ANAFRE está a decorrer desde sexta feira, dia 26 de janeiro, e até hoje, dia 28, no pavilhão Multiusos de Viseu, tendo Marcelo Rebelo de Sousa marcado presença na abertura e no encerramento está prevista a presença de Eduardo Cabrita, ministro da Administração Interna.

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