Os camaleões do Alfusqueira, Criz, Dinha, Dão, Mondego, Paiva e Pavia…

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Por: Paulo Neto

O camaleão é um réptil. Parece que há 80 espécies deles. Mas eu creio que haverá muitos mais.

São uma espécie de lagartos, deles se distinguindo pela sua capacidade de mudar de cor de acordo com o espaço onde se movem, tendo uma língua rápida e longa e uns olhos que funcionam autonomamente um do outro, com uma visão de 360 graus.

Ora como depressa se infere, estas 3 últimas qualidades do camaleão, fazem-no parecido com algumas abencerragens que por aí se quedam ao sol, e nos calhaus quentes coram o dia inteiro.

Mudar de cor dá-lhes um jeito fantástico. Há-os que, por académico e mero exemplo, vieram dos arrebaldes para Viseu como periscópios políticos de putativos candidatos a esta capital, com um determinado cromatismo ostentado. Depois, crendo-se já actores principais ou protagonistas, ofereceram-se a diferente partido político para serem candidatos ao lugar do outro, que vinham “periscopar”. Ao levarem nega, juntaram-se a outro partido mais à esquerda (?) onde encontraram cabidela e cabimento e… ainda lhes faltando mudar de cor mais uma vez, de acordo com os ventos pontificantes e soprantes, aguardam, sobre o calhau, o que o futuro carreará.

Ademais, a longa língua, permite-lhes vários cambiantes linguísticos e de sabor, mel e fel, de acordo com o circunstancialismo momentâneo.

Os olhos, esses então, na sua autonomia singular, se um olha para diante, outro olha para trás. Se um olha para a direita, outro olha para a esquerda. E esta visão “avesgada” é um “extra” fabuloso neste pack já de si tão bizarramente multiforme.

Alguns destes camaleões tendem a ser empresários-de-faz-de-conta, tendo entretanto aprendido que o mundo empresarial é muito “amigo” do mundo político e, num ápice, passaram a políticos-empresários e/ou, empresários-políticos. No cômputo final, a ordem dos factores é perfeitamente arbitrária.

Em síntese, o camaleão, com tantas e tão virtuosas qualidades, não acumula o defeito de ter escrúpulos, consciência e integridade, antes é superior nas qualidades de trapaceiro, frívolo e compradiço.

Sendo empresários-de-faz-de-conta, colam-se como grude a tudo que sejam associações corporativas na sua inenarrável senda de missão, a missão de estar ao pé da “massa”. Para isso, o resquício de “anima” lesto se vende a Satanás e com ele compactua, mais Plutão, no Quarto Círculo dos Infernos.

Sendo políticos, usam o barro de Molelos para colar aos da Ribalta, azuis, laranjas, rosas, etc… não se importando de baixar à 5ª Bolgia, junto às margens do fervente lago de piche, aos saltos com Malacoda e Draghignazzo (leiam Dante…).

Andam por aí e têm dias em que conseguem, por instantes, parecer pilares verticais. Mas depressa se cansam, os camaleões, pois sendo répteis, é na subserviência rasteira e oculta de um horizonte propositadamente opaco e desfocado que encontram o seu estimável e natural habitat.

Nota: Qualquer semelhança com a realidade é mera coincidência. Esta peça é mera ficção, extraída de um libreto em construção.

In: Rua Direita

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