Os músicos eram de Sernancelhe e de Penalva do Castelo, o conservatório de Ferreirim | Encheram a Casa da Música

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(Foto: Rua Direita)

Domingo, 22 de Abril, junto à Rotunda da Boavista, que melhor fora chamar-se do Bomouvido, a Casa da Música em todo o seu esplendor, escancarou as suas portas às gentes de Sernancelhe.

Pois foi, tantas eram que as portas pareciam apertadas. Porém, a excelente organização e disciplinado rigor de todos, como mote ao que se seguiria, mil e tantas pessoas acomodou em 20 escassos minutos.

(Foto: Casa da Música)

Tudo tem uma história, e também esta presença plena de harmonia no palco já pisado pelos maiores músicos mundiais não é excepção.

O Conservatório de Ferreirim, mais o seu pólo de Penalva do Castelo, sonharam trazer a paradigmático e simbólico espaço a singeleza do seu tocar. Quando Pessoa escreveu na Mensagem, “O mito é o nada que é tudo”, quereria significar que o homem com uma crença, por mais aparentemente inalcançável, se tiver força, esperança e persistência, atinge o seu ideal. Luther King, Mandela, Gandhi… quantos não a tiveram? Aquilino não lavrou no seu ex-libris, “Alcança quem não cansa”?

E foram imbuídos deste espírito que o Município de Sernancelhe, o Conservatório Regional de Música de Ferreirim e seu pólo de Penalva do Castelo, por serranias, brejos e vales, desbravaram o caminho para a Sala Suggia (de Guilhermina, a grande violoncelista), que asinho encheram em toda a sua permitida lotação.

Bairrismo no peito e merenda na bagageira, a mim competiu-me marchar com a excelente e laboriosa gente de Chosendo, freguesia em rijas mãos da Dona Irene – uma força da natureza – que teve dificuldades várias para reduzir os seus fregueses, que são 260, ao espaço de um autocarro. Sim, só de Sernancelhe eram 11, fora as carrinhas e carros particulares, aos quais se juntaram todos quantos das Terras do Demo, junto ao Douro e ao Dragão moram.

(Foto: Rua Direita)

Uma palavra de muito apreço a Carlos Santos, a alma mater deste projecto, presidente do CRMF e vice-presidente da autarquia, que foi incansável para que este desiderato se alcançasse com tal e tão retumbante êxito. É claro que só em equipa, estes sucessos se alcançam, mas nesse aspecto, Sernancelhe, há muito que não deixa créditos por mãos alheias…

O dia esteve a preceito, farrusco pela manhã e soalheiro pela tarde. Com Chosendo, a paragem foi no Arcozelo, onde a opípara merenda ainda deixou espaço à fé e romaria à capela de Santa Maria Adelaide. Com boa organização, ora se come e bebe, se dança e se ora. Somos portugueses ou alemães, do sul ou do norte?

Um agradecimento a este povo acolhedor, pródigo e amigo. Outros terão viajado com mais comodidade, mas nenhuns tão bem terão amesendado e em tão gratificante companhia.

Com a lotação esgotadíssima, às 16h00 em ponto, começou o espectáculo. A Orquestra de Articulado, abriu o concerto, sob direcção do maestro Nuno Bastos. Ouvimos composições de John Edmondson e Anne McGinty. Se os “infantes”, num primeiro minuto, se sentiram intimidados com tamanho auditório e tanto público, superado o natural nervosismo, logo, uníssonos nos deram a competente música.

Seguiu-se-lhe a Orquestra de Sopros e Percussão do CRMF, sob a batuta do maestro Luciano Pereira, que, desde Steven Reineke, a James Barnes, Oscar Navarro, Ralph Vaughan Williams, Ferrer Ferran, Brian Balmages até Hugo Chinesta, proporcionou quase 50 minutos de uma sínfona exibição à qual não faltou coro, no “Coliseum”, nem um competente “diseur”, em “El Quijote”, contando as picarescas aventuras de Dom Quixote, Sancho Pança e o corcel Rocinante

(Foto: Rua Direita)

Chegado o momento da pausa musical, subiram ao palco os “homens que mandam”. Ouvimos Carlos Santos a agradecer, Francisco Carvalho a enaltecer, Carlos Silva a vibrar, o Director da Cultura do Norte e o Secretário de Estado da Saúde a prometerem conceder mais atenção a este glorioso CRMF que veio, viu e venceu. Mais, convenceu os mais cépticos, os senhores da macrocefalia central, que o poder local, sempre de mangas arregaçadas, tem muito que ensinar. Haja humildade para perceberem que não somos um cacofónico país a dois átonos andamentos…

O concerto, ou melhor, os concertos cessaram com o Coro e Orquestra de Sopros e Percussão que, nos 10′ finais, de Ferrer Ferran, fecharam com chave de ouro.

Parabéns a todos. Se vos disser que momentos tive em que me emocionei a ouvir tanta harmonia, não me desvio da verdade. Longa vida ao CRMF e os subsídios que faltam para, provas dadas e dúvidas tiradas, poderem levar a Cultura do Interior a todo o Portugal.

Destaque para a presença do presidente da CCDR-N, vários autarcas da CIM Douro e amigos, como Francisco Lopes, director de distribuição da EDP, Jorge Ferreira, vereador da Cultura da CM de Gouveia e muitos outros.

Cortesia: Rua Direita

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