Projeto “EU no musEU” em Coimbra e em Viseu

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José Carreira - colaborador Dão e Demo

Por: José Carreira

“A arte é importante na vida de todas as pessoas. Constitui uma forma de pensar e experimentar o mundo, assim como uma forma de expressão pelo que, de algum modo, remete-nos para o valor intrínseco da arte em geral. O que me parece realmente assombroso é que as pessoas tenham assumido que isto não estava ao alcance das pessoas com demência.” (Anne Basting )

O estigma associado à demência obstaculiza, em grande medida, a participação das pessoas com demência na vida da comunidade, afasta-as das atividades que habitualmente desenvolviam e de novas experiências.

A criação de programas, não necessariamente terapêuticos, que criem oportunidades de expressão e potenciem o contacto com outras pessoas que vivenciem uma situação idêntica devem ser uma prioridade. Um forte sentido de comunidade contribuirá decisivamente para o combate ao estigma e ao isolamento da pessoa com demência e do seu cuidador.

O Museu de Arte Moderna de Nova Iorque (MoMA) criou em 2007 o MoMA Alzheimer’s Project  para as pessoas que estão numa etapa inicial da demência, para os seus familiares e cuidadores, tendo alargado os Programas Educativos existentes às pessoas com Alzheimer e seus cuidadores.

Entre os múltiplos programas que oferece às pessoas com demência e aos seus cuidadores, destaco o Meet Me at MoMA, um programa mensal interativo que tem decorre nas galerias do museu e tem como público-alvo as pessoas com demência e os seus cuidadores (informais ou formais).

Foi a partir deste modelo de estimulação cognitiva que foi criado, em 2011, o projeto “EU no musEU”, consubstanciado num protocolo de colaboração entre o Museu Nacional de Machado de Castro (MNMC) e a Alzheimer Portugal.

O público-alvo deste projeto são indivíduos com défice cognitivo com espectro de alteração que varia desde o défice cognitivo ligeiro com manutenção da autonomia funcional, até à demência moderada. Nas sessões dinamizadas mensalmente por uma equipa interdisciplinar pretende-se: promover o bem-estar e a inclusão social de pessoas com défice cognitivo, demência e dos seus cuidadores informais e estimular ao nível cognitivo as pessoas com défice cognitivo, demência e seus cuidadores informais, mediante a fruição e (re) interpretação de obras de arte do MNMC.

É com enorme alegria que, no ano em se assinalam os 30 anos da Alzheimer Portugal, vemos o projeto replicar-se, em Viseu, no Museu da Misericórdia e no Museu Nacional Grão Vasco.

A Rede Portuguesa de Museus é composta pelos 149 museus que atualmente a integram. Seria excelente que este programa fosse dinamizado em todos os museus do país, contribuindo para a construção de uma Comunidade Amiga das Pessoas Demência.

Porque o caminho se faz caminhando, lanço o repto de podermos trabalhar com o objetivo de, numa primeira fase, haver um projeto “EU no musEU” em todos os distritos do país.

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