Queijo de ovelha Flor da Beira: de Carregal do Sal para Portugal e para o mundo

0
4333

O queijo de ovelha com a chancela Flor da Beira é produzido há 22 anos, desde 1995, em Carregal do Sal.

O responsável e gerente desta moderna queijaria tem cinquenta anos de idade e uma vida empresarial dedicada de forma intensa, principalmente, à área dos laticínios.

Falamos de Victor Pedro Pinto, natural e residente em Vila Longa, concelho de Sátão, onde desempenhou as funções de presidente da junta de freguesia durante duas décadas, freguesia agora integrada na União de Freguesias de Romãs, Decermilo e Vila Longa.

“Temos 25 trabalhadores e uma produção anual de 250 toneladas de queijo de ovelha”

Com 25 trabalhadores a Queijaria Flor da Beira produz 250 toneladas de queijo de ovelha por ano e tem uma faturação aproximada de dois milhões de euros, conforme referiu ao Dão e Demo, Victor Pinto.

Na conversa que mantivemos com este empresário, com negócios diversificados pela construção civil, distribuição de queijos e produtos alimentares, percebemos desde logo o grande prazer que tem em estar ligado a este setor de atividade e o seu grande orgulho em todo o passado familiar.

“Somos uma família que sempre esteve ligada aos produtos lácteos”, confessou-nos, acrescentando que “foi com a empresa António Pedro Pinto Lda. que tudo começou, inicialmente com a distribuição de queijo de ovelha no litoral, região de Aveiro, Espinho, Porto”, onde ainda hoje estão implantados, tendo um grande armazém de distribuição em Espinho e depois tendo a produção de queijo em várias empresas de laticínios, das quais a primeira foi a Lacti Pedros, em Aguiar da Beira”.

“Primeira empresa de queijo de ovelha a ser certificada com o ISO 9001 e 22.000”

Sobre a Flor da Beira, aquela que corresponde ao seu local de trabalho diário, Victor Pinto, é um empresário orgulhoso, ao referir-nos que “foi a primeira empresa de laticínios do país, a produzir queijo de ovelha, a ser certificada com o ISO 9001 e o 22.000”.

E acrescentou que estiveram “sempre na vanguarda da tecnologia, utilizando na produção os mais elevados padrões de controlo de qualidade e de automatização”, tendo sido a primeira empresa a automatizar toda a fase inicial da produção, desde a entrada do leite no sistema produtivo até à salga dos queijos.

“Efetuamos a recolha de leite, com um sistema de recolha próprio, a partir de 120 produtores que temos na região”

Quanto à origem do leite, sendo laborados 8.000 litros diariamente, Victor Pinto, referiu-nos que têm recolha própria a partir de “quatro camiões de recolha que diariamente vão buscar o leite, das ovelhas bordaleiras e churras mondegueiras, aos cerca de 120 produtores da região, desde Mangualde, Penalva do Castelo, Tondela, Santa Comba Dão, Arganil, Oliveira do Hospital e Tábua”, referindo ainda que também efetua recolha de leite de ovelha de produtores de Figueira de Castelo Rodrigo, Almeida e Pinhel.

A qualidade do queijo de ovelha que produzimos, essa, “está à vista”, referiu-nos. “Os prémios a nível nacional falam por si”. “Obtivemos o prémio de melhor queijo de ovelha em 2014, medalha de ouro em 2015 e medalha de prata em 2016”.

“Vendemos o queijo no mercado tradicional e no mercado gourmet; não estamos nas grandes superfícies comerciais e 20% da nossa produção já é para exportação”

E aqui chegados quisemos saber quais os mercados do queijo Flor da Beira.

“Da nossa produção, 20% são já para exportação, para os mercados do Brasil, Estados Unidos e Canadá, mas também da Europa”.

“Quanto a Portugal o queijo Flor da Beira é comercializado no mercado tradicional e no mercado gourmet, não estando disponível nas grandes superfícies comerciais”.

De referir que à data da nossa reportagem não havia nenhum queijo para entrega, uma vez que “a quadra natalícia esgotou todo o stock”, como nos referiu Victor Pinto.

E o preço?

“Anda pelos 12,5 euros o quilo”.

Quanto às tipologias de queijos produzidos, elas são o “queijo de ovelha curado amanteigado, o requeijão de ovelha pasteurizado, queijo Flor da Beira tradição e o queijo de ovelha cura prolongada”, todos com a mesma estratégia de comercialização.

Os ingredientes são os tradicionais “leite de ovelha cru, sal e cardo”.

 

“Porquê Carregal do Sal? Porque tinha terreno infraestruturado a preço convidativo e estava na região demarcada Serra da Estrela”

Quanto ao motivo de ter sediado esta empresa, em 1995, em Carregal do Sal, Victor Pinto, elencou dois principais motivos, “o primeiro foi o facto de existir terreno infraestruturado a um preço convidativo e em segundo lugar o facto de Carregal do Sal ser um concelho integrado na região demarcada Serra da Estrela”, motivos que levaram a um investimento, nesta unidade empresarial, que se traduz, neste momento, num montante global de aproximadamente 5 milhões de euros.

O investimento distribui-se por um edifício multifuncional com uma área de 1500 m2, dividido por uma sala de recepção de leite, sala de fabrico de queijo, sala de fabrico de requeijão, sala de salmoura, laboratório, sala de lavagem e desinfecção de utensílios, vestiários/ sanitários femininos e masculinos, câmaras de maturação, sala de lavagem de queijo, zonas de embalagem de requeijão e queijo, câmaras de refrigeração de armazenagem dos produtos acabados e zona de expedição. Para além disso o edifício tem ainda as áreas administrativas, áreas de reuniões e formação, recepção aos clientes e sala de convívio. Já no exterior das instalações, dispõe duma Estação de tratamento de resíduos industriais (ETAR), de uma Estação de Tratamento de Água e ainda de um Armazém de materiais de embalagem.

Reportagem: Acácio Pinto | Fotos: Dão e Demo & Flor da Beira

pub

DEIXE UMA RESPOSTA

Please enter your comment!
Please enter your name here

Este site utiliza o Akismet para reduzir spam. Fica a saber como são processados os dados dos comentários.