Santana a “reinventar” ou mais um “Concerto de Violino de Chopin”

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Por: Paulo Neto

Santana Lopes, o candidato dos candidatos e da inconsequência, juntou agora a oportunidade ao seu notável portefólio.

Paulo Neto

Pegando no discurso de Marcelo Rebelo de Sousa, o “nosso “ media star, a quem prometeu o apoio na recandidatura de 2021 – prometer é verbo de político que se preze – Santana quer “REINVENTAR”, “reinventar o Estado, a organização social, a vida em comunidade dos portugueses”.

A reboque de um vocábulo que marcou um discurso, a Mensagem de Ano Novo do Presidente da República, invocando ser uma “coincidência” e uma “convergência” – fácil é descodificar o “a reboque” patente – vai mais longe e abre o jogo ao passar a mão sedosa com palavras laudatórias: “um caso excepcional de magistratura suprema do país, não só na POPULARIDADE mas de entendimento político”.

De facto, excepcional é saber estar com os vencedores, surfar o êxito alheio e velejar com a nortada favorável…

No dicionário Houaiss, é longa a lista de sinónimos para “inventar”, desde descobrir, a conceber, a urdir, a pretextar, a imaginar, a achar, a mentir, a engendrar… Escolha o leitor.

E se o prefixo “re” é de repetição, na boca e contexto “santanista” (não, não escrevi “satanista”, que tal remete para outras realidades e práticas) “reinventar” será, em caso de vitória sobre Rui Rio, um motivo acrescido e repetido de preocupação para os portugueses.

Quando o mandatário de PSL – outrora as “tias”, nas discotecas da “linha” diziam “puro sangue lusitano” – é o nosso estimado autarca viseense que, também ele, tem um sentido notabilíssimo de oportunidade, mais um motivo temos para perceber o que esta candidatura carreia de maus presságios.

Para o PSD, para Portugal e para os portugueses.

Saiu em 2003 um texto de opinião de Augusto M. Seabra, para a leitura integral do qual deixamos o link (jornal Público), que começava assim:

“OS VIOLINOS DE SANTANA

Houve um secretário de Estado da Cultura que, inquirido sobre a sua obra musical preferida, respondeu ser ela um Concerto de Violino de Chopin, desconhecido de todos. O secretário de Estado era-o, repita-se, da Cultura.Há um presidente da câmara municipal de Lisboa que um dia, dizem que perguntando-se “espelho meu, espelho meu, que posso mais eu fazer para que falem de mim?”, achou: “já sei, vou fazer uma orquestra sinfónica!”. Pedro Santana Lopes fica sempre visivelmente incomodado quando vem à colação o tal concerto de violino.

Sucede que não se tratou de um lapso, mas um daqueles palpites em que Santana é pródigo e que no caso denotava a sua manifestação impreparação no sector que então tutelava como Secretário de Estado. A Santana Lopes (re)conhece-se o agudo instinto político, o gosto do risco, das altas paradas, certamente também dos “bluffs”. Se fosse frequentador de casinos, e entre a Figueira da Foz e o Parque Mayer tem uma certa tendência para os encontrar ou tentar colocar no caminho, seria um jogador inveterado.” (…)

In: Rua Direita

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