Sernancelhe: Senhora de ao Pé da Cruz mais uma vez atraiu milhares de pessoas ao santuário

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(Foto: Rua Direita)

Por: Paulo Neto*

Em Sernancelhe, a festividade religiosa anual da Senhora de ao Pé da Cruz ocupa um lugar de destaque na vivência tradicional local.

Todos os anos, os mordomos nomeados se esmeram na apurada procissão que sai da Igreja Matriz e durante quase uma hora serpenteia monte acima, no meio de frondosos castanheiros. Chega depois à ermida em toda a sua plena hagiografia, em tractores bem decorados e festivos, afinada banda de Sernancelhe à frente a rasgar caminho. Segue-se a missa campal à qual assistem os fervorosos devotos e os curiosos viandantes.

(Foto: Rua Direita)

Das 13H30 em diante e até às 17H00, hora do regresso à Igreja de saída, o povo, em romaria, festivo, ufano e gaio, em toda a genuinidade que tão perfeitamente encontramos por quantas freguesias do Concelho visitamos, junta-se por famílias e amigos convidados e do religioso passa ao profano, dando azo a uma comedoria que vem dos tempos de outrora em quantidade, qualidade, rigor de confecção, esmero e variedade. Os amigos transitam de mesa em mesa. As libações são as adequadas a um dia de calor, onde só a frescura do pinhal dava acoite à canícula persistente.

“À mesa não se envelhece”, diziam os antigos mais sábios que as gerações do fast food plastificado de hoje, e o tempo parou… no saboreio apurado de tantos pitéus de 5 ou mais assobios.

Fomos a convite do Armando Mateus, vereador da Cultura da autarquia local. Dele e de sua esposa Vera. Irmã e irmãos, cunhados e amigos. Filha e filhos. A cinco metros, a mesa da família Aguiar e o nosso estimado “Janita”. Filhas e genro. Irmão e cunhada. Sobrinhos e sobrinhas. Os mais velhos também presentes, avós e sogros, tios e tias.

De cada cesto irrompe seu farnel, as bôlas caseiras, as pataniscas de lombos de bacalhau, os torresmos rechinantes, os queijos serranos, os panados… e isto para “amuse bouche”, pois as feijoadas não tardam a sair das fumegantes panelas, à certeira e cumpridora moda antiga, o bacalhau de forno aloirado em seu “gratin”, o chibinho montesinho, tenro e sápido mailo o arroz de miúdos e a batata assada, na leira em baixo colhida… As sobremesas, ah se eu fosse poeta, uma ode lhes lavrava, mas, mais que tudo, a amizade, o bem-estar, o convívio intergeracional, a salutar boa disposição, a franqueza no dar e a genuinidade com que tudo é envolvido numa tão perfeita aprazabilidade e harmonia.

Chegam os mais velhos, o senhor Andrade da Associação de Portugueses de Newark, o senhor Silvino dos granitos, o senhor padre no intervalo de suas funções, o nosso amigo Quaresma, a reputada enóloga Catarina Simões, o presidente da autarquia, Carlos Silva Santiago, com a boa disposição de sempre…

Há dias assim, que lestos chegam a seu fim e nos deixam uma profunda impressão de bem-estar e de muita tradição, hoje a perder-se por muito Portugal fora, mas mantida em Sernancelhe e aprimorada a cada ano que passa.

Esta gente sabe o significado das palavras, sabe que romaria é festa popular de arraial, celebrada em local próximo à ermida ou santuário, no dia da festividade religiosa do lugar. Mas sabe mais, sabe dar o certo sentido à amizade.

(*) Cortesia: Rua Direita

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