Super nanny!!!

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Inês Pina

Por: Inês Pina

Ora bem, o que fazer num janeiro longo, que tendencialmente é parco em dinheiro, (o natal arrasa as finanças), frio e chuvoso? Ver um bom programa familiar, claro está!  Ups, afinal esqueçam lá isso! O que é necessário é um programa bem polémico para toda a sociedade debater. O grande senão é o tipo de debate que por vezes se instala.

Falo do programa da sic, a Super nanny. Foi todo um forrobodó, com ministério público metido à bronca e tudo.

Falemos da questão.

Primeiro ponto, uma família precisar de ajuda é algo natural e tal nunca deve ser censurado.

Antes do programa estrear, já milhares se insurgiam. Quis ver. Não conhecia o formato, pelo que, no geral, o conteúdo parecia ser muito importante e interessante. A questão não é o conteúdo, mas sim a forma.

Eu ,que vejo isto de fora, julgo que educar é sem dúvida a mais difícil tarefa a que uma pessoa se submete. É para a vida toda, como diz a Deslandes. É enorme. Dizem que temos algo natural que nos prepara. Não sei se será bem assim. O mundo muda constantemente, e há novos desafios a toda a hora. Não há livros de instruções! Compreendo o desespero de muitas famílias. A sociedade não está focada nas famílias, somos uma sociedade muito individual , apesar de ligada  estamos fechados na roldana de vidro das redes.

Não há programas de ajuda às famílias, pelo menos ao nível imediato. As escolas debatem-se com o problema da educação das crianças e pedem ajuda às famílias, estas estão um caco e não colaboram. A escola não consegue responder aos desafios. É uma bola de neve! Por isso, desde logo, me fez uma comichão ver a CPCJ muito afincada nesta questão. Tão reativa e tão pouco preventiva. Vejamos, que o Estado tem o dever de proteger contra os maus tratos, não o dever de se intrometer na educação. Esta é uma questão delicada, o Estado deveria ter uma resposta para ajudar na educação, não fosse esta a base para a formação de uma sociedade. Contudo, quando o Estado tomou para si essa função, vimos o pior. Falo no Deus, Pátria e Família de Salazar. Pelo que, entendo as reservas nesta matéria. Reservas que se poderiam contornar com a criação de comissões de apoio à família, algo a que estas poderiam recorrer quando se veem no meio de uma crise familiar. Uma espécie de médico de família para as dificuldades educacionais.

No primeiro programa, vimos uma família em crise! Era a família que precisava de ser oleada, não apenas uma peça. Tenho as minhas dúvidas face ao funcionamento a 100% e no longo prazo das medidas implementadas. É um trabalho de longo prazo, repito para a vida toda.

Dar dicas aos pais, auxiliar na implementação de medidas educacionais é necessário. Pois, há muita família que está exausta e consumida só para se tentar manter como um organismo vivo. Não deveria ser assim, viver em família tem de ser prazeroso. Trabalhoso, mas prazeroso. Eu pelo menos vejo assim. Dá trabalho, mas as minhas melhores memórias são em família.

Todas as dicas dadas, são úteis e necessárias para uma sociedade que transformou as crianças em peças de cerâmica. Debate-se a cada segundo, como não traumatizar as crianças, como não deixar marcas e por aí fora. Passamos de um oito, para um oitenta! Antes educava-se pelo instinto, sem grandes noções, como se sabia. Agora, tenta-se fundamentar cada minuto de atuação na criança. Sufocam-se as famílias com os dedos apontados e depois, querem que estas seja  fluidas. Quando vejo uma publicação de um momento familiar nas redes sociais segue-se logo todo um rol de comentários sobre a educação que se está a dar aos miúdos. Toda a sociedade tão preocupada com a educação que os outros estão a dar  que se esquece de olhar para as suas próprias famílias.

Sobre a devassa da vida privada das famílias no programa. Sinceramente há centenas de pessoas que usam a imagem dos miúdos. Vejo vários blogues, canais e varias redes sociais a usarem- se do conceito de família. O produto final é sempre um resultado bonito, não sabemos se o processo também foi bonito. No programa, foi exposto a intimidade das famílias, com pós produção, pois é um programa de tv. Não gostei da forma tentou- se dar ênfase ao show off das audiências. Se a criança vai sofrer com isso? Talvez. Se eu gostava de ser repreendida à frente dos outros e de estranhos? Não. Ficava com vergonha, pelo que comigo, bastava um  olhar de censura e eu já sabia que tinha de me remeter ao meu cantinho. Nem todas, as crianças são iguais. O que funciona com uma poderá não funcionar com outras! Há dicas úteis, que podem não ser as mais eficazes num determinado contexto.

Se devemos devassar as famílias e entramos na sua essência? Não. Nunca o fazemos? Fazemos. Não gostamos de ver certas realidades? Não. Elas existem? Sim. Perguntem aos professores. São todas assim? Espero que não. Caso contrário, tenho já  de informar a minha mãe que o projeto neto vai ser adiado muuuito tempo! Pode acontecer com qualquer um? Pode. Quem somos nós para achar que somos o super sumo da educação e que “meu Manel” é a criança mais educada do mundo! Faz parte do processo? Sim. Mesmo o “menino Manel” terá o seu momento birra, há que lidar. As crianças são crianças. Não são mini adultos isso, aliás seria doentio.

Não é desta forma, mas precisamos de explorar este conteúdo. Precisamos de ajuda. A família reúne-se tendencialmente ao fim de um dia de trabalho, cansada e saturada. Não tem forças para a tarefa de educar. É preciso encorajar, motivar e compreender os diferentes conceitos. Muitos pais, têm dificuldades em colocar limites, em dizer não. Portanto há  que ajudar nessa tarefa. Sem pudor  sem censura. Precisamos de gerações futuras fortes de valores e recheadas de princípios.

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