Triplo terramoto

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Por: António Fonseca (Lausanne – Suíça)

Bruxelas desfrutou de um intervalo com os resultados na Alemanha (segundo as sondagens atuais o desenho partidário seria outro!) e depois de vários países de leste e da Áustria, a Itália poderá, agora, trazer-lhe suores frios. As eleições terminaram com um avanço enorme das formações eurocéticas, anti-imigração e até mesmo antissistema. Se os media falam de terramoto em Itália, eu direi mesmo que se trata de triplo terramoto.

Primeiro terremoto

O resultado impressionante alcançado pelo Movimento Cinco Estrelas (M5S), partido anti imigração e, em geral, antissistema, alcançando 32% dos votos expressos! Torna-se assim o primeiro partido não-coligado na Itália em termos de votos. A recusa de qualquer coligação também foi uma promessa de campanha anunciada pelo seu líder Luigi di Maio e seu fundador Beppe Grillo. De salientar que este partido foi fundado há menos de 10 anos.

Segundo terremoto

A coligação (dita de direita/extrema-direita) formada pela Forza Itália de Sílvio Berlusconi, a Liga (antiga Liga do Norte) e o pequeno partido Fratelli d’Itália (Irmãos da Itália), juntos alcançaram 37% do eleitorado, prometeram um endurecimento da política migratória e um certo desafio e desconfiança com a União Europeia, especialmente do lado da Liga. Nesta coligação, o partido (a Liga) liderado por Matteo Salvini está na liderança, antes da formação de Sílvio Berlusconi, que fez também ele campanha em favor da expulsão de imigrantes, mantendo-se um pouco mais ambíguo na questão europeia.

Terceiro terremoto

Tudo isto está vinculado, é claro, ao colapso do Partido Democrata o principal partido pró-União Europeia de Matteo Renzi, que já pediu a demissão da liderança, que não foi além dos 20%  (metade daquilo que obteve nas eleições europeias de 2014).

O presidente italiano Sergio Mattarella terá, portanto, que dar um mandato exploratório a qualquer pessoa que possa conseguir uma maioria no Parlamento nas próximas semanas, o que não acontecerá antes do final de março. É, portanto, um novo período de instabilidade política que se abre na Itália e que provavelmente poderá levar a novas eleições num contexto de movimentos revolucionários opostos à União Europeia e, em particular, à sua política migratória.

Em conclusão, se o futuro político italiano é incerto, é de observar, no entanto, uma certeza: o voto foi caracterizado pela rejeição da classe política e politicas vindas de Bruxelas… Digo eu.

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