Vacinar mata?

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Por: Inês Pina

Não pensei que esta fosse uma temática a ser debatida pela sociedade, pelo menos nos dias de hoje. Contudo, os cânones da evolução ditam isso mesmo, temos de debater temas que julgávamos encerrados. No caso, vacinas!

Eu entendo, desde que li o Fiel Jardineiro que fiquei com urticária em relação à indústria farmacêutica. Mas, pronto nessa fase eu estava na adolescência e tudo para mim era uma conspiração. Não é que hoje tenha baixado sobre mim o soro da ingenuidade. Não! Se há pessoa que evita medicamentos e químicos na sua vida essa, sou eu. Tento sempre que as minhas defesas façam o máximo possível.

A questão é, que conhecendo o jogo, a pessoa só tem de cumprir as regras! Ou então muda todo o jogo!

Ora, as vacinas não são mais do que uma substância derivada ou quimicamente semelhante de um agente infecioso que provoca determinada doença, fazendo com que o sistema imunitário produza anticorpos que nos protegem da patologia em questão. Sim, isto por miúdos, significa que as vacinas são os vírus.

A maioria são dadas durante a infância, mas também em adultos continuamos vacinados de acordo com o Plano Nacional de Vacinação. O nosso plano integra as vacinas consideradas mais importantes para defender a saúde da população em Portugal.

A taxa de cobertura de vacinação em Portugal é superior a 95 por cento, o que contribuiu para a “quase” erradicação de doenças como o sarampo e a rubéola. Clap clap. Sim, temos todos ouvido falar do surto de sarampo, o que significa que a “quase erradicação” se esfumou.

Porque é que voltamos a ter estes surtos? Os programas de vacinação, quando correm muito bem, acabam por ser vítimas do seu próprio sucesso. As pessoas deixam de ver as doenças e tendem a esquecer-se da vacinação. Ou tendem a considerar o ponto que vos relatei acima. Isto é, as farmacêuticas querem tornar-nos ratos de laboratório.

Segundo a DGS, desde o início do PNV, há 45 anos, “já foram vacinadas cerca de 10 milhões de crianças, bem como vários milhões de adultos”, o que resultou em “elevadas coberturas vacinais” que foram mantidas ao longo dos anos. A taxa de cobertura vacinal tem rondado, nos últimos anos, os 96/97 por cento para as vacinas administradas no primeiro ano de vida, 94/95 por cento para as aplicadas durante o segundo ano de vida e aos 5/6 anos.

Ora, ao que parece há uma corrente instalada que defende a não vacinação. Muitos sãos os pais que tomam a opção deliberada de não vacinar os seus filhos. A lei não obriga. Apenas recomenda.

O que acho é que as sociedades têm de estar preparadas para mais movimentos destes. E em vários setores. O acesso à informação leva muitos a tomarem as suas próprias decisões. A informação leva as pessoas a escolherem posições. Já não há a doutrina do “sim, senhor doutor.”. Qualquer um de nós acede a informação cientifica, a artigos publicados nas mais variadas zonas do mundo. E se há setor onde não há verdades absolutas e constantes é na ciência. A cada ano que passa surgem recomendações novas que revogam práticas antigas de atuação. Ora, as comunidades têm de ter isso em linha de conta. Hoje cada vez mais pedem-se explicações. Cabe aos médicos dialogar, desmistificar, trocar por miúdos. E cabe a cada um de nós tomar as melhores decisões e claro está arcar com as consequências.

A mim foi-me administrada toda a vacinação recomendada para a minha época. Claro que hoje Portugal não é o mesmo que há 60 anos atrás e nós já não temos os problemas de higiene que tínhamos, nem os baixos acessos à medicina.

É óbvio que há um efeito de imunidade de grupo. Sim, poderia correr esse risco com os meus. Mas e se a bolha rebenta?

Esse quadro tem de ser mostrado a todos. Desmistificar as ideias que as vacinas matam, que o melhor é expor à doença, que as farmacêuticas é só banha da cobra (em parte concordo), que na internet está toda a verdade, ou que não vacinar é popular.

São questões como estas que obrigam ao bom senso de todas as partes!

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