O futebol, o Ajax e a rádio

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Abílio Travessas: Colaborador Dão e Demo - jornal digital

Por: Abílio Travessas

Pelo suplemento desportivo compro o El País às 2ªs feiras; gostaria de o ter todos os dias mas não há tempo para ler tudo, o tempo já vai faltando… Sempre há algo de interesse além da crónica de Alfredo Relaño, Memorias a blanco y negro. Desta vez, véspera do Real – Ajax (quem não viu não sabe o que perdeu; quem viu queria ver mais, sintetizou Tiago Pimentel no Público) o cronista recordou La generacionbeatle” del Ajax –Liderados por Cruyff, esses jovenes melenudos eliminaron en el 73 al Madrid. Em destaque uma afirmação do presidente do Ajax: Têm liberdade para fazer o que quiserem. Com o tabaco, com o sexo, com o álcool. Em contraste Relaño dá-nos uma visão oposta do mundo espanhol, com Franco aún vivo: um Real de Madrid austero com os jogadores aceitando de bom grado uma vida de monjes-soldados.

Recorde-se a super-equipa, que ganhou três Taças dos Clubes Campeões Eropeus, que tive o prazer de ver jogar na Luz, uma meia-final, 2ª mão, 0-0, depois de 0-1 em Amsterdão. O melhor jogador do Benfica foi, espanto, o defesa-direito Artur Correia , o Ruço. Neutralizou o grande Keizer e ainda foi o melhor atacante face à impecável marcação a que foram sujeitos Eusébio e Artur Jorge.

Regressemos ao Real-Ajax. Na 1ª mão, 2-1 para os de Amsterdão, perante 70 000 espectadores. Relaño relembra a equipa: Stuy; Stuurbier, Hulshoff, Blankenburg e Krol; Haan, Neeskens e Schilcher (que substituía o titular Murhen); Rep, Cruyff e Keizer. Em Madrid, cuja equipa tinha algumas das figuras nacionais – Zoco, Pirri, Amancio, Velázquez e Santillana – há uma legião de periodistas que ficam fascinados com aqueles cabeludos descontraídos acompanhados pelas noivas que bebem e fumam com naturalidade. Resultado: Real 0- Ajax 1. Termina Alfredo Relaño: Nos fuimos del Bernabeu com la evidência de que se vivia otra época Numa outra crónica, Enric Gozalez aborda um tema bem interesante, começando assim: “El futbol más sublime fue siempre el de las retransmissiones radiofónicas”. Era um futebol imaginado pelos relatos de repórteres que fizeram a sua época. Lembro Lança Moreira, Amadeu José de Freitas e Artur Agostinho que deixaram testemunho de grandes futebolistas quando a televisão ainda não chegara: Azevedo e Carlos Gomes, meus ídolos no Sporting, Mariano Amaro (o Einstein do futebol, segundo Victor Santos, de A Bola), Artur Pinga, Jaburu, Matateu, Peyroteo – a fama deste grande goleador chegou a Gandufe, a outra aldeia que me acolheu, com o nome adulterado: Piroteu, pelas semelhanças físicas.

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