Terá sido Magalhães o 1º a dar a volta ao mundo?

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Abílio Travessas: Colaborador Dão e Demo - jornal digital

Por: Abílio Travessas

É uma boa questão porque há três homens, com papel importante na viagem, além dos poucos  que conseguiram chegar a Sevilha, que  podem  ter cometido tal proeza.

Falemos no mais conhecido: “Fernão de Magalhães é a personalidade portuguesa mais conhecida na História, pois em geral é apresentado como tendo sido o primeiro homem que deu a volta ao mundo” – A Viagem de Fernão de Magalhães e os Portugueses – José Manuel Garcia, Editorial Presença. Neste livro o autor conjectura que, se Magalhães “chegou às ilhas de Banda em 1512, depois de ter estado em Malaca em 1511”, quando atingiu as Filipinas em 1521 teria concluído a volta completa nesta segunda etapa. E só assim e não “quando protagonizou a viagem que entre 1519 e 1522 efectuou uma volta completa ao mundo”.

Sebastian d’Elcano, piloto basco de Guipuscoa, com a divisa Primus circundidesti-me – O primeiro a circundar-me – no brasão com o globo terrestre, comandou a frota, que se reduziu à nau Victoria , até à chegada a Sevilha.

Após a morte de Magalhães na ilha Mactan, foi escolhido o piloto português João Lopes de Carvalho para novo capitão-general contra a vontade de Elcano que punha em causa a capacidade daquele impor a disciplina numa frota sem o comando do carismático e disciplinador Magalhães. Só mais tarde, depois de afastado João Carvalho, por perda de autoridade, chegou o tempo, tão ansiado, de Elcano se tornar o comandante da armada, tarefa que levou a bom termo depois de peripécias várias e de ter tomado a rota do Cabo da Boa Esperança por mares dominados pelos portugueses, no regresso das Ilhas das Especiarias.

O terceiro, e menos conhecido, terá sido o escravo comprado em 1511 por Fernão de Magalhães, Henrique de Malaca, natural talvez das Filipinas e daí a probabilidade de ter sido o primeiro a realizar a façanha, quando aqui chegou com a Armada das Molucas comandada pelo navegador português. “O escravo Henrique anda eufórico, entende-se com os nativos, uns e outro falam dialectos do mesmo grupo linguístico, o malaio. É o primeiro homem a ter dado a volta ao mundo”. – Fernão de Magalhães, descobridor, guerreiro, Fernando Correia da Silva. Acabara de chegar a um novo arquipélago, as Filipinas, em homenagem a Filipe II.

Escravo, corta-línguas (intérprete) e negociador, Henrique, após a morte de Magalhães reclamou a liberdade prometida pelo seu senhor, além duma doação de 10 000 maravedis. Mas os novos chefes da expedição, necessitados das suas capacidades de intérprete e de mediador, negaram-lhe a liberdade. O que o levou a uma vingança terrível atraindo uma delegação dos navios a uma festa onde foram massacrados alguns dos mais importantes homens da armada. “A vingança de Henrique sobre os europeus tinha sido mais sangrenta do que alguém poderia ter previsto.” – Fernão de Magalhães, Para além do fim do mundo, Laurence Bergreen, Bertrand Editora.

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