“A água o dá, a água o leva.”

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Paulo Marques: Colaborador Dão e Demo jornal digital

Por: Paulo Marques

Os dias chuvosos que tivemos e que nos fazem antever um Inverno farto em água conseguem fazer-nos esquecer da água escassa e de má qualidade que no Verão aparece nas nossas torneiras.

No meu Concelho, Vila Nova de Paiva, os problemas da e com a água não são novos, mas teimam em prevalecer sobre alguma inércia e falta de ideias de quem nos governa.

Quase a fazer uma década de poder, o Executivo Camarário continua sem ter soluções para o problema da escassez de água no Verão, tendo passado tempo a rasgar protocolos, assinar novos e diferentes protocolos, e a rasgá-los de novo…

O problema não é de fácil resolução e, na minha última intervenção pública enquanto Presidente de Assembleia Municipal, alertei para os perigos da assinatura do acordo entre as Câmaras da Região, no que dizia respeito à barragem da Maeira. Felizmente ainda foram a tempo de voltar com a ideia atrás.

Contudo, gorada mais uma tentativa, a nossa Câmara resolveu gastar dezenas de milhar de Euros em transporte de água, não tendo sequer tentado aproveitar os fundos de emergência da situação de excepção verificada nos Municípios de Viseu e Mangualde. O problema no nosso Concelho era tão ou mais grave e poderia ter tido apoio Estatal para um problema Público.

Ao invés, uma década e muitos milhares de Euros depois, continuamos na mesma e sem soluções à vista.

Paradoxalmente, chegando as primeiras e novas chuvas, reaparecem velhos problemas.

Edifícios públicos onde chove no interior, causando deterioração da estrutura e perigo para os utilizadores, algo que ocorre há muitos anos e que, nestes 9 anos de Executivo Municipal, não se resolveu.

Esta semana foi também notícia a situação da Rádio Escuro, ou melhor, a chuva que caía dentro da Rádio Escuro, e a solução provisória passou pela colocação de um plástico preto a cobrir todo o telhado, solução bem-intencionada, mas que não  resolve a situação e em nada dignifica a Instituição.

O proprietário do edifício é a Câmara Municipal, tendo a Cooperativa que gere a Rádio, o usufruto do edificado.

Defendo que todas as Associações e Coletividades têm como princípio fundamental a autossustentabilidade, conjugada com a responsabilização de quem as gere.

Dito isto, naturalmente que as exigências de serviço público e à Comunidade fazem com as Câmaras apoiem e ajudem as Instituições que fazem trabalho relevante.

Neste aspeto, também a Câmara mete água pois, se por um lado, incrementa apoios a Associações Desportivas que têm dificuldades financeiras e cujos apoios já eram significativos, por outro lado cancelou há alguns meses o apoio que dava à Rádio Escuro por nada mais do que delito de opinião de um colaborador.

Uma atitude reprovável de nepotismo e com laivos de censura que resultou, na prática, na impossibilidade financeira da Rádio conseguir fazer obras.

Esta dualidade de critérios não pode ser vista de ânimo leve, pois traz consequências para o Concelho e para quem aqui vive.

A tomada de decisões é necessária para resolver os problemas da falta de água no Verão, e melhores e mais ponderadas decisões são necessárias para acabar com o problema de excesso de água no Inverno.

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