A demissão dos 33 diretores de serviços do hospital de S. Teotónio

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Carlos Cunha: Colaborador Dão e Demo

Por: Carlos Cunha

No Hospital de S. Teotónio 33 médicos Diretores e/ou Coordenadores de Unidade apresentaram a sua demissão numa ação inédita, que pode ser entendida como um grito de revolta contra o atual regime de funcionamento.

São várias as críticas ao atual Conselho de Administração:

1-A ausência de um Diretor Clínico, que faça a ponte entre o corpo clínico e a Direção. Atualmente, essa função é desempenhada pelo Presidente do Conselho de Administração em regime de acumulação de funções;

2- A intromissão de um dos Administradores que pretende sobrepor os critérios de gestão aos clínicos; Algo que deve ser prontamente esclarecido, a partir do momento em que tal interferira nos cuidados prestados aos doentes. É necessário perceber até que ponto os critérios economicistas põem em causa as classificações de excelência que o Hospital de S. Teotónio tem obtido nas diversas áreas clínicas.

3- No dia 17 de Julho de 2017, aquando das comemorações do XX aniversário do Hospital de S. Teotónio, o Secretário de Estado da Saúde,  Manuel Delgado, prometeu a instalação em Viseu da Unidade de Radioterapia, que entraria em funcionamento no final de 2018 inícios de 2019.

4-Nesse mesmo dia Almeida Henriques desafiou o Secretário de Estado a dar uma prenda ao Hospital pelo seu aniversário.

5- Atendendo ao desenvolvimento atual do processo, a tão deseja e merecida “prenda” parece que irá permanecer mais um longo tempo na gaveta.

6- Em Julho de 2017 parecia haver disponibilidade, por parte da tutela, para investir 6 milhões de euros na construção da Unidade de Radiologia do Hospital de S. Teotónio, estando prevista a instalação de um acelarador linear. A generosidade não ficava por aqui. Previa-se até que os técnicos do IPO viessem até Viseu “dar uma mãozinha” na tarefa da instalação;

7- Em menos de um ano tudo piorou quando devia ter melhorado!

Quando se pensava que a construção já estaria em andamento, constata-se que a oncologia está a rebentar pelas costuras ao ponto de admitir não ter capacidade para tratar mais doentes.

Este é apenas mais um triste exemplo que ilustra o estado de esgotamento a que estão a chegar os serviços públicos de saúde!

Depois da tragédia dos incêndios de Outubro, o Interior e em particular o Distrito de Viseu achou que podia voltar a confiar no governo central, oxalá este não nos volte a falhar e que António Costa  ainda vá a tempo de cumprir o desejo de António Arnaut e seja capaz de salvar o SNS.

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