A esperança Tailandesa!

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Inês Pina: Colaboradora Dão e Demo

Por: Inês Pina

Sou pelas rotinas, sempre fui. Dão-me tal estabilidade que tendo a agradecer todos os dias. Sou de agendas, de visto para marcar tarefas, de esquemas para manter a ordem das coisas. A minha ordem! Não suporto falhar tarefas, horários… angustia-me, deixa-me sem rede.

Depois vem a tempestade e, aí quero a mudança! Quero quebrar todas as regras, rasgar agendas, colocar X nas tarefas. Ter o prazer de nada fazer! Desorganizar tudo, viver no caos, agitar o meu mundo.

É esta bipolaridade que nos conduz para a mudança, que nos faz avançar que nos dá energia e nos move para feitos maiores! Bem, se calhar nem todos são TÃO pelas rotinas como eu. Todavia todos gostamos delas! Seja o final de tarde no sofá, ou o café corrido às 10h.

O que é certo é que nós precisamos deste equilíbrio, precisamos de cada peso da balança para que possamos manter as coisas na nossa ordem!

Hoje vivo tempo de mudanças. A minha ordem natural foi-se alterando. Costuma dizer-se que é crescimento, amadurecimento. Ficamos com as dores das conquistas deste momento. Vivo épocas de mudanças, quer literal, quer no sentido figurativo. Tudo se vai equilibrar, eu sei disso. É o poder da idade. Dá-nos algumas certezas.

Não é sobre mim que vou falar (apesar de já estar a falar) mas é sobre o efeito borboleta à nossa volta, nas coisas mais simples!

Das minhas rotinas faz parte o jornal das 20h (equilibra-me, orienta-me) que querem sou old school. Conclusão, fui acompanhando toda a operação Tailândia. A notícia do desaparecimento foi dada no lusco fusco, bem depois de todas as importantíssimas notícias do mundial. Depois veio a notícia do aparecimento e aí sim, foi subindo de prioridade nos gulosos media.

De grutas, de mergulhos, de resgates, nada percebo, nem conheço a Tailândia (o que está mal, tendo andado a falar com a minha conta bancária), portanto estava como mera espetadora a torcer para que tudo corresse pelo melhor. Com a morte do mergulhador, temi, com as análises temi muito. Ele era chuvas, ele era rochas afiadas, ele era percursos de HORAS… enfim tudo parecia estar contra aqueles miúdos!

No meio do “meu caos” aquela situação fez-me despertar e perceber que há algo maior. Há sempre! Veio dar-me um alento. Foi o efeito borboleta. Torci tanto por aqueles 12 e todos os outros, que quando dei por mim estava a colocar ordem no meu caos.

O que se deve aprender com isto?

Que a nossa maior força, é a interior. A força do querer algo mais que nos faz ser maiores, melhores, capazes. Que devemos sempre aproveitar o bater de asas de uma borboleta, as oportunidades estão lá, nós é que temos de estar prontos para as agarrar. Não quero parecer Gustavo Santos, há uns anos, nem eu acreditaria nisto que estou a escrever, mas hoje sou muito pela força de vontade, pelo trabalho, pela persistência. Foi isso que vi na Tailândia e isso deu-me o alento necessário.

Não aprendi nada sobre mergulhos (logo eu que só aprendi a nadar há dois anos), resgates, monções, ou grutas, o que aprendi foi a importância dos predicados certos. A começar pela disciplina dos meninos que na gruta iam obedecendo às indicações do seu treinador, até meditavam! O espírito de equipa, a importância de uma cultura onde os mais novos cumprem regras. E acima de tudo a capacidade daquelas crianças suportarem uma situação de grande tensão com sorrisos…

As asas da borboleta bateram na Tailândia, os sorrisos chegaram a Portugal. Pode haver um Trump (já vos falarei da NATO, das trocas comerciais e afins), mas depois há um grupo de crianças e estes mergulhadores que nos dizem que a Humanidade são estas coisas simples. Ainda há esperança!

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