A União Europeia em 2019: Macron desacreditado, Merkel demissionária e o fim das reformas “arrojadas”

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António Fonseca | Colaborador Dão e Demo

Por: António Fonseca (Lausanne – Suiça)

Londres, Berlim, Roma, Madrid, Bruxelas, Estocolmo e Paris. Se um europeísta tivesse saído da UE pra marte há alguns anos e voltasse a aterrar hoje, ficaria atordoado, desorientado e aniquilado. Para onde quer que olhe só descobrirá ruínas e cataclismos. Para começar com este facto literalmente histórico: pela primeira vez, um país deixará a União Europeia depois de ter decidido democraticamente por referendo. O Reino Unido vai recuperar o controlo das suas fronteiras, das suas leis e do seu dinheiro.

A Alemanha, por sua vez, tem mergulhado desde as eleições de setembro de 2017 numa instabilidade política duradoura. Eleições regionais calamitosas, coligação hesitante e renúncia forçada da santa padroeira dos democratas cristãos, a senhora Merkel. Ninguém se atreve a prever o fim desse caos que paralisa Berlim no cenário europeu.

Em Roma, o pesadelo da Comissão Europeia tornou-se realidade: a coligação barroca de “populistas” e a “extrema-direita” está no poder e não se sente vinculada pelas regras sagradas do euro. É certo que os sinais de compromisso estão a ser enviados para Bruxelas, mas o facto está aí: um dos países de maior reputação euro-entusiasta por décadas virou “populista”.

A Espanha até há alguns meses ainda era descrita como um dos últimos países imunizados contra a extrema direita. No entanto, o partido Vox, até agora marginal, acaba de entrar no parlamento regional da Andaluzia e tem esperanças realistas de unir forças com o Partido Popular para se associar ao poder em Madrid, talvez, já em 2019.

A Bélgica acaba de mergulhar numa crise de governo logo depois da assinatura do acordo de Marraquexe (assinado à revelia da população como na maioria dos países).

A Suécia ainda não tem governo, quase quatro meses depois das eleições.

E se o nosso emigrante de marte se tentasse consolar voltando-se para leste, o show terminaria em desespero.

A Polónia e a Hungria estão em conflito com a União, que iniciou um processo contra eles por “danos graves ao Estado de direito”.

Quanto à Romênia, está prestes a juntar-se ao campo de ovelhas negras “iliberal”, mas lá com um governo social-democrata. Pior de tudo: Bucareste assumiu no 1º de janeiro a presidência de seis meses do Conselho da UE.

A França sempre na primeira linha não pode ser esquecida. Eu diria mesmo que o movimento dos coletes amarelos constitui, entre os vinte e oito países e logo a seguir ao Brexit, a crise mais ampla, profunda e perigosa para a integração europeia.

Partindo de uma rejeição muito legítima de um imposto adicional sobre o combustível que visa oficialmente impor a “sobriedade” da energia para “evitar o fim do mundo!”

Emmanuel Macron não é apenas desacreditado em França. Ele perdeu em grande parte o seu crédito entre as elites da UE, que, há um ano atrás, o viam como o jovem e brilhante salvador da Europa. A imprensa alemã, em particular, não lhe perdoa por ter caído do seu pedestal jupiteriano. Este é o fim das esperanças de reformas “ousadas” e de ambições europeias declamadas no seu discurso de Sorbonne em setembro 2017.

(https://twitter.com/EmmanuelMacron/status/912671914857988097)

Duas palavras de ordem: poder de compra para viver com decência e soberania popular, para decidir juntos. Uma auto politização acelerada resumida numa fórmula: “Nós somos o povo”. Exige-se o direito à democracia direta (RIC) referendo de iniciativa popular

Nada será como antes.

E Portugal, perguntarão?

Em Portugal como diz a canção, aqui tá tudo bem. O Rui Vitoria foi despedido do Benfica e a TVI encontrou o verdadeiro culpado das más ondas políticas, um tal de Machado!

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