Aldeias do xisto.

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(Foto: Carla Ferreira)

Por: Carla Ferreira (continuandoaprocura.com)

#Continuando à procura de emoções feitas de história, religião, arquitetura, gastronomia, ecologia e cultura, o património das Aldeias do Xisto, proporciona-nos tudo isto.

O projeto Aldeias do Xisto partiu da simples ideia de dinamizar o turismo na Região Centro através do aproveitamento dos recursos naturais e humanos existentes nestes locais. Com o apoio deste programa as aldeias reinventaram-se e convidam todos a visitarem e descobrirem uma região que é um tesouro nacional.

Carla Ferreira – Colaboradora (escreve sobre viagens)

Foi no verão de 2016 que decidimos partir à descoberta destas fantásticas aldeias, são muitas, são 27 agrupadas por regiões. Começámos pelas das Serra da Lousã. As primeiras que visitámos foi Gondramaz, Chiqueiro, Casal Novo e Talasnal. Decidir qual a mais bonita é difícil, no entanto, recordamos com saudade Talasnal.

Património

Descobrir a arquiteturas destas casas, saber como surgiram os seus nome, conhecer as pessoas, ouvir as suas histórias, compreender as suas crenças, observar como vivem e do que se ocupam, provar os pratos típicos, olhar em volta das pastagens verdes, conhecer a arte e os artistas é aventurarmo-nos no conhecimento e na valorização de uma região fantástica.

Cultura

A cultura, intrínseca de cada povo e decorrente de séculos de história, está patente em cada família, esquina e festa da aldeia. A cultura é feita também de eventos que promovem o conhecimento e que atraem participantes e espetadores, reforçando as formas tradicionais de animar o povo. Tem-se vindo a recuperar estes hábitos antigos.

Caminhos de Xisto e Centros de BTT

A envolvente natural fantástica proporciona o contacto com os Caminhos de Xisto, que são percursos pedestres de pequena rota. Os traçados destes circuitos acompanham muitas vezes antigos trilhos usados por moleiros, agricultores e mineiros.

Os Centros de BTT das Aldeias de Xisto são infraestruturas desportivas permanentes dotadas de equipamentos dedicados exclusivamente aos praticantes de BTT. Estes locais estão apetrechados com estacionamento, balneários, estação de serviços para bicicletas e oferecem uma rede de trilhos do tipo Crosscountry, DownHill ou FreeRide, com quatro níveis de dificuldade adequados a todos os tipos de utilizadores.

Gastronomia

Apostando nas tradições culinárias das Aldeias do Xisto, promoveu-se a criação da Carta Gastronómica das Aldeias de Xisto, rebuscando os cantos da memória dos habitantes destas aldeias, para se criarem 153 receitas típicas desta região.

Também os restaurantes das aldeias mantem a autenticidade e qualidade máxima no que diz respeito ao ambiente, arquitetura, decoração, preços, variedade de vinhos e animação.

Turismo Ativo

Existem infinitas possibilidades de lazer nas Aldeias do Xisto. Estas criaram um calendário de eventos anual diversificado e profundamente enraizado no que há de melhor e mais genuíno neste território.

Aqui há percursos pedestres e BTT, canoagem, DownHill, trail running, etc. Nas praias fluviais há torneios de voleibol e nas rochas escalada e rapel. Surpreenda-se ainda com os ciclos gastronómicos e recriação de tradições antigas. Desfrute de alojamento de excelência e restaurantes de alta qualidade. Acompanhe a mudança das estações, amasse o pão, vá com os rebanhos e faça o queijo, ouça a música e a poesia e veja teatro.

Localizada na transição do distrito de Coimbra para o de Leiria, a Serra da Lousã esconde tesouros fabulosos. A beleza das suas paisagens, a vertente cultural e humana das Aldeias do Xisto, fazem desta região, uma região única.

Na Serra da Lousã habitam muitas das espécies de fauna e flora, das quais de destacam os veados, os javalis e os corços, as espécies de azinheiras, sobreiros, castanheiros, carvalhos e pinheiros, numa zona conhecida por ser profundamente transposta por linhas de água.

A Este sobressai o colossal Penedos de Góis, um local deslumbrante com miradouros sobre a paisagem beirã e o Alto do Trevim, o ponto mais alto da Serra da Lousã, com  1204 m., onde está o famoso baloiço que desliza sobre a paisagem.

CASAL NOVO  

Um pouco escondida, a aldeia estrutura-se pela encosta abaixo a partir da estrada com um declive acentuado e envolvida numa malha arbórea intensa. A aldeia é constituída por um caminho que atravessa a atravessa no sentido ascendente-descendente e que a liga ao Santuário de Nª Srª da Piedade. Existem depois duas ou três vielas perpendiculares, e umas quantas entradas laterais. O material de construção predominante é o xisto, muito escuro e em aparelho tosco, as fachadas não tem qualquer reboco.

Na floresta envolvente à aldeia escondem-se esquivos veados e corços.

Foi em 1885 que se registou a maior população residente nesta aldeia: 65 habitantes. Desde 1981 que a aldeia não regista qualquer habitante permanente. Atualmente, quase todas as casas são de segunda habitação.

Para Ver

A fonte | O tanque | A eira

Para Ficar

Casinha do Conde

Casinha rústica, muito acolhedora e totalmente equipada para acomodar até 4 pessoas. Disponível para alugar por cerca de 50€/noite.

TALASNAL 

Está é a Aldeia do Xisto que tem mais visibilidade e talvez uma das mais bonitas do conjunto da Serra da Lousã, quer pela sua dimensão e disposição, quer pelos muitos pormenores das recuperações das suas casas.
A ruela principal da aldeia acompanha o declive da encosta, num percurso íngreme e vertiginoso, da qual saem quelhas e becos, que criam um ambiente de descoberta surpreendente. O casario distribui-se pela encosta orientada a sul e por outra mais orientada a norte. O material de construção predominante é o xisto, de tons escuros, e a quase totalidade das fachadas dos edifícios não possui qualquer reboco.

O Talasnal é casa de veados, javalis e corços que espreitam por entre sobreiros, castanheiros, carvalhos e, claro, pinheiros.
A aldeia é atravessada por inúmeros trilhos pedestres/BTT e por caminhos que vão em direção ao St. António da Neve, ao Alto do Trevim, ao Castelo da Lousã, à Sra. da Piedade e às praias fluviais.

Atingiu o auge de população residente em 1911, com 129 habitantes. Em 1981, já só existiam dois habitantes permanentes. Atualmente, todos os primitivos habitantes já partiram e, entretanto, casas foram transformadas em segunda habitação, em unidades de alojamento ou estabelecimentos comerciais.

Para Ver

Alminha | Lagares de azeite

Para Comprar

Talasnicos –  Bolinho de mel e castanha, cuja autora foi Mirita Meira Santos.

Retalhinhos – Pastéis, à base de castanha e amêndoa, criados por Maria José, proprietária da Casa da Urze e do Retalhinho.

Para Ficar

Casa da Urze

Casa totalmente restaurada, disponibiliza todas as comodidades para dois hóspedes.  Disponível para alugar por cerca de 65€/noite.

CHIQUEIRO   

A aldeia é delimitada por duas pequenas linhas de água e quase passa despercebida pela frondosa vegetação que a envolve. Possui malha urbana simples, basicamente organizada por duas ruelas íngremes ladeadas pelo casario. O material de construção predominante é um xisto escuro, e, à exceção da capela, nenhum outro edifício é rebocado.
Teve a sua maior população residente em 1940, com 45 habitantes e desde 1991 mantém dois habitantes.

Quanto á fauna há azevinhos e os soutos. Os veados, corços e javalis são abundantes e facilmente observáveis nesta zona. Daqui partem duas pequenas linhas de água ao encontro da ribeira da Vergada, que corre, encosta abaixo, passando ao lado do Talasnal, a caminho da ribeira de S. João.

Para Ver

Capela da Senhora da Guia | Inscrição religiosa | Miradouro

Para Ficar

Casa Lausus

Casinha pitoresca que oferece excelentes condições de conforto. Tem dois quartos, um WC, sala com lareira e cozinha totalmente equipada. A casa pode ser alugada com acesso aos dois quartos. Disponível para alugar por cerca de 65€/noite.

GONDRAMAZ  

Ao chegar à aldeia deparamo-nos com um poema de Miguel Torga, que se encontra numa placa metálica na área de receção.

A aldeia estrutura-se a partir de uma rua principal da qual saem ruelas estreitas e sinuosas.
Gondramaz distingue-se pela tonalidade específica do xisto e a grande maioria das fachadas não se apresenta rebocada. Até o chão que se pisa efeito de xisto, pavimento que permite mesmo a deslocação de pessoas com mobilidade reduzida.
Nesta aldeia surgem novos habitantes e o ambiente é sempre animado, com as provas de BTT a começarem a partir daqui, cuja envolvente florestal é dominada por castanheiros, a que se juntam carvalhos e alguns azevinhos. Os veados percorrem, discretamente, as encostas que rodeiam a aldeia. A Veronica micrantha, uma pequena e rara planta, refugia-se nas bermas dos trilhos. O azereiro marca presença nesta aldeia, acantonando–se junto da ribeira de Alheda.

Para Ver

Capela de Nª Srª da Conceição | Alminha | Lavadouro e Fontanário

Para Ficar

Pátio do Xisto

O alojamento Pátio do Xisto possui também um restaurante, em espaço contíguo à Casa de Campo onde se pode usufruir dos prazeres da boa cozinha típica da região da Serra da Lousã, degustando a chanfana, o cabrito assado  (por encomenda), o porco à Pátio do Xisto, as sopas e as sobremesas, sendo necessário fazer reserva pelo telefone 239 538 012 ou 919 759 877.

Casa Cuco

A Casa Cuco é um Turismo Rural com a chancela “BikeHotel”, com capacidade máxima para 4 pessoas. Possui um quarto com uma cama de casal no primeiro andar e mais duas camas individuais nos espaços comuns, que durante o dia podem ser usadas como sofás. Tem duas casas de banho, uma cozinha equipada e um terraço virado para a piscina exterior e o jardim. Para duas pessoas, fica por 100€/noite. Já para 4 pessoas fica a 140€/noite.

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