As eleições presidenciais brasileiras e o refúgio português

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Carlos Cunha: Colaborador Dão e Demo

Por: Carlos Cunha

Depois de triunfar na primeira volta das eleições presidenciais brasileiras, Jair Bolsonaro, candidato do Partido Social Liberal (PSL), prepara-se para enfrentar a segunda volta, com a vantagem de ter obtido 46% dos votos, contra 29%, do seu principal adversário, Fernando Haddad, do Partidos dos Trabalhadores (PT).

Perante o conhecimento dos resultados, os eleitores brasileiros escolheram para a segunda volta os dois candidatos mais antagónicos do espectro político das terras de Vera Cruz. É necessário não esquecermos que o Brasil viveu vinte e um anos sob Ditadura Militar (1964 até 1985) e que o Partido dos Trabalhadores, fundado em 1983, debaixo da influência marxista/leninista, esteve na última década e meia instalado na Presidência do Brasil, no Palácio do Planalto, com dois mandatos de Lula da Silva e um da sua sucessora Dilma Rousseff, entre 2011 e 2016, que não chegou a ser concluído por via do seu afastamento político ditado pelo Impeachment, no qual a então presidente Dilma viria a ser objeto de graves suspeitas de corrupção, originadas pelo escândalo Petrobras. Dilma Rousseff tornou-se assim na segunda Presidente Brasileira a ser alvo de uma cassação de mandato, depois de Fernando Color de Mello.

“parte significativa do eleitorado brasileiro, que vê Haddad como uma marioneta controlada à distância por Lula”

Talvez alguns destes pormenores ajudem a explicar melhor a escolha dos cidadãos brasileiros pela opção Bolsonaro. Se a isto acrescentarmos o facto de os últimos anos de governação PT terem sido demasiado maus para o povo e ficarem assinalados pela mancha negra da corrupção, que nem mesmo a prisão do ex-Presidente Lula da Silva ajudou a apagar da memória recente dos brasileiros. Lula transformou-se assim numa espécie de ativo tóxico do PT, ao qual Fernando Haddad vai pedir conselhos e ajuda para enfrentar Bolsonaro na segunda volta, o que não caiu bem em parte significativa do eleitorado brasileiro, que vê Haddad como uma marioneta controlada à distância por Lula, havendo mesmo quem desconfie que se Haddad for eleito, Lula deixará brevemente o cativeiro em que se encontra a cumprir pena por corrupção.

A história recente do Brasil, para além destes conturbados episódios políticos, ficou ainda assinalada pela organização de dois grandes eventos mundiais: o Campeonato do Mundo de Futebol em 2014 e os Jogos Olímpicos do Rio de Janeiro de 2016, que tiveram impacto significativo na economia brasileira, mas que serviram para mostrar ao mundo os problemas de insegurança com que o país já se debatia e que levariam, Michel Temer, mais tarde a ordenar que tropa viesse patrulhar as ruas mais perigosas do Rio de Janeiro.

Regressando a Portugal, constatamos que os resultados obtidos na primeira volta das eleições presidenciais brasileiras foram ainda mais esclarecedores e ditaram a vitória larguíssima de Jair Bolsonaro. Ainda que houvesse quem tenha estranhado este resultado, quem vai privando com brasileiros recém-chegados a Portugal, percebe que o êxodo destes para o nosso país se relaciona com a instabilidade social, determinada por problemas com a economia e com a falta de segurança de pessoas e bens.

É a paz e a tranquilidade que muitos destes cidadãos brasileiros encontram finalmente em Portugal, nas nossas cidades do litoral e do interior, que os levou a atravessar o Atlântico em busca de novas oportunidades de trabalho e de investimento que lhe permitam assegurar o conforto e o bem-estar das suas famílias.

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