As paróquias do Padre Justino Lopes fizeram-lhe genuína celebração jubilar

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Abílio Louro de Carvalho - Colaborador Dão e Demo.

Por: Abílio Louro de Carvalho

O reverendo Padre José Justino Lopes, pároco de Vila Nova de Paiva (paróquia de São Sebastião), Fráguas (paróquia de São Pelágio) e Alhais (paróquia de Nossa Senhora da Corredoura), foi ordenado de presbítero, na igreja paróquia de Touro, sua terra natal, a 17 de agosto de 1968, pelo então Bispo Coadjutor da diocese de Lamego, Dom Américo Henriques, com a presença participativa de Dom Alberto Cosme do Amaral, então Bispo Auxiliar de Dom Florentino Andrade e Silva, Administrador Apostólico da diocese do Porto, por força do exílio político do prelado diocesano, Dom António Ferreira Gomes.

O sacerdote que a equipa formadora do Seminário Maior de Lamego me habituou a tratar por reverendo Justino – frequentava ele o penúltimo ano de Teologia, quando eu passei para aquele seminário, provindo do de Resende, pelo que era um dos nossos prefeitos de estudo –, foi e tem sido para mim uma grande referência pela mescla da sua discrição e levantamento da voz desempoeirada, sempre que necessário, pelo empenho pastoral, pela integral dedicação ao Reino de Deus que a Igreja tenta concretizar entre os homens, sobretudo entre os mais carenciados, por mais que vozes malédicas e malévolas pretendam propalar o contrário, embora aqui e agora infelizmente não deixem de ter alguma razão, e pela proximidade com os outros padres e todas as demais pessoas, o que hoje é deveras apreciado, ao contrário de antanho em que alguns queriam ver o sacerdote arredado do meio dos homens e quase confinado à igreja paroquial e demais lugares de culto, visita aos enfermos e procissões.

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A 2 de setembro, as suas paróquias reuniram-se festivamente, junto da capela do Senhor da Boa Sorte (junto à Estrada Nacional 329 no troço que liga Touro e Vila Nova de Paiva), com o sacerdote em jubileu para agradecerem com ele ao Senhor os seus 50 anos de sacerdócio ministerial para que o sacerdócio comum dos fiéis seja mais estimulado e ganhe efetivamente foros de direito eclesial por força do Batismo que recebemos e pelo qual fomos incorporados em Cristo, Profeta, Sacerdote e Rei. Com efeito, o Padre Justino tudo tem feito para que todo o crente em Cristo se aproxime da pedra angular que é Cristo, “pedra viva, rejeitada pelos homens, mas escolhida e preciosa aos olhos de Deus” e todos, como genuínas pedras vivas entrem “na construção de um edifício espiritual, em função de um sacerdócio santo, cujo fim é oferecer sacrifícios espirituais agradáveis a Deus, por Jesus Cristo” (cf 1Pe 2,4.5). Por outro lado, importa que as porções do povo de Deus que este sacerdote vem apascentando com a eficiência de quem trabalha bem e com a força que lhe vem do Alto se sinta “linhagem escolhida, sacerdócio régio, nação santa, povo adquirido em propriedade, a fim de proclamar as maravilhas daquele que nos chamou das trevas para a sua luz admirável, a nós que outrora não éramos um povo, mas somos agora povo de Deus, nós que não tínhamos alcançado misericórdia e agora alcançámos misericórdia (cf 1Pe 2,9-10).

Acolheram-se todos, como diz o homenageado no seu blogue, “à sombra da Capela do Senhor da Boa Sorte, lugar emblemático para todos os Paivenses, onde todos acorrem a pedir ou a agradecer”.

O núcleo do predito ato de agradecimento coletivo foi a Celebração Eucarística presidida pelo venerando Bispo diocesano, Dom António José Rocha Couto e concelebrada pelo Bispo emérito, Dom Jacinto Tomás de Carvalho Botelho e por duas dezenas de sacerdotes, “vindos dos mais distantes lugares da diocese, até de França e com a participação de muito Povo”.

Ainda, segundo o Padre Justino, “os Grupos Corais de Alhais e Vila Nova de Paiva, num só coro, deram brilho excecional à Celebração”. Também os autarcas do concelho e das freguesias colaboraram e estiveram presentes”. E “todas as associações, culturais, humanitárias, sociais, recreativas marcaram presença com os seus estandartes”. No final, o sacerdote agradecido e emocionado, deixou falar o coração, que se exprimiu no dom de Deus e na ora força ora fraqueza da “humanidade”, que é o lastro onde assenta como uma luva a força de Deus.

Seguiu-se um convívio fraterno a partir da partilha de farnéis, que o Padre Justino diz “a dar para três dias”.

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Talvez não seja descabido recordar que, a 30 de agosto de 2009, o Diário de Notícias publicou um artigo de Amadeu Araújo sobre o Padre José Justino, que, nesse ano, perfazia 41 anos de sacerdócio. Nele se dá conta da perspetiva que o sacerdote tinha daqueles anos de início da sua ação de pároco como tempos “mais duros”, mas em que as pessoas eram “mais atentas e apegadas à Igreja”: falava-se e “via-se que o povo queria saber, queria ouvir”, pois tinha “fome da palavra da Igreja”.

Aos 66 anos, o sacerdote recordava-se do ano de 1968, quando acabou o curso do Seminário, em Lamego, e foi nomeado pároco de Nespereira, de Cinfães, “uma das maiores paróquias da diocese de Lamego”. Referia que “só havia uma estrada principal” e que “o resto era andar por aqueles povos da serra a pé ou de cavalo”. Em contrapartida, frisava que “eram uns tempos em que a Igreja estava na revolução provocada pelo Concílio do Vaticano” e que fora nesse ano que “começaram a surgir grupos de renovação da liturgia”: introduzam-se cânticos com “novas letras, mais bíblicas e litúrgicas”. E registava a existência, inclusive, de “grupos de jovens entusiasmados com o Concílio”, tendo surgido um acentuado “conceito de liberdade porque a Igreja estava toda posta em questão”, a ponto de alguns dizerem no princípio que “o Concílio abalou a Igreja”. Porém, “embora houvesse revolução na Igreja, em Portugal havia a ditadura”, que era uma condicionante ante a qual se tinham “cuidados especiais”, para que pudesse haver pregação. E contava: “Quando pregávamos éramos vigiados pela PIDE, mas conseguimos, levados pelo espírito do Concílio, incutir a liberdade de pensar no povo”.

Outra recordação do Padre Justino é a guerra de África. O Papa considerou o dia 1 de janeiro como Dia da Paz e os sacerdotes tinham de alterar a mensagem do Papa porque nas homilias tinham a polícia à perna. Apesar de tudo, considerava que “era um tempo em que as pessoas gostavam da liturgia porque para elas o Concílio era celebrar a missa em português”, o que para o povo constituía “uma abertura, uma novidade”.

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Também a 13 de julho do corrente ano, o Jornal do Centro, publicou uma breve entrevista em que nos é referido o receio da primeira abordagem para paroquiar, sendo que, ao invés do que lhe fora comunicado, foi nomeado para Nespereira, pelos vistos, dadas as objeções que outros puseram ao convite para suceder ao anterior pároco, conhecido pela sua austeridade espiritual. Porém, segundo o Padre Justino, o receio desvaneceu-se quando, no dia da entrada na paróquia, um grupo de homens se ofereceu para colaborar, pedindo que não tivesse medo e contasse com eles. Por outro lado, o Padre José Augusto Pereira Neto, então pároco de Alvarenga, que eu ainda conheci, desafiou-o a juntar o seu entusiasmo de jovem à experiência dos mais velhos, garantindo que todos fariam um bom trabalho. Além disso, continuou a consultar o antigo diretor espiritual, Dom Alberto Cosme do Amaral, então em funções no Porto e, depois, o cónego António José Rafael, que viria a ser Bispo de Bragança-Miranda.

Sempre se mostrou interessado pela Comunicação Social – sobretudo jornais e rádio – como instrumento de socialização e de evangelização. Fora diretor da “Estrela Polar”, no Seminário de Lamego e, em Nespereira, fundou “O Nespereirense”. Assim continuou em Vila Nova de Paiva, para onde foi transferido em 1986, por óbito do Padre Sílvio Pinto do Amaral. Ali fundou o jornal “Luz na Montanha”, que se apagou devido à supressão do porte-pago, mas passou a garantir uma página no mensário “Notícias do Paiva” e faz programas na “Rádio Escuro”, criada por um grupo de jovens e de que foi um dos primeiros a fazer parte dos órgãos sociais.

Como balanço, diz agradecer a Deus e a todos os mediadores a sua vocação sacerdotal e sente que tem ajudado os paroquianos a serem mais cristãos e a ele próprio a ser mais padre no dinamismo de um ajuda e entrega mútuas.

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O Padre José Justino bem merece esta celebração jubilar e os votos de continuação de profícua ação pastoral, combatendo o bom combate. E a Deus, o nosso louvor e gratidão pelo bem concedido à Igreja e ao mundo através deste sacerdote, aberto ao bem que Deus lhe tem concedido através das outras pessoas e da Igreja. Laus Deo!

2018.09.02 – Louro de Carvalho

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