Barragens da Maeira, no Vouga, e de Girabolhos, no Mondego, levadas à Assembleia da República

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Será a montante do açude da Maeira - rio Vouga (na imagem) que se pretende construir a futura barragem da Maeira. (Foto: Dão e Demo)

O Governo acaba de ser interpelado pelo deputado do CDS, Hélder Amaral, sobre as barragens da Maeira, no rio Vouga, que os autarcas da região querem construir para abastecimento de água a oito concelhos, e sobre a barragem de Girabolhos, que foi cancelada pelo atual governo e que estava prevista para o rio Mondego, concelhos de Mangualde, Gouveia e Nelas.

Numa pergunta enviada ao Ministro do Ambiente, Hélder Amaral questiona “se o responsável tem conhecimento do acordo entre os municípios de Viseu, Mangualde, Nelas, Penalva do Castelo, Sátão, São Pedro do Sul, Vila Nova de Paiva e Vouzela, com o objetivo de constituir uma empresa intermunicipal de abastecimento de água e saneamento na região, e concretizar investimentos estruturantes, entre os quais o reforço da capacidade da barragem de Fagilde e a construção futura de uma barragem no Vouga”, no caso a da Maeira, a confinar com os concelhos de Sátão, Viseu e Vila Nova de Paiva.

Hélder Amaral questiona depois “se, tendo em conta a tragédia dos incêndios, que em 2017 atingiu o interior, seguida depois de um período de seca extrema e severa, não considera o Ministro fundamental a pretensão dos municípios de construção de uma nova barragem no Vouga, mitigando assim os riscos associados à seca e os prejuízos que sofreram no passado verão”.

Depois, o deputado do CDS-PP questiona “se o Governo tem previsto o reforço da capacidade da barragem de Fagilde e, finalmente, se o Ministro do Ambiente considera viável reconsiderar a decisão de cancelamento das barragens de Alvito e Girabolhos face aos dados que indicam que em conjunto garantiriam o abastecimento de água à população de sete concelhos do interior centro, cujas populações sofrem grande escassez dela e com perspetivas de secas cada vez piores”.

Hélder Amaral também questionou sobre o cancelamento da barragem de Girabolhos

“Na sua edição online de 4 de junho, o jornal Público inclui um texto com o título “Barragens canceladas podiam dar água ao interior”, no qual se refere que as barragens de Girabolhos [nos concelhos de Mangualde, Gouveia e Nelas] e Alvito, que foram canceladas pelo atual Governo, tinham nota positiva.

Lê-se na notícia que:

– «As barragens do Alvito e Girabolhos que o Governo cancelou em 2016 garantiam, em conjunto, o abastecimento de “quase um Castelo de Bode” à população de sete concelhos do interior centro, mas nunca foram tratadas como reservas estratégicas de água»;

– «[…] Os cenários de exploração mais favoráveis das barragens, indicavam que Alvito (concessionada à EDP) podia chegar a um nível pleno de albufeira de 560 milhões de metros cúbicos e Girabolhos (atribuída à Endesa) a 204 milhões de metros cúbicos de água. No total, seriam 764 milhões de metros cúbicos de água para populações que sofrem grande escassez dela e com perspetivas de secas cada vez piores»;

– «[…] A barragem de Girabolhos abasteceria os concelhos de Seia, Gouveia, Fornos de Algodres, Mangualde e Nelas. Alvito abrangia os concelhos de Castelo Branco e Vila Velha de Ródão».

O deputado do CDS refere que “com o cancelamento destas barragens ficaram em causa, nomeadamente, a produção de energia elétrica, o abastecimento de água, a regulação do caudal do rio Mondego, no caso de Girabolhos, o aproveitamento turístico da albufeira e o desperdício dos recursos financeiros gastos nos trabalhos preparatórios, já efetuados no terreno.”

E acrescenta ainda que “o interior do país é carente de investimento, e o CDS-PP entende que só com esse mesmo investimento é possível criar a riqueza necessária à fixação das pessoas, em particular dos mais jovens. Mas sem água não se fixam populações”.

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