Casas florestais: Um património escondido e degradado. O caso do concelho de Sátão.

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Casa Florestal de Águas Boas

Texto: Acácio Pinto

Se os guardas florestais vêm da monarquia, de finais do século XIX, de 1886, com a criação dos serviços florestais, as designadas Casas Florestais, que chegaram aos nossos dias e que, atualmente, se encontram em adiantado estado de abandono e de degradação, essas têm a sua génese nas primeiras décadas do estado novo, regime que se iniciando nos anos 20, terminou em 1974 com a revolução de abril.

Casa Florestal de Aldeia Nova

Mas, pese embora ter sido durante o Estado Novo que se construiu o maior número destas casas, em meados do século XX, casas florestais houve que foram edificadas bem antes, algumas mesmo, poucas, vêm dos primórdios do século XIX.

A nível nacional são mais de 1000, as casas florestais, ao que apurámos em vários fontes que consultámos, cinco das quais “assentaram arraiais” no concelho de Sátão, todas elas com localizações privilegiadas em termos de ligação à floresta e ao meio ambiente envolvente, algumas, autênticos miradouros, mas todas elas abandonadas e degradadas.

Para esta reportagem Dão e Demo visitou-as a todas e de todas elas apresentamos as respetivas fotografias.

Casa Florestal da Serra do Facho (Meã)

Localizadas em áreas florestais do concelho, as cinco casa florestais localizam-se, uma na serra do Seixo, junto à EN 329 entre Sátão e Rio de Moinhos, outra na serra do Facho, junto à povoação de Meã, outra na serra de São Matias, próxima da capela com o mesmo nome, uma outra nas imediações de Aldeia Nova e outra próxima de Águas Boas, na encosta que dá para o rio Vouga.

Era nestas casas que os guardas florestais, hoje integrados na GNR, viviam com as suas famílias e era a partir dali que organizavam a vigilância e a defesa do “cantão” que estava à sua guarda por ordem dos serviços florestais.

Casa Florestal da Serra de São Matias

São casas em granito, de rés-do-chão, com uma sala ampla, com lareira, cozinha, quartos e todas elas com anexos, com um forno e com lojas e espaços para animais, normalmente, coelhos, galinhas e porcos que se destinavam a autoconsumo.

O destino de algumas destas casas em vários pontos do país foi o turismo, por iniciativas de diversas entidades que as recuperaram e as colocarem no mercado turístico. Porém, a generalidade delas continuam sem qualquer utilização e abandonadas, como é o caso das do concelho de Sátão.

Casa Florestal da Serra do Seixo

Recorde-se que há um ano atrás as casas florestais reganharam uma nova nova vida, pelo menos no papel, pois as casas florestais foram integradas no Plano NAcional de Reformas, segundo noticiou a comunicação social. A ideia é a de identificar casas florestais degradadas para, depois de recuperadas, as colocar ao serviço do turismo de natureza. Era dar-lhes vida nova. A economia e a floresta agradecerão.

No concelho de Sátão já houve e continua a haver ideias para a ocupação de algumas delas, para projetos diversos, nomeadamente ambientais, porém o que é facto é que nenhum ainda vingou.

Com esta reportagem e partindo do facto de que está em curso a transferência de competências da administração central para os órgãos municipais, sendo uma das competências a transferir a do património imobiliário púbico sem utilização, vamos aguardar para ver se agora, e com um acréscimo de consciência por parte de todos para este património, vai ser possível encontrar uma função socialmente útil para estas casas.

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