Centro oncológico para Viseu: Uma ‘novela’ sem fim à vista?

0
636
Acácio Pinto - editor Dão e Demo

Por: Acácio Pinto

Já houve uma petição subscrita por autarcas locais, já houve perguntas ao governo por parte de todos os partidos, já houve anúncios e declarações solenes por parte de responsáveis, já houve moções em todos os órgãos autárquicos, já houve a colocação de uma placa a dizer que vai ser ali, enfim, já houve de tudo, obras no terreno, essas, é que não!

Falamos, claro está, do “Centro Oncológico” com Unidade de Hematologia/Oncologia com ambulatório e internamento, e a Medicina Nuclear para Viseu. Não falamos de uma mera unidade de radioterapia que não corresponde às necessidades das pessoas da região.

A este propósito, apetece-nos parafrasear Almada Negreiros quando referiu que as frases para salvar a humanidade estavam todas ditas, só faltava era salvá-la.

Pois bem, é o que se passa com a construção do centro oncológico de Viseu, uma mais que legítima aspiração das gentes da Beira Alta e da raia que já andava na agenda há muitos anos mas que começou a ganhar robustez depois de um estudo desenvolvido pela Entidade Reguladora da Saúde e publicado em julho de 2012, “Acesso, concorrência e qualidade no setor da prestação de cuidados de saúde de radioterapia externa” que apontava Viseu como a melhor localização para tal instalação.

Só que, até hoje, nada!

Só temos tido, e já estamos cansados, sucessivas perguntas dirigidas ao governo pelos deputados, interpelações aos governantes do ministério da saúde na AR e declarações do anterior ministro da saúde e do secretário de estado, referindo este último, há um ano e meio atrás, que esperava que a radioterapia estivesse “instalada e aberta aos utentes dentro de dois anos ou dois anos e meio”. Ora, atendendo ao que precede, e fazendo fé nas palavras dos governantes, no máximo falta um ano, só que entretanto mudámos de ministro e de secretário de estado e a atual ministra referiu no âmbito do debate do OE que a situação estava a ser reavaliada.

Portanto, ou muito nos enganamos (e é isso que almejamos!), ou a questão vai voltar a derrapar!

Sabemos que o presidente do conselho de administração do Centro Hospitalar Tondela Viseu está fortemente empenhado em levar a cabo esta obra crucial para as pessoas de toda esta vasta região, porém a sua margem de manobra esbarra nos cofres das Finanças, cuja password só o ministro Mário Centeno conhece.

O tempo, como já se percebeu, neste momento, não é de mais palavras sobre esta matéria, ou melhor, o tempo só pode ser de mais duas palavras, duas únicas palavras, proferidas por quem manda no governo. Essas palavras, que aguardamos esperançosamente de António Costa, são: “vai começar”.

É que os viseenses, que tão fustigados têm sido em diversas circunstâncias ao longo do tempo, já estão exaustos de tanta conversa fiada!

pub

DEIXE UMA RESPOSTA

Please enter your comment!
Please enter your name here

Este site utiliza o Akismet para reduzir spam. Fica a saber como são processados os dados dos comentários.