[Cinema] A Favorita, de Yorgos Lanthimos

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The Favourite (2018)
por: José Pedro Pinto*

“Com A Favorita, Yorgos Lanthimos continua os seus contos de crueldade humana”

Com A Favorita, Yorgos Lanthimos continua os seus contos de crueldade humana, desta vez sem entrar no campo do surrealismo, como fizera em filmes anteriores. E enquanto nesses a crueldade parecera desnecessária, motivada principalmente por um prazer sádico-voyeurista do realizador, nesta última obra é apresentada como uma ferramenta política indispensável nos escalões mais elevados da corte da Rainha Ana da Grã- Bretanha, onde a compaixão não passa de um empecilho. Nas mãos de outro realizador poderia soar a comentário político, muito transversal aos tempos de hoje, mas nas de Lanthimos soa principalmente a gosto em filmar partes desagradáveis da natureza humana.

Passado em Inglaterra no início do século XVIII, período de guerra com a França, A Favorita leva-nos a conhecer as suas cinco personagens principais – uma criada do Palácio, a Rainha e a sua conselheira, o Primeiro Ministro e o líder da oposição – e as intenções de cada uma – a criada quer ser Senhora, a Rainha quer ser amada, a conselheira quer poder, o Ministro quer continuar a guerra, o líder da oposição quer ser Ministro. Todas estas intenções passam necessariamente pela Rainha, e o filme organiza as personagens num tabuleiro de favores e segredos, em jogo para ver quem consegue ter mais influência sobre as decisões da monarca.

O filme mantém o interesse através desse estudo de egoísmo e jogos duplos, e através das prestações poderosas das três atrizes principais, Emma Stone, Rachel Weisz e Olivia Colman, que percorrem os espaços memoráveis dos palácios reais onde o filme foi rodado. No entanto, deixou-me emocionalmente indiferente, à espera de um qualquer arrebatamento que nunca veio. ***

*Artigo originalmente publicado na edição de 15 de Fevereiro do Jornal do Centro.

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