Circo sem animais?

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Inês Pina: Colaboradora Dão e Demo

Por: Inês Pina

Nunca gostei de circo. Para ser sincera nunca pisei nenhum e nunca tive vontade de pisar. Já vi na televisão os grandes espetáculos que se mostram pela época de natal. Facto: nunca me impressionaram os números dos animais. Nunca mesmo! Regra geral tinha pena.

Com o avançar do tempo fui olhando para esta temática de um outro prisma. Sou pelo bem-estar animal. Gosto que sejam respeitados todos os animais em especial as suas características típicas do habitat natural. Ora, num circo, isso é impossível. Por mais amor que haja, que acredito que haja tratadores que amem os seu animais, jamais têm condições ótimas para eles. Vejam, eu vivo num apartamento, tenho apenas um terraço. Adoro cães e acredito que teria muito amor para dar a um cão, contudo, com o meu estilo de vida que implica passar em média 12 horas fora de casa e fins de semana fora, jamais poderia ter um animal. Estaria a ser egoísta!

O mesmo se passa com os circos. Haverá sempre quem me diga, tu não conheces a realidade. Ainda há uns tempos estava um circo cá em Viseu. Passei pela zona das caravanas e lá estavam eles. Os animais numa jaula atrelada a um camião TIR. Estava colada a uma área um pouco maior, circular e gradeada, que se desenrola para a frente — e onde os animais podiam passear e abandonar, por momentos, a exiguidade da cela. Noutro lado, estava uma jaula igual, onde repousava um hipopótamo com o focinho entalado entre duas grades.

Das melhores medidas desta legislatura foi sem dúvida a proibição do uso de animais selvagens no circo. Talvez possa ponderar frequentar circos depois disso. Sou daquelas que acredita piamente que o nível civilizacional de um país se mede pela forma como trata os animais.

Muitos argumentos passam pela questão “ah e tal os animais domésticos?” De acordo com Luís Vicente, biólogo da Universidade de Lisboa e especialista em comportamento animal, ecologia e neurobiologia, “os cães estão habituados a humanos há 14 mil anos, mas quando falamos de leões, tigres, elefantes, ou até répteis e aves selvagens, a história é outra. Tenho sérias dúvidas de que podemos manter esses animais felizes em circos. Os animais selvagens ocupam áreas vitais muito grandes, são animais que precisam muito de espaço e que não estão, historicamente, habituados a humanos”.

Para mim é bastante linear, não acho que seja necessário, e sequer aceitável, do ponto de vista ético, usar animais num contexto de entretenimento, em que se lhes pede para entrarem em números antropomórficos, artificiais, que servem para divertir as pessoas. Nem preciso de vos falar das touradas, a este ponto já perceberam o meu ponto de vista.

Muitos defensores do circo dizem que os animais foram criados em cativeiro, que, portanto, estão adaptados. Argumento que, no entender de Leonor Galhardo, não podia ser mais falacioso. “Um animal selvagem evoluiu, ao longo de milhares de milhões de anos, para se adaptar ao ambiente natural onde vive. Não é por estar duas ou três gerações retido em cativeiro que deixa de ter as necessidades que evoluíram com ele durante esses milhares de milhões de anos.”

Tal como defende o PAN também acredito que não é possível ao melhor circo do mundo, com as melhores condições do mundo, com a melhor fiscalização do mundo, garantir bem-estar a animais selvagens devido às condições de itinerância e confinamento excessivo e permanente.

Acredito que as famílias do circo se tenham de reinventar. No entanto, este é o avanço necessário. Lembram-se das lutas de gladiadores romanos, que estudámos em história? Também serviam para divertir as pessoas, até que houve a evolução e se percebeu que estavam em causa direitos Humanos. Simples.

Os circos vão encontrar o seu lugar nesta nova era, provavelmente com novos intervenientes e nós teremos animais mais felizes.

Nota: Uma grande salva de palmas para o PAN que tem de fato avançado com a concretização das suas promessas eleitorais. Assim, vale a pena votar em partidos que lutam por causas.

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