CR7: Isto é complicado!

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Inês Pina: Colaboradora Dão e Demo

Por: Inês Pina

Esta era a descrição que se colocava no face para declarar uma espécie de estado relacional. Pelo menos há uns anos era assim. Já não sei como está agora, já estou velha para essas andanças facebokianas e arrisco afirmar que no âmbito do lifestyle o face morreu!

Contudo, não há melhor afirmação para aplicar no caso de CR7. É complicado.

O país do Fado, Fátima e Família quer, e muito, que o seu ídolo máximo do futebol esteja inocente. Porém, se este caso fosse relatado sem o nome sonante do craque, nem se questionaria o lado em que todos estaríamos. Quer dizer há os do costume. Os que falam na “sedução mútua”; no “estava a pedi-las”. E depois os outros que se colocam ao lado da vítima e que gritam que em toda e qualquer circunstância, um NÃO é um NÃO!

As acusações de Kathryn Mayorga causaram um impacto forte. Questionamo-la a ela: estará a ser oportunista? Existem vídeos dos dois a dançar em ambiente próximo? Já passou imenso tempo! Ela aceitou dinheiro para se calar!

Se não fosse o CR7 teríamos justificações. Está a seguir o movimento “me too” esta é uma época onde as mulheres se estão a sentir livres para revelarem os seus fantasmas. Aceitou dinheiro à época porque não teve forças para lutar e pensou ser um mal necessário. Apesar de estar com alguém, o NÃO é sempre Não, mesmo que já esteja sem roupa.

Depois parece que há requisitos para se ser violador. Quase como se houvesse violadores de primeira e de segunda. Recordo esta frase que ouvi no Porto: “se ele quisesse podiam violar-me a mim!”

Então vejamos. Se for multimilionário – requisito necessário caso seja preciso comprar o silêncio das vítimas. Reconhecido mundialmente e com influência nas redes sociais – requisito essencial para atrair a vítima e haver fotografias de paparazzi que podem levar a opinião pública a ficar do seu lado. Bem-parecido – requisito necessário para descredibilizar as vítimas recorrendo ao argumento “Quem é que não queria ser violado por ele”. Podemos dar o benefício da dúvida, certo?

A verdade é que não há certezas. Pode ter havido uma violação, assim como o Ronaldo pode ser vítima de difamação. Não existem dados concretos para culpar quem quer que seja neste momento. Mas, ao que parece, foi assim em todos os outros casos e nós (pelo menos eu) tomamos logo partido pela vítima.

O grande desafio dos nossos dias é não embarcar, de forma cega, em movimentos mediáticos, mesmo que na sua origem estejam questões pertinentes. Ser capaz de separar o trigo do joio é o desafio!

Questiono como é que toda esta situação surge numa época em que Nadia Murad e Denis Mukwege recebem o Nobel da Paz e vêm lembrar e gritar ao mundo o que se passa debaixo dos nossos olhos diariamente.

Faz-me confusão que muitas realidades de violação de direitos humanos, e não só das mulheres, nos entrem pela casa dentro através dos média sem suscitarem esta celeuma. Nem sequer estou a escrever sobre isso e muito provavelmente não estariam a ler este texto se o titulo não fosse CR7: Isto é complicado.

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