[Cinema] O Guarda-Costas e o Assassino (2017)*

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*** (Vale a pena)

The Hitman’s Bodyguard (2017) | Ryan Reynolds, Samuel L. Jackson, Elodie Roussel | Realizado por Patrick Hughes | 118min.

Por: José Pedro Pinto

O Guarda-Costas e o Assassino é dois filmes num só: ao mesmo tempo que é um filme de ação repleto de perseguições e cenas de luta iguais às de mil outros filmes, é também um drama abstrato de duas filosofias de vida em confronto. Dessa primeira faceta, há pouco a dizer – soa tudo a cópia de cópias. A segunda faceta, essa sim, é notável.

O Guarda-Costas (Ryan Reynolds) é encarregue de proteger o Assassino (Samuel L. Jackson) durante uma viagem entre Coventry, Inglaterra e Haia, Holanda. O Guarda-Costas trata imediatamente de planear a viagem ao mais ínfimo pormenor: traça o percurso mais rápido e seguro, e estabelece velocidades e horários. De seguida, analisa todos os possíveis contratempos e procura antecipar o pensamento dos inimigos, para ajustar o percurso a essa informação. Todos os seus planos saem furados, porque por mais que planeie e analise, a vida é demasiado imprevisível, e não é possível antecipar o que se passa na cabeça de outra pessoa. Incapaz de perceber isso, o Guarda-Costas trata imediatamente de analisar o que correu mal. Mas é impossível vencer o pensar demasiado com pensar mais um pouco, e tentar só resulta em mais frustração.

“É impossível vencer o pensar demasiado com pensar mais um pouco”

No extremo oposto, há o Assassino: não planeia, age conforme o que lhe parece correto a cada momento. Enquanto o Guarda-Costas perde dez minutos a definir qual o melhor carro a roubar e a técnica perfeita para o arrombar, o Assassino parte o vidro do carro que quer e senta-se ao volante. Quando as coisas correm mal, não pensa “o que fiz para que isto corresse mal?”, mas sim “o que posso fazer agora?”. Vê o humor nos imprevistos, adapta-se de imediato e segue em frente, de olhos postos no presente.

No fim, há a obrigatória redenção do Guarda-Costas, que percebe o erro dos seus caminhos e se torna num homem mais maturo e são. É simplista, mas às vezes é bom ver as coisas no ecrã para nos lembrarmos que elas são possíveis fora dele. ***

*Crítica originalmente publicada na edição de 1 de Setembro do Jornal do Centro.

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