Dar e receber

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Carlos Cunha: Colaborador Dão e Demo

Por: Carlos Cunha

Dar é um dos gestos mais nobres que existe. Receber sistematicamente pode tornar-se num ato egoísta.

Dar e receber são opostos, como tal não pode haver equilíbrio entre quem só dá e quem só está à espera de receber. Desenvolve-se assim uma espécie de vício que mina a generosidade de quem dá. Na verdade, quem dá também espera receber.

Há duas formas de dar: a afetiva, para mim a mais importante, e a material, igualmente importante, mas esta última nem sempre pode acontecer, pois, nem sempre se tem a possibilidade dar.

Dar é generoso e receber também o pode ser se houver de quem recebe gratidão e reconhecimento. Valorizar o que nos dão é importante, mas nem sempre assim acontece. Quantas vezes recebemos presentes de que não gostamos?

Mas é igualmente verdade que nem sempre somos atentos e criteriosos naquilo que damos! Escolhemos alguma coisa, mandamos embrulhar, damos e pronto fizemos o nosso dever.

Dar não pode ser um dever, antes um prazer, por que quando damos queremos ver a felicidade no rosto de quem recebe.
Quem dá também gosta de receber e quem recebe tem de ter essa percepção. Quando o fluxo da dádiva diminui, quem recebe não deve criticar. Às vezes, as circunstâncias da vida fazem com que nem sempre se possa dar na mesma medida em que já se deu.

Quem não consegue compreender isso nunca passou da fase do egoísmo e dificilmente conseguirá dar sem pedir de volta.

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