Entrevista com Daniel Machado, um apaixonado e praticante de karaté desde os 12 anos.

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(Foto: Dão e Demo)

Entrevistou: Acácio Pinto

Apaixonou-se pelo karaté aos 12 anos de idade e hoje, com 30 anos, é cinturão negro 3ºDan.

É treinador de karaté, grau I, e um dos responsáveis do Clube Desportivo Kuro Obi que conta com cerca de 100 praticantes distribuídos pelos sete centros de ensino que o clube tem espalhados pela região.

Para além do karaté, de que nunca se desprendeu, concluiu a licenciatura em ciência de engenharia eletrotécnica e de computadores na Universidade de Coimbra.

Trata-se de Daniel Marques Machado, natural do concelho de Sátão, onde reside, na Meã.

E foi com o Daniel Machado que conversámos para perceber e dar a conhecer esta modalidade, o karaté, neste caso com a designação de Kimura Shukokai, pouco conhecida e reconhecida entre nós, pese embora os saudáveis e ecléticos princípios em que assenta.

Dão e Demo: Antes de mais, explica-nos em que consiste o karaté?

Daniel Machado: Karaté-dô significa “via da mão vazia”, é uma arte marcial cujo propósito é desenvolver o ser em todas as suas componentes, através do treino físico. É uma disciplina composta por um corpo técnico muito rico, contém técnicas de braços, pernas, projeções, chaves articulares e estrangulamentos. Esta é uma arte marcial milenar, cujos métodos e formas de transmitir o conhecimento foram mudando conforme as necessidades da época.

“Atualmente o karaté procura formar pessoas íntegras na sociedade”

DD: Onde nasceu esta modalidade?

DM: O karaté nasceu na ilha de Okinawa, no Japão, numa época de guerra onde as situações de confronto se decidiam entre a vida ou a morte. Atualmente o karaté procura formar pessoas íntegras na sociedade.

Daniel Machado (Foto: Dão e Demo)

DD: Mas é também uma modalidade competitiva?

DM: Sim, com o surgimento da competição geraram-se grandes mudanças, pois deixou de ser somente uma arte de guerra e passou-se a olhar também como um desporto. Atualmente esta atividade é focada nesta área, porém não se pode categorizar somente por isto, as regras de conduta e as hierarquias tornam-na muito mais enriquecedora em comparação a outras atividades desportivas, que por si só não as têm. A beleza desta arte marcial é que a pessoa não tem que se adaptar ao karaté, o karaté adapta-se à pessoa.

DD: Queres dizer que estamos perante uma modalidade que se adapta àquilo que cada um quiser tirar dela?

DM: Sim. Se quiserem praticar um desporto – o karaté responde a isso. Se quiserem ter uma filosofia de via, uma linha de orientação – o karaté responde a isso. Ou se preferirem aprender técnicas para segurança em ambientes de agressão – o karaté também responde a isso.

DD: Muito bem. Então depois de percebermos o que é o karaté, diz-nos desde quando é que tu praticas esta modalidade.

DM: Pratico karaté desde os meus 12 anos.

“Apesar ter entrado para uma escola de karaté aos 12 anos já tinha o contacto com o mundo das artes marciais muito antes”

DD: Como surgiu “o bichinho” do karaté?

DM: Através de um tio. Apesar ter entrado para uma escola de karaté aos 12 anos já tinha o contacto com o mundo das artes marciais muito antes. Não tenho a perceção da idade que tinha quando comecei a treinar com o meu tio, nas férias de verão. Ele já treinava karaté e outras artes marciais muito antes de eu ter iniciado. Entretanto eu e ele fomos ver um estágio em Viseu, da organização onde ele tinha andado a treinar quando esteve em Coimbra, e a partir daí começou tudo oficialmente.

Daniel Machado (Foto: Gabriel Giroto)

DD: Onde efetuaste a tua formação em karaté?

DM: Iniciei em Viseu com o sensei Luís Pereira onde permaneci até aos 18 anos. Depois, como fui estudar para Coimbra, inscrevi-me lá, numa escola. Esta mudança foi um marco importante pois conheci o sensei Pedro Seguro, uma pessoa com enorme reconhecimento no karaté e graças a ele os meus conhecimentos elevaram-se a outro nível, quer pessoais quer técnicos. Entretanto a minha formação foi-se estendendo a nível nacional e internacional.

DD: Também és treinador…

DM: Sim, como treinador fiz o curso nível I da FNK-P, aprovado pelo IPDJ, na Maia – Porto.

DD: Tu hoje és cinturão negro. Desde quando?

DM: Fiz o meu primeiro exame para cinturão negro (1º Dan) em 2010. Neste momento sou 3º Dan.

Diploma de Daniel Machado, cinturão negro 3ºDan, assinado por Haruyoshi Yamada.

DD: Tens feito formação só com mestres portugueses ou também com mestres internacionais?

DM: Para perceber melhor a minha resposta, primeiro é preciso entender que ser treinador é diferente de ser praticante. Como treinador foco-me na formação dada pela federação, tento sempre estar atualizado sobre o trabalho que é realizado na nossa seleção para que os meus alunos possam ter, pelo menos, o conhecimento daquilo que melhor se faz no nosso país. A nível da formação como praticante procuro participar em estágios com mestres de fora, pois trazem uma visão diferente e também procuro praticar outras artes marciais. O karaté como é uma arte marcial completa, é possível integrar no treino componentes técnicas de outras artes marciais, tornando assim o treino dos meus alunos mais diversificado e enriquecido.

“Dentro do karaté o combate de competição é a minha paixão”

DD: Participas também em torneios da modalidade?

DM: Sim, na disciplina de kumite, combate. Eu sempre apostei muito na competição. Dentro do karaté o combate de competição é a minha paixão. Porém, para estar apto ao nível competitivo em que estou, isto acarreta muita despesa na preparação, pois é preciso ter uma equipa específica para cada componente na minha performance desportiva. Depois ainda tenho a despesa de deslocação e por vezes de estadia pois eu participo em torneios que vão de norte a sul do país e no estrangeiro. Esta época vou apostar forte, não só por motivos pessoais, mas também, como formei o clube este ano, ter uma boa prestação a nível competitivo vai chamar atenção dos outros clubes. Para além disso vou pela primeira vez estar em representação de um clube da minha terra.

“criámos o Clube Desportivo Kuro Obi com sede em Sátão”

DD: Fala-nos desse clube, dos seus objetivos e dos formandos.

DM: Este ano, eu mais o meu colega Flávio Pereira, juntamente com o apoio de alguns pais e alunos, criámos o Clube Desportivo Kuro Obi com sede em Sátão. Este clube conta com 100 praticantes distribuídos por 7 centros de ensino, espalhos pelos concelhos limítrofes de Viseu.

Daniel Machado (Foto: Dão e Demo)

DD: Podemos deduzir que esse era um sonho antigo…

DM: Desde novo que sonhava em seguir uma vida dedicada ao karaté, porém esse sonho passava mais pela via da competição do que propriamente a de ter uma escola. Entretanto, o meu primeiro mestre quis criar um novo clube o que me levou a juntar a ele para o ajudar. Com o desenrolar dos acontecimentos uma coisa levou à outra e acabei por decidir tornar-me profissional de karaté. Contudo, quis dar mais um passo e, com o apoio de todos à minha volta, dei início a este projeto, o Kuro Obi. Está a ser uma experiência muito boa pois a equipa de trabalho é motivadora, são pessoas com ideias e visões inovadoras e o facto de terem pouca experiência tem a vantagem de não trazerem os maus vícios. Para além disto, temos alguns pais nos órgãos sociais do clube tendo assim uma ponte mais próxima sobre as necessidades que as famílias têm no karaté.

DD: Este ano quando começam as atividades nesta tua escola de karaté e quais os horários e preços?

DM: As aulas iniciam-se, amanhã, 5 de setembro e os interessados podem experimentar gratuitamente duas aulas sendo os preços a partir de 15€/mês.

O horário é segundas e quartas – 18h30 às 20h30 até 12 anos. 20h00 às 21h30 +12 anos. Aos sábados – 9h30 às 11h00 +12 anos e 11h00 às 12h30 até 12 anos.

DD: Obrigado, Daniel. Felicidades.

CURIOSIDADES SOBRE O KARATÉ, EXPLICADAS PELO DANIEL MACHADO

Sabia que existem 9 níveis de graduação antes do cinturão negro?

Existem 9 níveis de graduação antes de atingir o cinturão negro. Inicia-se no branco (9º kyu) e evolui-se até ao castanho (3º kyu), dentro do castanho existem mais duas graduações (2º kyu e 1º kyu) que servem como uma preparação para poder obter o primeiro cinto negro (1º Dan). Para poder mudar de cinto é preciso participar num estágio e fazer um exame graduação. Para ser admitido a este exame tem de ter um tempo mínimo de prática e ser proposto pelo mestre.  As graduações são certificadas pela APKS e pelo sensei Marcelo Azevedo.

Demonstração de karaté, aberta ao público, orientada por Daniel Machado (Foto: Dão e Demo)

Sabia que o respeito é a base da prática do karaté?

As graduações servem somente pra representar o nível do conhecimento. Dentro dos meus dojos o respeito é igual por todos, quer o aluno mais novo e menos graduado, até ao aluno mais antigo e mais graduado, tem o seu papel fundamental na escola e por isso devem ser todos tratados de igual forma. Claro que para um grupo funcionar tem que haver um líder, esse deve ser o papel do sensei e somente aí é que a graduação tem o seu estatuto acima dos restantes. Nas minhas turmas, quando é preciso decidir alguma coisa, digo em tom de brincadeira que o dojo é uma democracia em que quem manda sou eu.

Quer saber o motivo pelo qual Daniel Machado ainda não formou nenhum cinturão negro?

Para atingir o 1º Dan é preciso ter entre 8 a 10 anos de prática, como só dou treino há 7 anos é temporalmente impossível ter formado algum cinturão negro. Em principio daqui a 2 anos já haverá cinturões negros satenses.

Sabe o que significa Kuro Obi (nome do clube de karaté fundado em Sátão)?

Cinturão negro.

Sabe onde o Clube Kuro Obi tem os seus sete centros de ensino de karaté?

Sátão, Vila Nova de Paiva, Sernancelhe, Moimenta da Beira, Penedono, Castro Daire e Riodades (São João da Pesqueira).

VEJA O VÍDEO COM UM EXCERTO DE UMA DEMONSTRAÇÃO PÚBLICA DE KARATÉ

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