Expande os teus horizontes e sai da tua zona de conforto!

0
1156
Sara Nunes

Por: Sara Nunes

O meu nome é Sara e estou a estudar e trabalhar na Dinamarca, mais concretamente a terminar o meu segundo ano de licenciatura.

O que pretendo neste momento é escrever a minha história e mostrar como vive uma jovem emigrante longe dos seus, num país como a Dinamarca e possivelmente ajudar centenas de jovens leitores com dicas para estudar no estrangeiro que, como eu, estão ou estiveram em alguma altura sem saber o que fazer, sem ideia das possibilidades infinitas que têm, seja na Dinamarca ou noutro lugar do mundo, porque ao contrário do que nos é dito pelos nossos pais ou professores, não existe um caminho certo para o sucesso ou para a felicidade, está nas nossas mãos escolher o que se mais adapta a nós.

Quando terminei o ensino secundário estava muito confusa, devendo-se isso, talvez, ao facto do ensino em Portugal não nos dar vocação ou explorar uma área específica para descobrirmos o que gostamos. Então tive que fazer uma pausa na educação uma vez que as candidaturas na universidade não funcionaram como eu queria, e como poderiam? Se não sabia que curso queria. Então fiz um “gap-year”, ano que tecnicamente serve para se orientar ou ganhar experiência dalguma forma. Nesse ano, trabalhei por algum tempo em Portugal e mais tarde fui viver para Londres durante alguns meses onde trabalhei também.

Ao ter vivido e trabalhado em Londres decidi que queria prosseguir os meus estudos no estrangeiro. Não escolhi Londres uma vez que era muito caro, incluíndo as propinas.  Decidi procurar um país que me acolhesse e me oferecesse as oportunidades que Portugal não me ofereceu e, depois de alguma pesquisa, a Dinamarca chamou por mim.

O processo de candidatura foi o passo seguinte. Para me candidatar precisei do meu CV, carta de motivação, carta de recomendação, diploma do secundário completo e um exame de inglês. Ao contrário do processo de candidatura em Portugal, na Dinamarca não são só as notas do secundário que têm peso, mas sim todo um processo qualitativo.

A minha Universidade é muito moderna e tem um nível de ensino muito prático, excelentes salas de aula, áreas de convívio, bibliotecas e dormitórios para estudantes. Tem vários cursos em inglês, pelo que há um ambiente muito multicultural. Para além disso, os dinamarqueses falam inglês muito bem, pelo que a língua não foi um problema. Apesar disso, o governo oferece aulas grátis de dinamarquês e eu estou a aprender a língua pois acho importante para o futuro, se quiser continuar a viver na Dinamarca e para integrar-me ainda melhor.

Este sistema não se aplica apenas ao sistema educativo, mas também ao mundo laboral, e neste aspeto os estudantes é que beneficiam mais. São-nos oferecidas imensas oportunidades, que só quem não quer não aproveita.

Eu desde que decidi estudar na Dinamarca soube que iria ter que trabalhar ao mesmo tempo que estudava para poder pagar as minhas despesas. No entanto, nunca pensei que fosse encontrar trabalho na minha área após meses de chegar antes de terminar o meu curso e muito menos que iria trabalhar usando a minha língua materna.

A minha empresa, Trendhim, deu-me a oportunidade de iniciar a minha carreira laboral na minha área de estudo, marketing. Deu-me a oportunidade de aprender como o mundo de marketing funciona, mostrou-me que o que importa não são os títulos ou cursos que tenhas, mas que o que importa és tu e o que vales. E graças a esta oportunidade hoje em dia sou manager do departamento português da empresa. É muita responsabilidade a que tenho nas minhas mãos visto ser responsável por um país inteiro, mas os meus colegas e os meus chefes sempre foram muito prestáveis, atenciosos e compreensivos comigo. Sempre se mostraram dispostos a ajudar-me e a fazer de mim uma melhor profissional.

Como se isto não bastasse, o trabalho é muito flexível e tenho total liberdade na escolha das horas de trabalho desde que complete 44 horas por mês, o que não é quase nada. Os trabalhos aqui são muito bem remunerados, na ordem dos 15€ por hora. Para além do meu salário, recebo a bolsa do estado, chamada SU para estudantes trabalhadores, no valor liquido de 740€, o que é uma grande ajuda e o melhor de tudo é que, com isto consigo ser completamente independente financeiramente e ainda juntar dinheiro para o futuro o que era muito difícil acontecer se tivesse ficado em Portugal.

Se eu tivesse que destacar uma coisa da minha experiência na Dinamarca, seria, sem dúvida, a oportunidade que tive de contribuir com ideias de campanhas, fazendo-me ver que eu tinha uma voz na empresa e que confiam em mim. Também poder ver esta empresa crescer e ser responsável de introduzi-la no mercado português dá-me um grande orgulho.

Em suma, estudar no estrangeiro é uma experiência única, uma experiência que toda a gente deveria ter, nem que seja apenas por um mês. É, sem dúvida, uma fantástica forma de ganharmos maturidade, alargarmos horizontes e uma forma de crescermos, tanto no capítulo pessoal, como no capítulo profissional.

pub

DEIXE UMA RESPOSTA

Please enter your comment!
Please enter your name here

Este site utiliza o Akismet para reduzir spam. Fica a saber como são processados os dados dos comentários.