Fake News

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Inês Pina: Colaboradora Dão e Demo

Por: Inês Pina

Olha um tema em voga com um estrangeirismo fashion e tudo!

Basicamente tratam-se de notícias falas, melhor são mentiras, falsidades trasvestidas de verdades. Qual é o seu grande objetivo? Visam distrair-nos num determinado contexto temporal, daquilo que realmente importa, do que é prioritário. Mais do que distrair é convencer-nos de algo em prol de interesses difusos. É um meio para nos conduzir em determinada direção.

Ora bem, porque se fala desta temática, quando desde que há Humanidade, sempre houve boatos e falsidades? Porque hoje em dia, estamos a verificar consequências ao nível económico, social e político desta proliferação. Todos nós nos recordamos das eleições de Donald Trump e do quanto as alegadas (usar este termo para evitar processos, todos sabemos que o Trump lê o nosso jornal) notícias falsas contribuíram para o processo. Aparentemente Trump montou uma máquina de fake news contra Clinton.

É algo novo?

Não, como disse sempre existiram boatos. Já a Idade Antiga usava esta estratégia. Os oráculos e sábios disseminavam mensagens, davam concelhos ou previam acontecimentos de uma forma enviesada. A Idade Média trouxe a força de uma Igreja Católica que detinha todo o poder político e cultural. Como o mantinha? Ora difundindo o medo, os castigos divinos. Contam a bíblia de acordo com os seus interesses. Ainda hoje, vemos alguns credos a usarem o mesmo procedimento. O Renascimento e o Iluminismo trouxeram um abrandamento nesta prática. Em parte, porque foram épocas que apelavam ao espírito crítico (atentem a este termo). Foi já no século XX que se viu os efeitos práticos das fake news, tal como os temos vindo a ver nos dias de hoje. A eleição de Hitler. Sabemos que a Alemanha estava fragilizada no pós-Guerra. Desta forma, numa época de fragilidade, as notícias antissemitas difundias por Hitler, aliadas à ideia de expansionismo que iria catapultar a Alemanha, deram a Hitler o poder absoluto.

O que podemos reter é que um povo frágil, desorientado, inquieto, amedrontado é um campo fértil para a propagação deste tipo de “notícias”. Podemos depreender que as informações falsas têm grande impacto nas decisões das pessoas, mas acima de tudo na ascensão dos fundamentalismos.

Ora, os nossos dias trazem um certo caos, já não há uma confiança inabalável nas instituições democráticas. Parece mesmo, que o estado de direito está desacreditado, incapaz de contornar as ondas de populismo. As pessoas sentem-se inseguras, inquietas e ansiosas. Parece que vivemos a olhar por cima do ombro, com receio de que o próximo bater de asas de uma borboleta possa conduzir a uma explosão nuclear. Estamos a viver a um ritmo alucinante onde nem temos tempo para refletir, nem mesmo de sonhar. Um tempo onde é difícil estabelecer laços de compromisso duradoiros. Não nos prendemos com tarefas significativas ou perduráveis.

Este desassossego conduz ao êxito fácil das Fake news. Temos excesso de informação, por isso lemos títulos e fazemos conjeturas rápidas. Não temos tempo de selecionar e analisar criticamente, lembram-se do pensamento crítico? Sim, esse tem de ser desenvolvido. As escolas têm esse papel. Saber informação é fácil, conseguir questioná-la e trabalha-la é uma competência a desenvolver.

Nunca se discutiu tanto como hoje. Contudo, nas redes sociais a discussão salta para a grosseria verbal gratuita, não há o respeito pela opinião do outro. Nem sequer se argumenta a opinião, ataca-se pessoalmente.

As redes sociais são quase que o Ferrari das Fake news, atingem velocidades estonteantes. Chegam a milhões de pessoas e cada uma dessas pessoas pode contribuir para o seu maior alastramento. Nós somos parte dos peões que pode ajudar a tornar “credíveis” estas notícias. Imaginem se alguém que vocês consideram informado partilha determinada notícia, tendem a partilhá-la por considerarem que é credível.

Nós podemos ser disseminadores destas notícias, ou tornar-nos vítimas delas. Podemos estar a eleger ditadores. E isso tem de nos fazer refletir. Não podemos ser marionetas de instituições ou de rostos que não conhecemos, nem sabemos quais sãos os seus valores.

Questionar, todos os dias, se faz favor.

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