Faleceu o Capitão de Abril, Diamantino Gertrudes Silva, de Alvite, Moimenta da Beira

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Diamantino Gertrudes Silva - capitão de Abril.

Morreu esta quarta-feira em Viseu, aos 75 anos, Diamantino Gertrudes da Silva, Capitão de Abril, que à data da Revolução dos Cravos comandou as tropas sublevadas idas de Viseu para Lisboa, com as companhias de Aveiro e da Figueira da Foz, e que na marcha gloriosa teve a seu cargo a tomada da prisão de Peniche. Foi uma figura decisiva na gesta heróica da inesquecível madrugada. Era natural de Alvite (1943), concelho de Moimenta da Beira, e, por ser “um dos nossos maiores cidadãos, com um percurso de vida imaculado e um gosto especial por tudo o que era nosso”, o presidente da Câmara Municipal de Moimenta da Beira, José Eduardo Ferreira, curvado à “grandeza e nobreza de vida e de espírito” de Gertrudes da Silva, endereça à família as mais sentidas condolências.

Faleceu graduado de coronel das Forças Armadas, mas ficou para sempre a memória do Capitão de Abril, Herói de Abril. Ingressou na Academia Militar em 1963, seguindo a carreira de Oficial do Exército na Arma de Infantaria. Cumpriu duas comissões na Guerra Colonial, a 1ª em Angola e a 2ª na Guiné.

Integrou o Movimento das Forças Armadas, tendo-lhe sido conferido aquela missão relevantíssima para o sucesso da Revolução de Abril. A sua coragem (e espírito de missão patriótico) foi distinguida com várias condecorações de âmbito especificamente militar, sendo ainda agraciado com a Grã-Cruz da Ordem da Liberdade pela sua particular participação no Movimento do 25 de Abril de 1974.

Dois anos depois da Revolução dos Cravos quis obter ferramentas que lhe permitissem compreender melhor a evolução histórica, matriculando-se em 1976 na Faculdade de Letras da Universidade de Coimbra, concluindo a licenciatura em História em 1980.

Desenvolveu nas últimas décadas uma intensa atividade cívica através da apresentação de comunicações, em várias instituições, nomeadamente nas escolas.

No campo literário desenvolveu também intensa atividade, tendo publicado uma trilogia inspirada nas suas vivências da guerra colonial (“Deus, Pátria e… A Vida”, Palimage 2003; “A Pátria ou a Vida”, Palimage 2004; e da Revolução do 25 de Abril “Quatro Estações em Abril”, Palimage, 2007). Para além disso publicou ainda “Tempos sem remissão”, Palimage, 2011, livro de saborosa escrita aquiliana por onde perpassam sagas familiares da terra onde nasceu em tempos de Estado Novo.

PCP ASSOCIOU-SE AO PESAR PELA MORTE DO CAPITÃO DE ABRIL

Atarvés de nota emitida à comunicação social o PCP, de Viseu, associou-se ao pesar pela morte de Gertrudes Silva referindo que “nesta hora de pesar, o PCP endereça a toda a família de Diamantino Gertrudes da Silva, sentidas condolências, prestando homenagem pública ao militar valoroso, ao democrata empenhado, ao humanista e homem de cultura”.

O PCP fez acompanhar este voto de pesar com um texto do Fernando Machado, professor jubilado da Universidade do Minho, amigo pessoal e contemporâneo do Capitão de Abril, que de seguida transcrevemos:

O 25 de Abril de 1974 foi um ponto de partida determinante para o processo de construção da democracia que hoje temos a dita de viver. Processo por vezes sinuoso, com percalços e vicissitudes tantas vezes inesperados, às vezes mesmo obstaculizados ou até combatido por arautos saudosos dos tempos idos… mas processo, que ainda o é, também persistentemente defendido por nós e muitos nos ideais e fins que a Revolução de Abril em tempo inicial definiu ancorados na liberdade, igualdade, justiça e paz.

Mas é também um ponto de chegada tornado rutura à longa época de opressão, de desigualdade, de injustiça e mesmo de guerra em que o país persistia num isolacionismo deprimente ao espaço e tempo da circunstância. Foi tempo negro, sim, mas sempre com a chama de luta persistente em que o PCP, não há história que o possa negar, foi protagonista notado, e por isso perseguido, ao lado de muitos outros inconformados e esperançados resistentes.

Pois bem, nesse ponto de partida para o presente, e de chegada com esperança de futuro, tiveram papel primordial aqueles que continuamos a chamar CAPITÃES DE ABRIL. Eis a razão primeira e maior da sentida homenagem do PCP ao nosso “capitão” Gertrudes da Silva que nos deixa mas que permanecerá na nossa memória e na História de Portugal escrita com letras de ouro assentes em padrões de liberdade, de justiça e paz. Ele foi protagonista ativo e relevante nesse corajoso momento de rutura e assim continuou até ao fim, envolto nos ideais que na madrugada libertadora de abril ele ajudou a nascer e que, em sua homenagem, nos vemos obrigados a defender. Ele nos pede…

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