Fernão de Magalhães, João Dias de Solis e o Rio da Prata.

0
115
Abílio Travessas: Colaborador Dão e Demo - jornal digital

Por: Abílio Travessas

Na viagem ao longo da costa da América do Sul, a armada das Molucas – como ficou conhecida a expedição de Magalhães  na descoberta das ilhas do cravo – chega ao Rio da Prata. Atingindo a Punta del Este, na extremidade norte do estuário do Rio da Prata – um dos maiores do mundo e local de disputa entre os dois estados ibéricos, disputa originada pelo Tratado de Tordesilhas – atraca diante duma colina a que chama Monte Video (Montevideu). Envia uma embarcação, a Santiago, para exploração da costa norte do estuário que conclui que a água é cada vez mais doce. No entretanto, Magalhães atravessa o estuário e explora a costa sul durante quase um mês; a tão desejada passagem para o Mar del Sur (Pacífico, como ficou conhecido) não era ainda.

É controversa a questão sobre quem foi o primeiro a chegar ao Rio da Prata. “Desta política portuguesa (de afirmação de soberania nas terras da América do Sul) em 1512 ou mais provavelmente em 1514, “dois navios de que se conhecem dois armadores – D. Nuno Manuel, almotacé-mor de D. Manuel, e o rico armador espanhol Cristóvão de Haro – descobrem o estuário do Rio da Prata” – Luís de Albuquerque, Dicionário de História dos Descobrimentos Portugueses, Círculo de Leitores. A presença do armador del Haro compreende-se dadas as notícias trazidas pelos índios da existência de grandes riquezas em ouro e prata na região.


Juan Diaz de Solis: “Estamos na presença de mais um piloto português pouco conhecido da história das nossas navegações”.

Em resposta, uma armada espanhola comandada por João Dias de Solis, atinge o estuário em 1516, onde é assassinado por autóctones, índios charruas, conhecidos pela combatividade e por terem rejeitado a missionação dos jesuítas (os jogadores da selecção de futebol uruguaia são conhecidos por charruas). Sobre este piloto havia grandes dúvidas sobre a sua nacionalidade. Segundo Luís de Albuquerque, na obra citada, as dúvidas acerca da nacionalidade de Solis, encontram-se há muito ultrapassadas. Nasceu em Portugal e a sua notoriedade advém de, ao serviço da coroa espanhola, “haver tentado chegar ao Pacífico pelo Ocidente, empresa que só mais tarde Fernão de Magalhães concretizaria”. E concretizaria ao descobrir a passagem para o Pacífico através do estreito que ficaria com o seu nome.

Juan Diaz de Solis, nome castelhano do piloto, fugiu para Castela em Abril de 1506, e a razão da fuga esteve no facto de ter assassinado a mulher. D. Manuel, numa carta dirigida a D. Fernando, viúvo de Isabel, a Católica, protestando contra o envio a Malaca duma esquadra comandada por Solis, refere “que aquele piloto português tinha sido banido dos seus reinos, devido aos crimes que cometera, os quais obrigavam a pena de morte”.

Estamos na presença de mais um piloto português pouco conhecido da história das nossas navegações. Reforçando a importância deste navegador, regressemos ao notável historiador dos descobrimentos portugueses, prof. Luís de Albuquerque, primeiro governador-civil de Coimbra depois do 25 de Abril: “…os seus conhecimentos náuticos despertaram o interesse dos oficiais da Casa da Contratação de Sevilha que o receberam como piloto”. Participa em conferência convocada pelo rei espanhol para “deliberar acerca da condução das navegações e descobrimentos”. Chega a piloto-mor real de Espanha por morte de Américo Vespúcio.

Também as qualidades e conhecimentos de Fernão de Magalhães, convenientemente investigadas pelos responsáveis da Casa da Contratação, foram importantes para que lhe disponibilizassem uma armada de cinco navios para a concretização da demanda das ilhas das especiarias que, afirmava, se encontravam na parte do hemisfério sob influência espanhola.

pub

DEIXE UMA RESPOSTA

Please enter your comment!
Please enter your name here

Este site utiliza o Akismet para reduzir spam. Fica a saber como são processados os dados dos comentários.