Isto das gerações…

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Inês Pina: Colaboradora Dão e Demo

Por: Inês Pina

Estou a abeirar os 30! A Inês de há uns anos atrás acharia que nesta faz quereria e teria uma data de coisas diferentes das que quero e tenho hoje. Os anos passam e nós vamos crescendo. Não são apenas os anos que nos moldam o contexto. Esse determina muito do que a vida nos propõe. E, sem dúvida que ter pertencido à “geração à rasca” fez muito do que sou hoje. Hoje sei e tenho a certeza que nada é para sempre e que todos os dias temos de conquistar um pouco mais. Determinou que não me acomodasse e que não tivesse medo de arregaçar as mangas. Percebi que um diploma é apenas uma ferramenta, não um passaporte. Sei que, a polivalência e a vontade são a chave para transformarmos tudo á nossa volta.

Quando olho para trás julgo que a geração da minha mãe foi uma sortuda com bons empregos à mão de semear, com possibilidade de estabilidade. Se invejo isso? Não. Por mais tentador que isso possa parecer desafiarmo-nos todos os dias é das melhores coisas da vida. Isto só vem provar que tendemos a achar sempre que sabemos mais do que a geração anterior, que somos melhores. Até temos a presunção que somos superiores à geração que nos segue.

Há a ideia generalizada, pelo menos da minha parte, que os mais novos são muito youtuberes e influenceres que gostam de divulgar estilos de vida e lutam por aparências. No entanto, enquanto nós usamos as redes sociais para fazer scroll eles usaram-nas para fazer negócios o que é bem válido.

O fosso entre gerações sempre existiu, mas, agora, está mais adensada com o dr. google a interferir na educação, mostrando uma realidade que muitas vezes os pais nem sequer conhecem. Mostra informação, sem censura e sem filtros. Não podemos ser velhos do restelo face ás tecnologias, elas vieram para ficar e já mudaram o mundo e o nosso mundo. Podemos ter atenção ao uso excessivo das mesmas, mas jamais lhes podemos retirar valor. Elas têm a capacidade de mobilização em torno de uma ideia comum, da partilha de informação e da criação de heróis que representam os ideais modernos. Greta Thunberg é a nova heroína de uma geração que se define na própria inconstância e indefinição das redes que a suportam.

Foi em torno dela que muitos se mobilizaram e mostraram que não são só as futilidades das redes, que são estruturados, que pensam além de si próprios. Algo que poucas gerações fazem. Não foram reclamar melhores condições para as suas escolas de primeiro mundo, nem mais dinheiro, nem mais oportunidades, nem leis generosas para a sua situação! Transcenderam-se saíram da caixa confortável e foram alertar-nos para o bem maior que estamos a colocar em causa.

Foi na escola que começaram a falar-me da necessidade de reciclar até então isso ainda não é uma prática generalizada. Já na altura se conheciam as consequências do nosso impacto no ambiente. Em vinte anos (OMG, como assim já foram há 20 anos!!) a reciclagem ajudou, mas pouco ou nada mudou. Cuidar do planeta parece um plano adiado hade eterno, são mais ou menos como os pequenos arranjos lá por casa, todos os anos falamos deles e todos os anos adiamos. A questão é que hoje, precisamos de agir rapidamente porque a estrutura está a desabar. A preocupação é não produzir lixo e desenvolver a economia circular, que elimine a ideia enraizada de substituição dos produtos em fim de vida. Temos vivido décadas de abundância numa promoção de uma sociedade de consumo. Já não sabemos produzir (nem sequer os nossos alimentos) limitamo-nos a adquirir novo, pois nem de remendar gostamos. Isso torna-nos acumuladores. Estão sempre a surgir novas necessidades, necessidades que antes não tínhamos e que a própria sociedade nos diz que devemos satisfazer, o que nos torna reféns de um sistema que parece que nos aniquila aos poucos…

Na Suécia, Greta Thunberg plantou-se em frente ao Parlamento para se fazer ouvir sobre as alterações climáticas. A sua voz tem chegado a todos os cantos do planeta, mobilizando, melhor influenciando, outros jovens e a greve de sexta-feira foi o grito de Ipiranga de uma geração habituada a ter tudo e preocupar-se com nada. Comos todas as gerações têm todos os defeitos do mundo e têm o mundo na palma das mãos. Esta geração apresenta-se consequente quando grita pela urgência de mudarmos a forma como vivemos e inconsequentes quando continua a alimentar o consumismo desenfreado. É informada porque está em rede e instrumentalizada porque também faze parte dessa mesma rede. Certo e sabido é que o mundo em que vivemos e a forma como vivemos, mais cedo ou mais tarde, vai acabar por questões de matemática simples: a pressão que o crescimento demográfico coloca sobre os recursos naturais não nos permite manter o status quo para sempre. A pressão demográfica no mundo é real, com pressão nos recursos naturais e seu potencial esgotamento, com as consequências que daí podem advir: fluxos migratórios inesperados, conflitos e refugiados à procura de um local para viver. Em casa onde não há pão…

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