Já comeu bataratas? Um tubérculo sem amido? Deixamos-lhe uma receita à moda da Beira Baixa para acompanhar com vinho do Dão.

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Bataratas, tupinambo ou girassol batateiro (Foto: Dão e Demo)

Por: Luís Catarino *

Nome vulgar: Batarata; tupinambo; girassol batateiro, entre outros.

Nome científico: Helianthus tuberosus L.

Vamos lá conhecer, antes da receita propriamente dita, este tubérculo que se apresenta sob inúmeros topónimos: batarata, tupinambo e girassol batateiro, entre muitos outros.

E se, desde logo, há uma semelhança fónica e gráfica de batarata, nome popular, com a palavra batata, em duas das designações, as diferenças, porém, são bastantes, pese embora também existam algumas similitudes.

Desde logo estamos perante um tubérculo com origem no continente americano, onde é uma planta espontânea, donde terá vindo para a Europa há alguns séculos (século XVII) fruto das múltiplas interações a que a globalização 1.0 (vulgo, descobrimentos portugueses) abriu portas. Depois estamos perante um vegetal que se revelou resistente a pragas e a predadores e que não é exigente a nível de solos, adaptando-se com facilidade a todos os solos, mesmo aos mais pobres e pedregosos.

Mas, verdadeiramente, a grande característica deste tubérculo é que armazena inulina e não amido, como a batata, e tem um teor de glicose quase nulo, sendo aqui que reside aquele que é o principal fator distintivo entre batata e batarata

O cultivo, esse, é semelhante ao da batata, pois também se enterram os tubérculos no solo, em linha, em fevereiro ou março. Porém, as semelhanças ficam-se por aí, pois as plantas que brotam do solo num e noutro caso são completamente diferentes. Enquanto a da batata tem uma altura de cerca de meio metro, a da batarata ou tupinambo pode crescer até três metros de altura, apresentando-se na sua fase ‘adulta’ com uma flor amarela, semelhante à do girassol, donde lhe advém também o nome de girassol batateiro.

Quanto ao tubérculo, apresenta semelhanças com a batata, pese embora com mais rugosidades e só deve ser colhido quando tiver chegado à maturidade, isto é, quando a planta tiver secado, para que a inulina esteja bem formada, o que acontece, normalmente, no outono, a partir de finais de setembro e durante o mês de outubro.

Fontes da informação supra: AQUI e AQUI.

Receita de “Bataratas à moda da Beira Baixa”

Antes de mais um nota prévia quanto ao nome da receita: Chamamos-lhe “Bataratas à moda da Beira Baixa” não porque este seja um prato típico daquela região mas, tão só, pelo facto de a receita nos ter sido trazida por uma pessoa ali nada e criada.

Ingredientes para 2 pessoas

4 dentes de alho

4 colheres de sopa de azeite

Meio quilo de bataratas

30 gramas de cogumelos shitake desidratados

25 gramas de azeitonas fatiadas desidratadas

200 gramas de restos de carne cozinhada (sugestão: pato)

3 ovos

100 mililitros de vinho branco

4 colheres de sopa de queijo ralado

Preparação:

Cubra os shitake com água a ferver e deixe descansar durante 30 minutos.

Coloque o tacho com azeite e alho fatiado ao lume e deixe ferver por pouco tempo. De seguida, antes do alho alourar, coloque as bataratas fatiadas, depois de descascadas, e deixe-as saltear durante cerca de 5 minutos, com sal a seu gosto. Vá mexendo.

Depois acrescente-lhe os shitake, previamente escorridos, e as azeitonas desidratadas e o vinho. Deixe guisar durante mais dez minutos e adicione e os pedaços de carne de pato, ficando a apurar em lume brando.

Bataratas, shitake, azeitonas e pato. Agora é só mesmo adicionar os ovos e o queijo ralado.

Quando estiver devidamente apurado junte-lhe os ovos batidos e o queijo ralado e envolva tudo. Desligue quando os ovos já estiverem cozinhados mas húmidos.

E está pronto a servir com uma salada a seu gosto.

Como vinho propomos um vinho tinto da região do Dão:

> Quinta do Soito, tinto, Reserva 2014, um vinho que obteve o prémio Platina em 2017 pela Decanter World Wine Awards

(*) Luís Catarino, colaborador Dão e Demo para a área da gastronomia e vinhos.

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