Júlio Carvalho, natural de Rio de Moinhos, traz-nos um novo conto “Os sonhos de Julião”

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Júlio Figueiredo Carvalho, natural de Rio de Moinhos e residente há várias décadas em Lisboa, mais concretamente em Cascais, voltou a surpreender-nos, agora, em finais de 2017, com a publicação do conto “Os sonhos de Julião” depois de já antes nos ter presenteado em 2015 com “Diálogos (Im)possíveis com Natália Correia” (ler infra) e em 2016 com “4 Gerações” (ler infra), este, assumindo o género de romance, com recortes, aqui e ali, caldeados com aspetos autobiográficos.

Integrado na coletânea de contos “Sonhos – não só… mas também”, editada em finais de 2017, este conto é uma incursão do autor, através de Julião Figueira aos tempos da sua infância e aos sonhos que atravessam os homens.

Júlio Figueiredo Carvalho, neste conto, deixa-nos recortes pitorescos desse espaço primeiro, desse tempo mais remoto, que o formou e enformou. E, sem nos dar nota de elementos muito concretos da sua localização, acaba por nos levar até à sua região do Dão, ao referir-se ao rio Coja e às competições de natação, debaixo de água e à superfície, que Julião ali efetuava “com os seus camaradas do tempo de juventude”, no poço Lapão.

Depois vai-nos levando por aí fora, pelos locais que Julião, qual Júlio Figueiredo Carvalho, foi correndo e percorrendo, profissionalmente ou em lazer, por esse mundo fora ou por essa Lisboa que o fascina e apaixona.

E desta faceta, dos seus périplos pelo parque dos Poetas ou por Lisboa, sabe sempre bem escutar os diálogos que Julião nos traz com Florbela Espanca ou entre Camões e Pessoa e ainda a perceber o enlevo com que Julião ouve a maviosa voz da sua Natália amada, qual fonte de todas as suas prazenteiras evasões.

“Os sonhos de Julião” surge assim como mais uma incursão de Júlio Figueiredo Carvalho no âmbito da ficção. Este conto está inserido entre as páginas 83 e 100 deste livro “Sonhos – não só… mas também”, um edição da Universidade Sénior de Oeiras.

‘Diálogos (Im)possíveis’ com Natália Correia

Mas já em 2015, Júlio Figueiredo Carvalho, natural de Rio de Moinhos, concelho de Sátão, tinha participado participou com um texto seu no livro “Os poetas do parque – Diálogos (Im)possíveis”, uma obra coletiva.

O livro, uma edição do Município de Oeiras, de novembro de 2015, integrava um conjunto de textos elaborados no âmbito de um desafio lançado à turma de escrita criativa da Universidade Sénior de Oeiras pela professora Fátima Pissarra.

Cada um dos alunos teria que escolher um poeta dos representados no Parque dos Poetas, em Oeiras, e, depois disso, ter com ele uma conversa que simultaneamente fosse informativa e formativa para os leitores.

Júlio Figueiredo Carvalho, aposentado, um homem polifacetado e de múltiplos saberes de vida vivida, foi um dos co-autores desta obra. Foi caixeiro e tocou na tuna da sua terra na juventude, serviu na Armada e depois tornou-se empresário de sucesso do ramo mobiliário na “grande Lisboa”. Residente em Cascais, mas também com moradia de sua arquitetura em Rio de Moinhos, frequenta, agora, a Universidade Sénior e foi nessa qualidade que escolheu e escreveu sobre Natália Correia no livro em apreço.

É um “diálogo (im)possível”, este que nos traz, com e sobre uma figura marcante da literatura e da cultura portuguesa do século XX. Natália Correia notabilizou-se pela poesia, forte e densa, que nos deixou, mas também pela sua intervenção política e social fraturante e desassombrada, no final do Estado Novo e já no Portugal democrático.

É um diálogo que se lê de rajada, intimista, e pelo qual passa uma sensibilidade poética com travos de belas imagens da sua infância e de metáforas cheias de sensualidade.

É assim como um conto, uma ficção em que o autor se dá e se retira, nos mostra e esconde aspetos e trajetos no espaço e tempo dos bairros de Lisboa, sobretudo nos miradoiros de onde ele só conta parte das vistas que viu, da Graça ao Bairro Alto!

Mas, também, através deste breve texto, das 10 páginas deste livro de 164, Júlio Carvalho permite-nos uma navegação por aspetos marcantes da Lisboa dos anos 60 e 70 e pelos bares, tertúlias e encontros de artistas… no Botequim, da Natália Correia, com David Mourão Ferreira, Saramago ou Maria João Pires.

Da ficção à realidade… é escrita criativa, pois claro!

Deixo um pequeno excerto para abrir o apetite: «(…) Não apreciando a concorrência da bela mulher, recém-chegada, que acompanhava David Mourão Ferreira, num repente, levantou-se e dirigiu-se ao piano, pedindo a Maria João Pires para dar uns acordes, pois tinha vontade de declamar: de improviso magistral, a Natália declamou um poema seu, implorando às divindades, num fervor feminino, que a protegessem e à humanidade, atitude que mereceu o aplauso de todos os presentes.

Mais empolgantes foram os seus dois sonetos! Com efeito, numa declamação de sedução e encanto manifestou ao seu grande admirador David M. Ferreira, quanto de gratificante era a sua presença. Ignorou a sua companheira que sorria…(…).»

Livro ‘4 GERAÇÕES’, de Júlio Carvalho

Depois de participar como coautor no livro “Os poetas do parque – Diálogos (Im)possíveis”, Júlio Carvalho traz-nos agora uma edição de autor a que colocou o título de “4 gerações” para ver “e sobretudo saber até aonde a sua imaginação podia chegar, o autodidata já com 72 anos…”

E Júlio Carvalho, qual Fernão Mendes Pinto, proporciona-nos neste livro uma incursão no mundo e em tantos mundos que coexistem em simultâneo nos mais diversos paralelos e meridianos da terra.

Leva-nos ao oriente, a Macau, ao Casino Lisboa ou à gruta de Camões, à China, a Xian ou a Pequim, mas também ao Brasil, seja a João Pessoa, a Salvador ou ao Recife. Mas não se fica por aqui esta viagem multicolor e plurifacetada de Júlio Carvalho e dos seus personagens, sem se perceber muito bem, ou talvez bem demais, por onde navegou o autor. E é assim que nos desvenda o México, de Acapulco, a Oaxaca, ou da serra Madre Ocidental a Cancun, que nos abre as portas do Museu Hermitage, ou do Museu do Cairo, ou do Grande Canyon, ou da Torre Eiffel, ou do Rio Jordão, ou dos canais de Veneza, ou Salzburgo, ou Viena… mas também passamos pelo Estoril, por Lisboa, Cascais, Sesimbra e tantos outros locais de Portugal… enfim, a densidade de memórias e de histórias, dos pares de namorados, dos amores e dos desamores, das navegações sentimentais mais ousadas, das luas-de-mel, das danças de sedução ao som de Strauss, são tantas e tantas as narrativas, romanceadas, tantas e tantas as viagens sempre salpicadas por sólidos conhecimentos da História de Portugal, da arte de marear e da música e músicos universais.

Nestas quase 200 páginas deste texto-memória-romance Júlio Carvalho proporciona-nos a companhia de inúmeras personagens, Miguel Roldão, Joana, Daniel, Patrício, A. Lima… e traz-nos as incursões que elas fizeram aquém e além mar, aquém e além fronteiras.

“Desceram até à praça da Concórdia, indo depois fazer um cruzeiro ao Sena, selando da melhor forma a lua-de-mel…”, p. 105.

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