Lendo os jornais desportivos

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Por: Abílio Travessas

Sempre gostei de livros… e de jornais, o Primeiro de Janeiro a acompanhar o meu dia a dia desde que sei ler, ou ainda antes, a ver a Banda Desenhada, na última página. Livros muitos e jornais, recortes e suplementos, que vou acumulando nem eu sei para quê ou para quem.

Aquando da crise, em que nos roubaram parte substancial das nossas pensões, disse-me: “não compro mais livros!, tenho para ler até ao fim.” Mas foi desígnio não cumprido, o apelo era sempre maior que a razão. Daí que o café que frequento, Tertúlia, na Póvoa do Mar me atraia pelos livros de alfarrabista, mais os adereços revivalistas. O destaque vai para a Carta de Portugal Continental, aprovada pelo Instituto Geográfico e Cadastral, do tempo da nossa escola primária; com Mapa Orográfico (há quatro sistemas de serras: Galaico-Duriense, Luso-Castelhano, Toledano e Mariânico) e Gráfico Orográfico, Hidrologia – Para cada doença “especial” a sua Cura de Águas – Águas medicinais, minerais e termais. Mapa Hidrográfico, Campos de Aviação – Aeródromos metropolitanos, Mapa dos Caminhos de Ferro; e informações preciosas: Professores Primários, 12 139; Regentes, 3546; percentagem média de analfabetismo, 40%. Tudo “Conforme Censo (Estatística Nacional) de 15/12/50”. Habitantes de Portugal e Ilhas eram 8 441 312 distribuídos por 304 concelhos. Capas de discos d’outros tempos, agora que o vinil está na moda. O bom gosto na decoração é patente e convida à leitura e ao convívio. Mas a Póvoa também tem, abertura recente, restaurante/livraria,  Theatro, melhor conjugação não haverá.

No Tertúlia pode-se ler os jornais desportivos, mais os generalistas, o Notícias e o Correio da Manhã pelo preço dum café. Leio A Bola à procura de alguma pérola, as mais das vezes trazida pela pena de António Simões, colaborador imperdível pela qualidade da escrita e da pesquisa. António Simões, não é o Magriço de 66, tem livro premiado que comprei numa Feira do Livro em Lisboa, “Desporto com Política”. E esta crónica surgiu-me ao ler o que escreveu a recordar o Prof Moniz Pereira mais as estórias duma vida dedicada ao atletismo mas também à música. Trabalhador incansável, alicerçou os êxitos dos seus atletas, Carlos Lopes e Fernando Mamede, os mais conhecidos, em muito treino. Nos Jogos Olímpicos de Londres viu Emil Zatopeck ganhar medalha de ouro nos dez mil metros. Quando regressou fez afirmação provocadora: Zatopeck não sabe correr; ganha porque treina mais do que os outros.

A Bola tem colaboradores  conhecidos que leio regularmente, Sousa Tavares e Bagão Félix, portista e benfiquista assumidos, além do director Victor Serpa. Mas muitas saudades dos clássicos, grandes entre os maiores, Aurélio Márcio, Carlos Miranda (e as crónicas da Volta a França com J. Agostinho), Homero Serpa, Carlos Pinhão…

Em O Jogo leio, sempre, Joel Neto na sua coluna diária com o bom senso a imperar em escrita personalizada. Ao domingo não perco, alternando, Carlos Tê e Álvaro Magalhães, portistas de coração. Carlos Tê conhecia das letras das canções de Rui Veloso e foi surpresa lê-lo no futebol. De Álvaro de Magalhães é um prazer ler a História Natural do Futebol, livro essencial a quem interessa  o tema e a sua génese. Também aos domingos a colaboração de José Soares, Catedrático de Fisiologia da UP. O que a ciência recente diz sobre o exercício foi tema recente: “para além dos efeitos sobre a memória, capacidade de concentração, o exercício promove a produção dum neurotransmissor que tem um papel decisivo na protecção dos neurónios. Ou seja, ajuda o cérebro a envelhecer melhor, prevenindo Alzheimer e a perda da memória. Corrida e caminhada parecem ser as actividades que mais favorecem o cérebro”.

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