Medicina: Alunos que saem do privado reprovam mais na universidade

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(Foto: JN - Igor Martins/Global Imagens)

O Jornal de Notícias publicou no dia 27 de maio de 2018, às 19h26m, na sua edição online, um artigo assinado pela jornalista Inês Scherek sob o título “Alunos que saem do privado reprovam mais na universidade”.

É um artigo que se refere a uma investigação que chegou a essa conclusão no que concerne a estudantes que entraram no curso de medicina.

A investigação, citada no artigo, vai ao ponto de dizer que “os estudantes de escolas privadas, tanto das que inflacionam as notas como das que não o fazem, estão mais mal preparados do que os do público”.

Aqui fica, na nossa coluna “Dito nas redes” a transcrição integral desse mesmo artigo do JN:

«Investigadores compararam notas do curso e avisam: pagar pelo ensino pode valer acesso à faculdade, mas não garante uma preparação de qualidade.

Os estudantes de Medicina provenientes do Ensino Secundário privado reprovam mais do que os colegas que vieram das escolas públicas. Mesmo aqueles que estudam em escolas privadas que não inflacionam as notas saem mais mal preparados. A perceção de professores e investigadores é agora confirmada num estudo científico. Perante a conclusão, os autores, alertam: investir no ensino privado até pode garantir a entrada no curso, mas está longe de assegurar uma formação de qualidade.

O estudo, que comparou os resultados de 1700 alunos que frequentaram a Faculdade de Medicina da Universidade do Porto (FMUP) entre 2007 e 2014, foi liderado por Cristina Santos, investigadora do CINTESIS – Centro de Investigação em Tecnologias e Serviços de Saúde, e publicado em março último na revista científica “BMC Medical Education”.

A também professora da FMUP foi notando, ao longo dos anos, que “alguns alunos estavam apenas focados em estudar para o exame”, quando o ensino universitário exige mais do que isso. Esses mesmos alunos, a maioria provenientes de escolas privadas, acabavam por ter piores notas, explicou. A investigação veio comprovar a perceção empírica.

A análise dos resultados revelou que, no primeiro ano do curso, a taxa de reprovação a pelo menos uma unidade curricular dos estudantes provenientes do privado foi de 43%, enquanto a dos alunos do público foi de 34%. Além disso, os alunos do privado apresentaram, em média, notas inferiores aos do público até ao quinto ano. A diferença vai-se esbatendo ao longo dos anos e inverte-se muito ligeiramente no sexto ano.

Mas a investigação vai mais longe. Com base em informação disponibilizada anualmente pelo Ministério da Educação, os autores distinguiram os alunos de Medicina provenientes de escolas (públicas e privadas) que inflacionam as notas dos que vieram de estabelecimentos que não o fazem. E a conclusão é semelhante: os estudantes de escolas privadas, tanto das que inflacionam as notas como das que não o fazem, estão mais mal preparados do que os do público.

Assim, cai por terra o argumento muitas vezes usado de que as classificações mais altas, atribuídas maioritariamente por escolas privadas, se justificam porque correspondem a uma melhor preparação em áreas que não são abordadas nos exames nacionais, refere Cristina Santos. “Mesmo nas escolas que não inflacionam as notas, há diferenças na preparação dos alunos e as públicas preparam melhor do que as privadas”, nota a investigadora.

O que resulta “numa dupla injustiça”. Além de entrarem na faculdade injustamente porque conseguiram notas inflacionadas na escola privada – o que pode fazer toda a diferença sobretudo em cursos muito competitivos como o de Medicina – estão mais mal preparados que os colegas de escolas públicas, diz Cristina Santos.

Segundo o estudo, 48% dos estudantes admitidos na FMUP entre 2009 e 2014 fizeram o Secundário em escolas que inflacionaram as notas nos respetivos anos.

Perante os resultados, os autores concluem que o processo de admissão nas escolas médicas deve ser cuidadosamente estudado, bem como o peso das notas do Secundário na média de acesso ao Ensino Superior.»

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